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Apoio urgente, justo e cego

Se não integrar as receitas das vendas nos critérios de ponderação dos apoios, o Governo estará a desenhar um fato justo apenas para alguns.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 7 de Abril de 2020 às 17:00
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Correio da Manhã FOTO: Rui Minderico
O Governo prepara finalmente um plano de emergência para acorrer ao sufoco financeiro dos grupos de Comunicação Social.

Dos trabalhos preparatórios, ressalta um enorme perigo que, a concretizar-se, refletiria uma injusta cegueira parcial, discriminando negativamente a área da imprensa, em favor dos operadores de televisão e rádio.

A imprensa livre tem como principal fonte de receita a ligação umbilical aos leitores.

O que cada cidadão paga por informação produzida pelas equipas de jornalistas - com rigor, responsabilidade e liberdade -, é que mantém vivos os títulos de imprensa, nesta longa fase de coexistência entre as edições em papel e a comunicação digital, ainda profundamente deficitária.

Se o Governo quer contabilizar apenas as receitas de publicidade, nos critérios de apoio à sobrevivência da informação produzida de forma profissional, condição essencial à Democracia, cometerá um erro grave. A persistência nesse erro irá ditar o fim de projectos e a destruição de equipas essenciais à manutenção do olhar plural necessário à cidadania.

Se não integrar as receitas das vendas nos critérios de ponderação dos apoios, o Governo estará a desenhar um fato justo apenas para alguns. Curiosamente os que têm a informação como mera função secundária.

Octávio Ribeiro
Diretor-Geral Editorial da Cofina
Governo economia negócios e finanças media economia (geral) política liberdade de imprensa
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