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Correio da Manhã

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Um terço dos profissionais de saúde não faz automonitorização diária para controlo do coronavírus

Investigadores destacaram que "os riscos para os profissionais de saúde vão muito para além do vírus".
Lusa 29 de Abril de 2020 às 23:32
Coronavírus
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Um terço (33,4%) dos mais de cinco mil profissionais de saúde que participaram num estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), relacionado com a covid-19, não cumpre com a automonitorização diária pedida pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

"A realização da automonitorização diária deveria ser a regra na perspetiva, quer da proteção da saúde do profissional, quer da redução da probabilidade do risco de contágio, tal como preconizado pela orientação da Direção-Geral da Saúde desde 21 de março de 2020", destacou em comunicado Florentino Serranheira, coordenador executivo do estudo.

O questionário "Saúde Ocupacional" do Barómetro Covid-19, da ENSP da Universidade Nova de Lisboa, que contou com o contributo de 5.180 profissionais de saúde e cujos resultados foram esta quarta-feira divulgados, também mostra que 36,6% dos inquiridos se encontram sem sistema organizado de gestão do risco de covid-19, isto é, a proteção e vigilância da sua saúde nos seus locais de trabalho durante a pandemia.

Os investigadores destacaram que "os riscos para os profissionais de saúde vão muito para além do vírus", já que, a par do risco de contrair covid-19, a ansiedade, horas de sono insuficientes, a fadiga e as dores nas costas têm influência na saúde e no desempenho da atividade dos profissionais de saúde.

"Ao caracterizar os fatores de risco profissionais a que estão expostos os profissionais de saúde, torna-se claro que estes não se esgotam no vírus SARS CoV-2, agente da covid-19. O contacto com doentes (ou casos suspeitos) de covid-19 tem repercussões a nível psicológico, constatando-se que quase três quartos dos respondentes apresentam níveis de ansiedade elevados ou muito elevados como resposta às situações de ?stress' que vivenciam", realçou a equipa da ENSP.

Mais, segundo o inquérito, quase 15% dos respondentes apresentam níveis de depressão moderados ou elevados.

Ainda na área psicossocial, é constatado que quase metade dos profissionais de saúde (44,8%) refere que dorme menos de seis horas diárias.

"Este facto, associado à sensação de fadiga, que piorou para quase 90% dos profissionais de saúde desde o último inquérito, pode ter repercussões na sua saúde e desempenho profissional. De facto, quase quatro em cada cinco profissionais de saúde (78,7%) considera o seu nível de fadiga (física) muito agravado, em relação à semana anterior", assinalou Florentino Serranheira.

Depois, 44,8% dos profissionais de saúde referem que não praticaram exercício físico na última semana e apenas 2% referirem fazer exercício todos os dias.

"Tal pode, eventualmente, estar relacionado com o elevado número de alusões à presença de dores musculoesqueléticas (ou desconforto) a nível da coluna vertebral que não tinham anteriormente e que podem estar relacionadas, para além das exigências do trabalho, por exemplo com à sobrecarga causada pelos EPI [equipamentos de proteção individual] que usam", frisou o investigador.

Quanto aos EPI, a sua disponibilização na última semana, em relação às semanas anteriores, é considerada pelos profissionais de saúde melhor (31,7%) ou mesmo muito melhor (40,7%).

A sua disponibilidade aumentou para a maioria na última semana (55,1%), apesar de 11% considerarem que piorou bastante, em particular nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES). Na opinião da grande maioria dos participantes (80,2%), os EPI são adequados.

As respostas são maioritariamente de profissionais do setor público (92,1%), nomeadamente enfermeiros (39,6%), médicos (26,4%), técnicos de diagnóstico e terapêutica (18,6%), assistentes operacionais (2,9%), farmacêuticos laboratoriais e hospitalares, nutricionistas, psicólogos, entre outros. E a maioria trabalha em hospitais (48,9%) e ACES (43,2%).

Portugal contabiliza 973 mortos associados à covid-19 em 24.505 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado hoje.

Relativamente ao dia anterior, há mais 25 mortos (+2,6%) e mais 183 casos de infeção (+0,8%).

Das pessoas infetadas, 980 estão hospitalizadas, das quais 169 em unidades de cuidados intensivos, e o número de casos recuperados passou de 1.389 para 1.470.

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