Barra Cofina

Adesão à dieta mediterrânica aumentou, indica estudo

Autores alertam para a importância de alimentação saudável em tempos de pandemia.
Por Lusa 27 de Outubro de 2020 às 17:40
Dieta mediterrânea é rica em fruta, vegetais, peixe e azeite
Dieta mediterrânea é rica em fruta, vegetais, peixe e azeite FOTO: Getty Images
A adesão à dieta mediterrânica aumentou em Portugal 15% nos últimos quatro anos, indica um estudo esta terça-feira divulgado e que satisfaz moderadamente os seus autores, que alertam para a importância de alimentação saudável em tempos de pandemia.

Maria João Gregório, um dos elementos da direção do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) disse em entrevista à Lusa que o Programa tinha definido como meta um aumento de 20% e que o aumento de 15%, que devido à margem de erro do inquérito pode ser superior, é positivo, tendo em conta que são demoradas as mudanças a nível do comportamento alimentar.

Demoradas mas importantes. E Maria João Gregório explicou que a dieta mediterrânica reúne comportamentos alimentares saudáveis, que são importantes para que o sistema imunitário funcione de forma normal e para manter doentes crónicos metabolicamente controlados.

Fatores, que, acrescentou quando questionada pela Lusa, não reduzem o risco de infeção por covid-19, mas que preparam melhor o corpo para lutar contra a doença. "O risco de mortalidade e de complicações associadas à covid-19 pode ser menor nos grupos da população que tem um estilo de vida mais saudável", em particular no caso de pessoas com doenças crónicas, avisou.

A dieta mediterrânica, como se explica no próprio estudo da Direção-Geral da Saúde (DGS), é um modelo alimentar de base vegetal, abundante em hortícolas, fruta, leguminosas (feijão, grão, ervilha, lentilha), pão e azeite, e moderado em laticínios e peixe e mais moderado ainda em carne.

A dieta, considerada património imaterial da humanidade, tem a água como bebida principal e o vinho em pequenas quantidades, e recorre a pratos cozinhados em água e produtos frescos da época.

O PNPAS, um organismo da DGS, fez um estudo sobre a adesão a esta forma de alimentação ouvindo mil portugueses de todo o país (entre 01 e 17 de setembro).

E os resultados hoje divulgados indicaram que metade dos inquiridos já ouviu falar da dieta mediterrânica e diz saber o que é. Dos inquiridos, 62% disse já ter ouvido falar e destes 80% disse saber o que é. Não houve, desde 2013, grande evolução nestas percentagens.

Do estudo conclui-se ainda que "26% da população portuguesa apresenta uma elevada adesão à dieta mediterrânica". Ou seja, a maioria dos portugueses não segue este padrão alimentar. Mas ainda assim houve desde 2016 um crescimento de 15% da adesão ao padrão alimentar mediterrânico.

Maria João Gregório, uma das autoras do estudo, disse que quem mais adere à dieta são as mulheres e os jovens, este um dado novo em relação a outros inquéritos, e referiu também que há mais defensores da dieta entre as pessoas com um nível de escolaridade e rendimento mais elevados.

A responsável destacou também outro dado, o facto de muitos dos que referem não conhecer a dieta mediterrânica estarem de facto a fazê-la sem o saber.

"Quando vemos a evolução ao longo do tempo parece que não há diferenças quanto ao numero de pessoas que conhece a dieta, os valores são mais ou menos constantes desde 2013. Vemos esse aumento quando avaliamos a adesão".

Os responsáveis do PNPAS identificaram barreiras à dieta relacionadas com o sabor, com muitas pessoas a dizerem que não sabem como preparar os alimentos de modo a obter refeições saborosas, ou barreiras relacionadas com o custo, estas mais relacionadas com o azeite e com o peixe. Uma percentagem significativa reconhece a importância de comer frutas e hortícolas, mas não conhece a percentagem recomendada.

E encontraram ainda "alguns mitos", como o de que o pão e os frutos secos fazem mal à saúde, ou o de que as leguminosas e o pão estão associados ao aumento de peso.

Perante os resultados a responsável disse à Lusa que deverá ser necessário um maior investimento na sensibilização para a importância desta dieta, em particular junto de grupos mais vulneráveis.

E Maria João Gregório começou a sensibilização na entrevista à Lusa: Além de ser um modelo de consumo alimentar que protege a saúde, a dieta mediterrânica é também protetora da "saúde do planeta". E na confeção dos alimentos evidencia o sabor dos diferentes produtos.

Notícias Recomendadas
Bem Estar e Nutrição

Como reciclar as embalagens de cosmética

As marcas de beleza estão cada vez mais atentas ao ambiente, mas estaremos nós? Estas são os melhores conselhos para quando deita fora as embalagens de cosmética.

Família

Isabel Stilwell: "O politicamente correto não faz falta para nada"

O livro "Birras de mãe" dá continuidade a um troca de palavras entre Isabel e Ana Stilwell,, mãe e filha, durante a adolescência da segunda, com um diário para cada uma. Agora, as conversas (e as birras) ganham novas temáticas com um humor que só se consegue com a cumplicidade da maternidade.

Bem Estar e Nutrição

O livro que promete mudar a sua vida em sete semanas

Com um plano holístico, a health coach Cláudia Fonseca, autora do livro "Tudo aquilo que és", promete uma transformação interior e exterior num curto espaço de tempo. E que promete ficar para sempre.