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Critérios do Governo preocupam imprensa

Apoio a grupos de comunicação social poderá ser fixado segundo perda de publicidade mas muitos jornais e revistas vivem sobretudo da circulação. Medida pode beneficiar TV e rádio.
Duarte Faria 8 de Abril de 2020 às 08:26
Distribuição de jornais e revistas também vive sérias dificuldades devido à crise provocada pela pandemia. Vasp faz chegar títulos a bancas de norte a sul do País
Distribuição de jornais e revistas também vive sérias dificuldades devido à crise provocada pela pandemia. Vasp faz chegar títulos a bancas de norte a sul do País FOTO: Pedro Catarino
O Governo prepara, para esta semana, o anúncio de um pacote de medidas de apoio aos meios de comunicação social. Ao que o CM apurou, o montante deverá rondar os 10 milhões de euros.

Mas o referencial de indexação para a atribuição de apoios do Estado – poderão ser atribuídos de acordo com as perdas de receitas publicitárias no atual trimestre, quando em comparação com os valores registados no mesmo período do ano passado - está a gerar preocupação de alguns grupos de media.

"A confirmar-se, é muito preocupante para os meios em geral e para a imprensa escrita em particular. Quem beneficiará serão, sobretudo, os FTA [canais de televisão em sinal aberto] e as rádios. Os grupos com maior exposição à imprensa [jornais e revistas, que vivem em grande parte das receitas de circulação] voltam a ser discriminados e prejudicados, criando-se uma injustiça", afirma Luís Santana.

O administrador da Cofina Media (detém CM e CMTV) refere ainda que 10 milhões é "manifestamente insuficiente". "Se não forem tomadas medidas de fundo, concretas, tenho poucas dúvidas de que os meios muito expostos ao papel estarão ameaçados. Mesmo aqueles que estão melhor preparados, como é o caso da Cofina Media."

Para Luís Nazaré, diretor-executivo da Plataforma de Meios Privados (junta Cofina, Global Media, Impresa, Media Capital e Renascença), o "universo da comunicação social em Portugal é vasto e variado e, portanto, é preciso olhar para todo esse universo". "Todo o espetro tem de ser coberto e, por isso, a Plataforma apresentou iniciativas que possam minorar as quebras de publicidade e circulação, que já sabemos que têm sido muito pronunciadas nas últimas semanas", afirma o responsável, que refere ao CM que tem mantido "troca de informações" com o Governo nos últimos dias e aguarda agora o anúncio de medidas.
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