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Correio da Manhã

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O ENCENADOR DA PRÓPRIA MORTE

Patrão e apresentador da SBT, Sílvio Santos reina pela surpresa. Um ano depois de ter forjado a notícia da própria morte, fez tamanho pé-de-vento na estação brasileira que levou a própria filha a apresentar a demissão… em directo.
24 de Julho de 2004 às 00:00
O sonoplasta trabalhava há décadas no canal de TV brasileira SBT, o segundo mais importante, a seguir à Globo, mas por ter errado na captação de som uma única vez recebeu uma carta de despedimento.
O episódio aconteceu há três semanas, pouco depois de Sílvia, filha do dono e apresentador da estação, ter anunciado a sua demissão em directo, irritada com o ‘puxão de orelhas’ que o pai lhe deu em frente de toda a redacção. Estas são apenas algumas cenas da vida real de Sílvio Santos, o todo poderoso patrão da SBT conhecido internacionalmente por ter forjado a notícia da própria morte.
Estávamos em Julho de 2003, quando a revista brasileira ‘Contigo!’ publicou uma entrevista na qual o apresentador revelava que morreria dentro de seis meses e que tinha vendido a SBT à rede mexicana Televisa. O caso teve eco na imprensa mundial. Mas, dias mais tarde, a verdade veio ao de cima. Tratava-se de uma brincadeira de mau gosto, com a qual Sílvio Santos chamava a atenção para a sua pessoa e desviava os olhares da queda das audiências do seu canal. Entretanto, as acções da Televisa caíram a pique.
O RAPTO
As polémicas não ficam por aqui. Em Agosto de 2001, Patrícia Abravanel, uma das seis filhas de Sílvio, foi raptada por um guarda-costas no seu carro blindado. Passada uma semana, ela voltou para casa a guiar a própria viatura. E a confusão instala-se quando o patrão da SBT, negando a versão da polícia, afirma não ter pago resgate.
O mentor do crime, Fernando Dutra Pinto, é apanhado num luxuoso apartamento de São Paulo, com uma mala cheia de dinheiro. Começa o tiroteio, morrem dois polícias e Dutra Pinto foge. Acaba a invadir a casa de Sílvio Santos, mantendo este refém. Passadas sete horas, o criminoso entrega-se à polícia. Tudo filmado em directo. Pela SBT, claro.
Moderada, a imprensa brasileira garante que o comportamento exaltado de Sílvio Santos se deve a uma crise de stresse. É certo que o patrão da SBT acumula funções no canal, para combater a baixa facturação e a queda das audiências. Mas também é um dos homens mais ricos do Brasil, que figura desde 1993 no Livro de Recordes do Guiness, como autor do mais duradouro formato da TV brasileira, ‘O Programa de Sílvio Santos’.
DE VENDEDOR A MILIONÁRIO
Nasceu a 12 de Dezembro de 1930, filho de pai grego e mãe turca. Baptizado Senor Abravanel, começou por ser vendedor e mudou o nome para Sílvio Santos por ser “mais mediático”. Em 1952 entrou para a Rádio Guanabara, passou pela Emissora Nacional e em 1961 estreou-se na TV Paulista (actual TV Globo de São Paulo).
Nos anos 80, ganha a concessão dos canais da falida TV Tupi e forma a sua própria rede, SBT (Sistema Brasileiro de Televisão). Em 1994, Sílvio Santos era a pessoa que pagava mais impostos no Brasil e passados cinco anos a sua declaração de imposto de renda declarava um património de 879 milhões de reais.
Dono de grande popularidade, foi sondado para se candidatar à Presidência da República, em 1989, mas chegou à corrida tarde demais.
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