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Correio da Manhã

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Cinema português: a fuga de uma vida de luxo na luta pelo amor

Nova longa-metragem de Mário Barroso recua até 1918 para contar a vida da revolucionária Maria Adelaide Coelho da Cunha.
Daniela Ventura 7 de Setembro de 2020 às 01:30
João Pedro Mamede e Maria de Medeiros em cena
João Pedro Mamede e Maria de Medeiros em cena
João Pedro Mamede e Maria de Medeiros em cena
João Pedro Mamede e Maria de Medeiros em cena
João Pedro Mamede e Maria de Medeiros em cena
João Pedro Mamede e Maria de Medeiros em cena

Chega na próxima quinta-feira aos cinemas ‘Ordem Moral’. O realizador Mário Barroso (o mesmo de ‘Um Milagre Segundo Salomé’ e ‘Um Amor de Perdição) viajou até 1918 para contar a história de Maria Adelaide Coelho da Cunha (interpretada por Maria de Medeiros), a herdeira e proprietária do ‘Diário de Notícias’, que optou por abandonar o luxo social, cultural e familiar em que vivia para fugir com o motorista, Manuel Claro (João Pedro Mamede), 26 anos mais novo que ela.

As consequências da decisão revolucionária foram surpreendentes, dolorosas e moralmente devastadoras, e é tudo isso que a longa-metragem escrita por Carlos Saboga (‘Mistérios de Lisboa’ e ‘Linhas de Wellington’) revela.

O produtor do filme, Paulo Branco, cofinanciado pela CMTV, mostra-se orgulhoso pela chegada do novo projeto às salas.

"Nos tempos atuais, esta é uma história exemplar", afirma ao CM. "O que nos interessou foi exatamente criar uma personagem única, que representasse a liberdade no século XX, as patentes da sociedade e o amor que vai até ao fim." Ao elenco juntam-se nomes como Albano Jerónimo, Marcelo Urgeghe , João Arrais, Ana Padrão ou Júlia Palha.

Júlia Palha revela paixão pelo grande ecrã e lamenta falta de oportunidades
Aos 21 anos, Júlia Palha é um dos destaques de ‘Ordem Moral’ e não podia mostrar-se mais satisfeita por voltar ao cinema.

"São projetos onde temos mais tempo para trabalhar as personagens e, portanto, dar mais de nós. E ao mesmo tempo desconstruímos a imagem padrão de que um ator de novelas é só de novelas", diz.

A atriz lamenta, ainda assim, a falta de oportunidade em Portugal para integrar outros projetos no grande ecrã. "Adoro cinema e quanto mais propostas aparecerem melhor. Só não acontece mais vezes porque o mercado é bastante mais pequeno que o da ficção", explica a jovem atriz.

Discurso direto
Maria de Medeiros, Atriz
Como foi para si interpretar a protagonista desta história?
– Foi uma descoberta porque não conhecia a história. Foi realmente apaixonante fazer a personagem principal e acredito que os portugueses também vão gostar de a descobrir. Além disso, foi um grande desafio profissional, porque a mulher que eu desempenho é realmente de extremos.

– Como caracteriza a Maria Adelaide da Cunha?
– É uma mulher revolucionária, perseguida e torturada, e ao mesmo tempo acaba por ser uma sobrevivente. Passa de ser uma mulher da alta sociedade lisboeta para se livrar de tudo e viver com um homem muito mais jovem do que ela, e não teme deixar tudo para trás. O problema é que a sociedade não tolera e a castiga por isso.

Mário Barroso, Realizador
Que balanço faz deste projeto, que marcou o seu regresso à realização passados mais de 10 anos?
- Foi um prazer enorme, um filme que não me custou. Não sei como explicar de outra forma o que senti com este projeto. Foi de facto uma grande honra e fiquei radiante quando a Maria de Medeiros aceitou ser a protagonista. Ela parece que foi feita para fazer este filme. E os outros colegas do elenco também foram fantásticos.
– Quais as suas expectativas em relação à recetividade do público?
– Espero que gostem tanto deste filme como eu gostei de o realizar. É a história de uma mulher rara e livre, de há 100 anos, que teve a coragem de dizer que estava farta. Mas as consequências dessa atitude não eram previsíveis
e vão surpreender.

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