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Correio da Manhã

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Estudo aponta deficiências de comunicação das entidades de saúde com os jornalistas

Onda de informação falsa difundida durante a pandemia tornou o processo de verificação de notícias sobre o coronavírus mais complexo.
Daniela Vilar Santos 17 de Junho de 2020 às 08:37
FOTO: Mário Cruz

Um estudo sobre o impacto da Covid-19 em Portugal conclui que os jornalistas enfrentaram uma onda de informação falsa sobre o tema durante o Estado de Emergência e aponta ainda a urgência de uma mudança na comunicação das autoridades de saúde com os media.

A investigação, ainda numa fase preliminar, foi desenvolvida por um grupo de investigadores da Universidade do Minho e do CINTESIS, e contou com uma amostra de 200 jornalistas entrevistados, entre eles alguns repórteres especializados em questões de saúde, editores, coordenadores e diretores de órgãos de comunicação social nacionais.

87% dos inquiridos referiu uma crescente onda de informação falsa difundida durante a pandemia que tornou o processo de verificação e seleção de notícias sobre a doença mais "complexo e moroso". Mais de metade dos jornalistas apontaram problemas na triagem de informação credível sobre o coronavírus e a falta de colaboração das fontes de informação.

Isto significa que, na eventualidade de uma segunda vaga do coronavírus, será útil alterar a forma como as autoridades de saúde comunicam com os media.

"A informação não pode ser apenas em conferência de imprensa, deve haver da parte das autoridades sanitárias um patamar que faça a intermediação com os media e que seja o interlocutor permanente com os jornalistas", afirmou ao CM Felisbela Lopes, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho e coordenadora deste estudo que juntou também Rita Araújo, Olga Magalhães e Alberto Sá.  

Mais de 90 por cento dos jornalistas inquiridos assumiram que tentaram orientar os cidadãos para determinados comportamentos durante a pandemia. "Isto acontece pela primeira vez em regime democrático", afirma Felisbela Lopes. A investigadora sublinha que os jornalistas destacaram todo o trabalho durante a pandemia como 'serviço público'.

Outra das conclusões do estudo refere ainda que o trabalho jornalístico foi fundamental para o rápido confinamento do país durante o Estado de Emergência.

Numa altura de muita procura de informação por parte dos cidadãos e de uma maré de notícias falsas, os jornalistas usaram também estratégias defensivas para combater a desinformação. Segundo o estudo, o método mais usado foi o cruzamento de dados com fontes documentais e também pedidos de explicações a fontes especializadas.

As notícias em texto foram as mais utilizadas pelos jornalistas para informar o leitor, seguindo-se as infografias e as caixas explicativas.

Neste estudo, 87% dos inquiridos confirmou que notou um aumento de informação falsa. "As notícias falsas podem ser travadas com dados verdadeiros, com dados rigorosos, com dados que correspondam à realidade", disse Felisbela Lopes ao CM. 

A escolha das fontes de informação também foi unanime. 87% dos jornalistas baseou-se na informação que os especialistas possuem para responder às questões e informar os leitores. 

A complexidade dos acontecimentos foi uma das maiores dificuldades sentida durante a Estado de Emergência para os jornslistas que, habitualmente, não trabalham as áreas de saúde/ciência. Já os jornalistas da área assumiram "estar bem preparados" para cobrir a pandemia da Covid-19.

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