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Portugal continua a ser um dos países do mundo onde "menos se paga por notícias 'online'"

72,9% dos que pagam por notícias em formato digital, fazem-no de forma continuada.
Lusa 16 de Junho de 2020 às 00:50
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CM FOTO: Tiago Sousa Dias

Portugal continua a destacar-se como um dos países do mundo onde "menos se paga por notícias 'online', apesar do aumento de três pontos percentuais entre 2019 e 2020, revela o Digital News Report Portugal 2020 hoje divulgado.

"Não obstante o aumento de três pontos percentuais entre 2019 e 2020, em termos de pagamento de notícias 'online', Portugal continua a destacar-se como um dos países do mundo onde menos se paga" por essas notícias, o que representa "uma forte ameaça à sobrevivência ao ecossistema noticioso em que os portugueses tanto dizem confiar e que tanto utilizam de forma tão frequente ao longo do dia", lê-se no relatório.

Este ano o Digital News Report Portugal (DNR PT 2020) é lançado no mesmo dia que o Digital News Report Global (DNR), com as grandes tendências gerais para Portugal e igualarem as globais em vários pontos, refere o OberCom/Reuters Institute for the Study of Journalism.

"Os dados de 2020 surgem no seguimento de uma tendência perdulária observada entre 2017 e 2019, onde a proporção de portugueses que afirma pagar por notícias em formato digital caiu dos 9,5% para os 7,1%", adianta, apontando que "2020 foi o ano em que se ultrapassou a barreira simbólica de haver mais de um português por cada 10 a pagar por conteúdos noticiosos 'online'".

Trata-se de uma "tendência que esperamos ser de crescimento, face ao forte investimento feito pelas marcas em termos de digitalização dos seus modelos de negócio", adianta o relatório.

Entre as diferentes formas de pagamento, refere o DNR PT 2020, "continuam a destacar-se a subscrição de um serviço noticioso 'ongoing', independentemente da periodicidade do pagamento (36,5%), e o pagamento por notícias por intermédio da subscrição de um outro serviço (34,5%)".

Destaca-se ainda que "72,9% dos que pagam por notícias em formato digital o fazerem de forma continuada, ou seja, estão financeiramente comprometidos no tempo com os conteúdos que estão a consumir".

Um outro dado relevante "para compreender melhor a pequena amostra de portugueses que paga por notícias 'online', é de que são, potencialmente, consumidores muito mais ativos de notícias do que os portugueses em geral, em termos de frequência de consulta das diversas marcas".

No que respeita às áreas de desporto e economia/finanças, "a audiência entre os inquiridos que pagam por notícias 'online' (independentemente da marca a que pagam) é praticamente o dobro da observada entre os portugueses em geral".

O Reuters Digital News Report 2020 (Reuters DNR 2020) é o nono relatório anual do Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) e o sexto relatório a contar com informação sobre Portugal.

Relativamente às redes sociais, o Facebook é a plataforma preferida dos portugueses, com três quartos dos inquiridos a afirmar que a usam para fins gerais e metade para consumo de notícias.

"A plataforma de 'streaming' YouTube surge num destacado segundo lugar, a menos de 10 pontos percentuais de distância, tendo sido utilizada por 68% dos portugueses", salienta.

"É de destacar também o papel preponderante que as 'apps' [aplicações] de mensagens instantâneas têm no quotidiano digital dos portugueses. Ambas propriedade do universo Facebook, WhatsApp e Facebook Messenger consolidam o seu papel na paisagem social portuguesa 'online', surgindo a rede Instagram num quinto plano", acrescenta.

Este ano, "a proporção de portugueses que utiliza WhatsApp aumentou em 11,8 pontos percentuais, dos 47,4% para os 59,2%", enquanto no caso do Instagram, esta subida foi de sete pontos percentuais, dos 39,6% em 2019 para os 46,6% em 2020.

No caso da rede social Twitter, "observou-se um aumento de 3,7 pontos percentuais no mesmo período, dos 11,7% para os 15,4%".

Estas três redes registam "ganhos em termos de utilizadores para fins de consumo de notícias, de 2,8 pontos percentuais no caso do WhatsApp, de 2,3 pontos percentuais no caso do Instagram e de 3,1 pontos percentuais no do Twitter".

"Níveis de confiança nas notícias elevados, preocupação com o que é real ou falso na Internet, aumento do poder das grandes plataformas na distribuição de notícias, o 'smartphone' a ganhar distância face aos restantes dispositivos para acesso a notícias 'online', o interesse dos portugueses por notícias veiculadas pelos órgãos de comunicação social regionais, a continuação do aumento dos 'podcasts' e da importância da televisão, como fonte de notícias, são pontos de destaque" do DNR PT 2020 hoje divulgado.

A pesquisa foi levada a cabo em 40 países, o tamanho total da amostra foi de mais de 80 mil adultos, cerca de 2.000 por país, tendo o trabalho de campo sido realizado entre janeiro e fevereiro deste ano.

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