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Correio da Manhã

Sociedade
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Um dos países mais pobres da Europa ajudou Itália quando "países riquíssimos viraram as costas"

Seguiram para Itália 30 médicos e enfermeiros da Albânia. "Os recursos humanos e logísticos não são ilimitados, mas não podemos mantê-los de reserva enquanto em Itália se precisa tanto de ajuda", disse primeiro-ministro.
29 de Março de 2020 às 14:20
Este sábado, partiram para Itália 30 médicos e enfermeiros albaneses. Destinam-se à Lombardia, uma das províncias italianas mais atingidas pela pandemia do novo coronavírus. Na Albânia, registam-se 197 casos confirmados de Covid-19 e dez mortes. Itália superou os dez mil mortos, a maior taxa de mortalidade do mundo. 

Apesar de a Albânia estar a lutar também contra a doença, o governo entendeu que não podia deixar um país irmão. "Não temos falta de memória: não podemos não demonstrar a Itália que a Albânia e os albaneses nunca abandonam um amigo em dificuldades. Hoje somos todos italianos, e a Itália deve vencer e vencerá esta guerra também por nós, pela Europa e por todo o mundo", afirmou Edi Rama (na imagem acima), primeiro-ministro albanês, no aeroporto, enquanto cumprimentava a equipa. "Vocês, membros corajosos desta missão pela vida, partem para uma guerra que também é a nossa."

"Trinta médicos e enfermeiros nossos partem hoje para Itália, não são muitos e não vão resolver a batalha entre o inimigo invisível e os médicos que lutam do outro lado do mar [os dois países são separados pelos mares Adriático e Jónico]. Mas Itália foi a nossa casa quando os nossos irmãos e irmãs nos salvaram no passado, ao albergar-nos e adotando-nos enquanto aqui se sofria", recordou Rama. 

Itália ajudou a Albânia em vários momentos da História: depois da Segunda Guerra Mundial, após a queda do regime comunista no fim dos anos 80 e com uma crise de fome no início dos anos 90. Para a Albânia, esta é uma oportunidade de agradecer a Itália, apesar de o contributo ser pequeno. "Estamos a combater o mesmo inimigo invisível. Os recursos humanos e logísticos não são ilimitados, mas não podemos mantê-los de reserva enquanto em Itália se precisa tanto de ajuda", explicou Rama. "É verdade que todos estão fechados nas suas fronteiras, e que países riquíssimos voltaram as costas uns aos outros. Mas talvez seja por não sermos ricos nem sem memória, que não podemos permitir não demonstrar a Itália que a Albânia e os albaneses não a abandonam."

Em Itália, vivem cerca de 400 mil albaneses, enviando dinheiro para as famílias e investindo dinheiro na Albânia. 

A equipa de 30 médicos e enfermeiros ficará na Lombardia durante um mês. Apesar de se terem voluntariado, a Albânia vai pagar-lhes e assegurar as despesas que valem 85 mil euros. Um euro equivale a 128.880 lekes, a moeda da Albânia. 

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