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Marés vivas chegam para a semana

O próximo mês de Outubro vai ter as marés vivas mais fortes dos últimos 25 anos. “Os dias em que se prevêem as maiores subidas no nível da água serão 7 e 8 de Outubro”, diz Leonor Martins, investigadora do Instituto Hidrográfico.
30 de Setembro de 2006 às 00:00
Marés vivas chegam para a semana
Marés vivas chegam para a semana
Acrescenta que a diferença de amplitude das marés pode ser de apenas alguns centímetros, mas se nessa altura se registarem baixas pressões atmosféricas, causadoras de mau tempo, a subida do nível do mar pode chegar a 30 a 40 centímetros acima do que é habitual. Fátima Espírito Santo, do Instituto de Meteorologia (IM), diz que a pressão urbanística e a destruição das dunas podem agravar o efeito das marés: “A erosão é notória em algumas praias, por isso, mesmo uma subida ligeira do mar pode ter efeitos desastrosos.”
A culpa das marés vivas é da Lua. É o seu alinhamento com o Sol que faz deslocar a massa de água dos oceanos, devido à atracção da força da gravidade. Este ciclo coincide com a lua cheia e a lua nova e tem um pico a cada 18,6 anos. As tabelas astronómicas apontam o ano de 2006 para se registar um ponto máximo. O fenómeno é mais intenso no período dos equinócios de Primavera e de Outono, quando o Sol está alinhado com o equador, potenciando a força gravitacional dos astros.
Algumas zonas são particularmente vulneráveis às marés vivas. Leonor Martins explica que a região de Aveiro e da Ria Formosa, no Algarve, são geralmente mais afectadas pela subida do nível do mar: “Como têm terrenos muito planos de baixa altitude junto à costa são mais facilmente alagadas”, diz. Mas há outros pontos do planeta em que os efeitos podem ser muito mais graves. As autoridades da Irlanda e do Reino Unido lançaram um aviso às populações salientando o risco de inundações provocadas pelas marés vivas.
DESDE OS GREGOS E BABILÓNIOS
Foi Seleuco (365-283 a.C.), filósofo e cientista da Babilónia, o primeiro a associar as marés com a influência da Lua. O sábio verificou que a subida das águas coincidia com os períodos de lua cheia e lua nova, apenas com alguns desfasamentos. Mais tarde, outro sábio da antiguidade clássica, Plínio, o Velho (23-79 d.C.) também estudou o assunto e confirmou a importância do satélite natural da Terra nas marés e associou-o também à influência do Sol. Apesar de não conhecer ainda as leis da gravidade, o sábio estabeleceu nessa época uma tabela de marés que ainda hoje se mantém actual.
DICIONÁRIO
BAIXA-MAR
É o nível das águas do mar no fim da vazante, quando se conservam paradas. O fenómeno também se verifica nos estuários dos rios, sendo mais acentuado quanto mais próximo se está da foz.
PREIA-MAR
É o maior nível atingido pelas águas do mar no fim da enchente (também é correcto escrever ‘praia-mar’, mas este não é o termo naútico).
AMPLITUDE
A diferença entre as alturas da preia-mar e baixa-mar. A amplitude máxima dá-se por ocasião das marés vivas equinociais. A amplitude média ocorre por ocasião das marés vivas médias. A amplitude mínima corresponde à menor elevação das águas.
MARÉS MORTAS
Ocorrem quando a Lua está em quarto crescente ou minguante. Nesta situação, a amplitude das marés é baixa.
MARÉS VIVAS
Verificam-se durante a lua nova e cheia e caracterizam-se por preia-mares de grande altura e baixa-mares muito baixas.
Fontes: Associação Nacional de Cruzeiros e Instituto Hidrográfico
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