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Correio da Manhã

Sociedade
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Verbas insuficientes

Algumas autarquias estão a a dar apoio material e financeiro para que as escolas primárias possam garantir o cumprimento dos seus planos de contingência.
15 de Setembro de 2009 às 00:30
Na Secundária do Restelo, todas as precauções são tomadas
Na Secundária do Restelo, todas as precauções são tomadas FOTO: Diogo Pinto

De acordo com Rosalina Vargas, vereadora da Educação da Câmara de Lisboa, a autarquia fez um levantamento exaustivo das necessidades dos 30 agrupamentos de escolas e decidiu reforçar em 60 mil euros as verbas para a limpeza e higiene.

Já a Câmara do Seixal disponibilizou às escolas do 1º ciclo e jardins de infância antisépticos com soluções alcoólicas para desinfecção das mãos, luvas e máscaras. “Estamos a adquirir caixotes de lixo com tampa que serão colocadas em áreas de circulação”, explicou Maria João Macau, directora do departamento de Educação da Câmara do Seixal.

As verbas que o Ministério da Educação atribuiu às escolas (entre 600 e 2000 euros) são  insuficientes para a concretização dps planos de contingência. Carlos Almeida, presidente da comissão administrativa provisória do agrupamento de escolas de Santo Onofre, Caldas da Rainha, considera que “os 750 euros não chegam para obras e medidas. Já vamos em dois mil e tal euros e ainda não fizemos tudo que tínhamos a fazer”. “Temos um plano de contingência já em aplicação e uma equipa operacional. Estamos preparados mas contamos com os pais, o que é fundamental, no cuidado que devem ter com os filhos”, referiu Carlos Almeida. Por outro lado, alertou, os encarregados de educação “devem dar um número de telefone para contacto que esteja sempre disponível”. “Às vezes dão o contacto do emprego e não podem atender ou dão o contacto de casa e não estão lá”, revelou, indicando que os progenitores têm de estar contactáveis porque “são eles que vão ligar para a Saúde 24”.

“Dei instruções ao meu filho para estar sempre a lavar as mãos e quando estiver a ver um colega espirrar para se afastar. Também lhe disse para brincar menos no chão”, contou ao CM Graciete Oliveira, mãe de uma criança que frequenta o 1º ciclo na Escola Básica Integrada de Santo Onofre, sede do agrupamento, onde estão 762 alunos. “A única informação que tenho sobre o vírus desde que começou esta epidemia da Gripe A é através da televisão, mas acho que é o suficiente”, relatou.

Para Emanuel Rebelo, pai de uma menina de sete anos que frequenta o 2º ano do 1º ciclo, as maiores preocupações têm a ver com a Gripe A, mas “acho que tomaram todas as precauções”. “Disse-lhe para lavar as mãos sempre que vai à casa de banho e que é preciso”, referiu.

PAIS BOICOTAM INFANTÁRIO

Os pais do jardim de infância de Lordelo (Vila Real) boicotaram o início das actividades. Na origem dos protestos está o arranjo das escadas de acesso ao 1º piso, a retirada dos mecos de granito e a requalificação do recreio. Segundo Henrique Dias, da Comissão de Pais, a intenção é manter o boicote "durante uma semana". O presidente da Junta de Freguesia, Arlindo Campeão, garantiu que os problemas "vão ser resolvidos de imediato". 

MENINA DE 5 ANOS SOZINHA

Uma menina de cinco anos, residente em Água de Alte (Arganil), tem de esperar, sozinha, numa paragem de autocarros, num local ermo, pelo autocarro que a transporta até à escola, em Folques, a 20 quilómetros. "A minha filha apanha uma carrinha na aldeia, às 7h10, que a leva até à paragem. Ali fica sozinha 15 minutos até passar a carreira que a transporta para a escola", contou o pai, Mário Fernandes. O vereador da Educação da C.M. Arganil, Luís Paulo Costa, disse desconhecer a situação e que já contactou a transportadora Transdev "para averiguar o que se está a passar". "Uma criança não pode ficar um minuto sozinha numa paragem", disse.

ESCOLA SECUNDÁRIA DO RESTELO PREPARADA PARA RECEBER ALUNOS

Em Lisboa, a Escola Secundária do Restelo, Lisboa, tem tudo a postos para receber os 1140 alunos do 7º ao 12º anos. Aos pais dos alunos do 7º e 10º anos foi dada  uma folha com informações relativas ao plano de contingência da escola, do qual fazia parte um destacável onde os pais autorizavam ou não a administração de uma toma de Paracetamol ao seu educando em caso de sintomas gripais. Para Andreia Pinto, mãe de Vanessa Monteiro, de 12 anos, o inicio do ano numa escola nova traz mais desafios e inevitavelmente mais preocupações. “Estou um pouco preocupada com possíveis contágios com gripe A porque a minha filha tem problemas renais e apanha infecções com muita frequência. Não tem as mesmas sensibilidades que as outras crianças. A escola já sabe da situação dela, já tem o relatório médico. Mas acho que era mais aconselhável a escola começar em Outubro para ver se as crianças que vêm de férias têm sintomas de gripe A”, explicou Andreia Pinto.

Ontem foram realizadas várias reuniões com os pais dos alunos do 7º e 10º anos, onde foram explicadas as medidas a adoptar face ao cenário de contágio de gripe A na escola. Foi também distribuída toda a informação relativa às medidas adoptadas pela escola, bem como a esquematização do próprio plano de contingência que prevê uma sala de isolamento, tal como explicou ao CM Júlio Santos, presidente do Conselho Executivo.

“Temos o plano todo montado e todo definido ao nível dos funcionários. Determinamos um conjunto de procedimentos que cada assistente operacional é obrigado a fazer, nomeadamente ao nível da limpeza.  No caso de haver algum aluno com sintomas de gripe, com tosse, espirros, febre, o professor encaminha o aluno para o funcionária do pavilhão que tem instruções para acompanhar o aluno para a sala de isolamento onde estará o coordenador do plano. Aí é estabelecida a comunicação com a família. Há ainda uma segunda linha que funciona para situações consideradas graves, no caso de existirem vários alunos com sintomas de gripe”.

Colocadas em sítios estratégicos da escola, os 13 kits de higiene comprados irão permitir uma resposta imediata. Os alunos estão, por isso, mais tranquilos. Estou um pouco receosa porque os professores disseram que havia a possibilidade de a escola vir a fechar e que podíamos ter aulas no Verão, no caso de haver muitos casos de gripe A. Mas acho que já tomaram algumas medidas para evitar essas situações, como a sala de isolamento”, referiu Margarida Sousa, aluna do 8º ano.

SANTIAGO DO CACÉM: ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DESPREOCUPADOS

Em Santiago do Cacém, a gripe A não preocupa os encarregados de Educação da escola Frei André da Veiga. Ontem, alunos e encarregados de educação tiveram oportunidade de participar nas reuniões de apresentação e preparação para o ano lectivo.

O início das aulas, nas novas instalações da Frei André da Veiga, fez aumentar as expectativas da maioria dos pais que se mostraram satisfeitos com as condições da nova escola e com "a colocação dos professores a tempo e horas".

Com o tema da Gripe A a ensombrar o arranque das aulas, aos pais e alunos, foram dadas todas as explicações sobre o plano de contingência do virus H1N1 que deixou a maioria dos pais "esclarecidos" e "descansados". Ariana Salgado, mãe de Ricardo, aluno do 5º ano, não está preocupada com a transmissão do virus entre os alunos: "Desde que haja forma de prevenir e combater é uma gripe como outra qualquer, por isso não estou alarmada”. sublinhou.

A mesma opinião é partilhada por Ana Santos que não se mostrou receosa quanto à gripe."O meu filho vai frequentar o quinto ano e desde que os pais garantam que, aos primeiros sinais, os filhos ficam em casa e que devem sempre lavar as mãos, vai correr tudo bem", referiu.

ESPINHO: PAIS CONFIAM NA ESCOLA

Mais a norte, são as obras na escola que preocupam os pais dos alunos da  Escola Secundária Manuel Laranjeira, em Espinho, um dos 355 estabelecimentos de ensino abrangidos pelo Programa de Modernização do Parque Escolar. A gripe A é coisa que "não preocupa" Rosa Couto, mãe de um aluno do 10º ano. "Não podemos estar com eles todos os minutos e confiamos na escola, obviamente". Opinião semelhante tem Fátima Gomes, também encarregada de educação de um aluno do décimo: "Acho que o barulho das obras, o pó que levanta, vai prejudicar a concentração do meu filho", afirma. Nos alunos, o sentimento é recíproca: "Aqui é tudo saudável, as obras vão incomodar mais do que a gripe", lembra Tiago Magalhães, aluno do 11º ano.

750 EUROS PARA COMBATER GRIPE

No agrupamento de escolas Fernando Pessoa, em Lisboa, está tudo pronto para combater a Gripe A. Dispensadores de sabão líquido, máscaras, luvas, soluções desinfectantes alcoólicas e outros equipamentos tudo foi comprado a tempo do arranque do ano lectivo.

“Em Agosto recebemos um mail da Direcção Regional de Educação de Lisboa a dizer que ia ser atribuído um subsídio e mais tarde recebemos outro do gabinete de gestão financeira a informar que já estava disponível. Recebemos 750 euros”, explicou Luís Fernando, director do agrupamento Fernando Pessoa, acrescentando: “Ao longo do ano lectivo, se virmos que esse dinheiro não é suficiente temos sempre a hipótese de pedir um reforço”.

Os 750 euros foram entregues à EB 2/3 Fernando Pessoa, enquanto os restantes três jardins de infância e as três escolas do 1º ciclo recebem apoio da câmara municipal de Lisboa.

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