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Correio da Manhã

Sociedade
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Tratar dermatite custa 1818 euros por ano

Impacto para a sociedade atinge os 1477 milhões de euros
João Saramago 14 de Setembro de 2020 às 09:14
Doença cutânea não contagiosa atinge perto de meio milhão de portugueses
Doença cutânea não contagiosa atinge perto de meio milhão de portugueses FOTO: Direitos Reservados
Cada português que sofre de dermatite atópica gasta uma média de 1818 euros, por ano, com tratamentos. Este valor resulta de um custo mínimo de 530 euros e de um máximo de 2054 euros, na fase mais agressiva da doença, revela o estudo da NOVA IMS, da Universidade Nova de Lisboa.

No Dia Mundial da Dermatite Atópica, assinalado hoje, os especialistas sublinham que os efeitos do absentismo ou perda de produtividade por parte de 440 mil doentes e cuidadores representa uma perda anual de 1477 milhões de euros para a sociedade. "O investimento nesta doença inflamatória crónica por parte do Estado e dos doentes tem um significativo retorno positivo para a sociedade, que se traduz em qualidade de vida do doente, e numa importante mitigação do seu impacto económico", avançou ao CM Pedro Simões Coelho, coordenador do estudo.

Um doente passa, em média, 44 minutos por dia a tratar da doença. Este tempo dedicado ao tratamento e alívio dos sintomas cresce na dermatite atópica moderada para 63 minutos e na expressão mais grave para 81 minutos. A maioria dedica assim mais de uma hora diária.

PORMENORES
Dificuldades a dormir
Metade das pessoas com dermatite atópica refere que passa pelo menos 14 noites mal dormidas por mês. No geral, 34% de todos os inquiridos referem ter dificuldades em dormir.

Vergonha associada
Mais de um terço dos doentes refere sentir vergonha, ansiedade e frustração associadas à doença. Diagnosticar a doença pode demorar até seis anos.

"Há um estigma social que afeta a autoestima"
A dermatite atópica provoca comichão, vermelhidão, descamação e fissuras na pele. Joana Camilo, 42 anos, doente e presidente da Associação Dermatite Atópica Portugal, entende que na sociedade "há um estigma que afeta a autoestima".
Universidade Nova de Lisboa NOVA IMS saúde doenças economia negócios e finanças economia (geral)
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