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Calvície aumenta entre as mulheres: "10 em 100 tem problemas"

Ricardo Vila Nova diz que a má alimentação e o stress são as principais causas da queda de cabelo. O tricologista aponta o dedo a algumas cabeleiras famosas.
Por Sónia Bento 14 de Outubro de 2019 às 15:07
A calvície nas mulheres aumentou muito nos últimos anos e Ricardo Vila Nova garante que a principal causa é a alimentação que é cada vez mais manipulada. A partir da análise de um cabelo ao microscópio, o especialista em tricologia – ciência que estuda o cabelo a partir do seu interior – consegue descobrir o que provoca a queda acentuada de cabelo e outros problemas do couro cabeludo como o excesso de oleosidade ou a caspa. O português, nascido no Porto – tem clínicas em Londres, no Harrods, em Wimpole Street e atende no atelier de Josh Wood (o maior colorista do mundo), no Bahrein e no Dubai. Em 2018, abriu também a 212.2 Ricardo Vila Nova, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde vem dar consultas todos os meses.

Há cada vez mais gente preocupada com a falta de cabelo?
Sim e são mais as mulheres. A calvície feminina aumentou muito. Se repararmos quando vamos na rua ou nos transportes públicos, vemos que há imensas mulheres com pouco cabelo. Muitas delas, têm uma perda de cabelo de forma difusa, não é só à frente e na coroa, é num todo. Essas pessoas não podem fazer transplante porque não é uma falha localizada.

Qual é então a solução? 
É aumentar e ativar o crescimento do seu próprio fio de cabelo, com injectáveis. Por exemplo, o dermaroller, que é um tratamento que mineraliza o cabelo através de uma espécie de escova com agulhas muito finas que passam no couro cabeludo, estimulando a regeneração celular.  

A perda de cabelo nas mulheres deve-se a quê?
Começa na alimentação que é cada vez mais manipulada. Mas os efeitos colaterais não são imediatos, só ao fim de 20 ou 30 anos é que verificamos o efeito das hormonas do frango, por exemplo. Por isso é que antigamente, as mulheres tinham fartas cabeleiras e hoje não. Uma das coisas que mais me aparece agora são homens que não têm barba completa, densa. E se virmos nas redes sociais, a tendência é para aumentar o tamanho e a densidade da barba porque é um sinal de masculinidade.

Usa-se a barba grossa e comprida?
Há imensos homens a fazerem dermaroller, como se faz no cabelo, mas para estimular o crescimento da barba. Esta geração mais nova tem muita dificuldade em ter barba serrada. Se o problema das mulheres é a calvície – há 100 ou 50 anos havia 1 em um milhão, hoje temos 10 em 100 – o problema dos homens é a falta de barba.

Há países em que a queda de cabelo é mais acentuada?
Eu diria que tem a ver com a densidade populacional e os níveis de stress. Nova Iorque, Dubai, Londres ou Hong Kong são cidades muito saturadas, que utilizam águas muito tratadas, dessalinizadas e onde as pessoas se alimentam de fast food. Em Portugal, nas análises de ADN vejo boas vitaminas, bons minerais, bom grau de hidratação porque a nossa comida é muito boa.

A água com que lavamos o cabelo é importante?
É muito importante porque a água contém minerais. Por exemplo, quando comecei a fazer testes de ADN no Bharein, notei que havia uma percentagem grande de mercúrio em toda a gente e descobri que se deve à exploração de petróleo. No Reino Unido a água tem muito calcário, que seca e bloqueia os folículos.

Lavar o cabelo todos os dias provoca mais queda ou é um mito?
Depende da sensibilidade do couro cabeludo e do tipo de cabelo. A água não chega à raiz do cabelo, por isso o facto de lavar todos os dias não afeta as condições. O que pode acontecer é criar desequilíbrio no couro cabeludo, no PH, na desidratação que podem afetar o ciclo do fio de cabelo. Se o cabelo for oleoso mais vale lavar todos os dias, mas é preciso ter atenção ao champô, que tem de ser orgânico e suave.

Qual é a quantidade normal de cabelos que podem cair por dia?
Dizem que 200 cabelos é a quantidade normal, mas é completamente errado. Há uma média geral, ou seja, quem tem uma cabeleira com uma densidade normal a queda pode oscilar entre os 50 e os 100. Tem a ver com o número de cabelos que se tem por centímetro cúbico. Às vezes há pessoas que me dizem que estão a perder cerca de 200 cabelos, e olho para a cabeça delas e vejo que é demasiado. A regeneração do cabelo é normal, mas é preciso ter atenção se o que cai é na proporção do que é reposto.

O seu trabalho começa por onde?
Começa em quatro ou cinco cabelos arrancados da raiz que analiso através do ADN. Essa análise indica-me os elementos que produzem o cabelo, a formação celular, os fatores genéticos e a estabilidade cutânea. Conseguimos ver se há resíduos de medicamentos, anestesias, ou antibióticos que estragaram o cabelo. Depois há uma série de tratamentos como o plasma, o recrescimento sem cirurgia, a tecnologia injectável, que é muito mais rápida e eficaz, e a aplicação de produtos tópicos personalizados, como champôs, loções e máscaras.

Qual é a alternativa ao implante?
É a Steamcell, em que se faz a colheita das células-mãe do próprio folículo, que permite multiplicar os fios de cabelo. Esta é uma grande inovação. Retira-se o núcleo central do folículo saudável, com um corte, tiramos as células-mãe e reaplicá-las na área onde os folículos estão mortos ou inactivos. Este processo é feito em três ou quatro intervenções. O implante é tirar de um lado para pôr no outro, mas a quantidade de fios de cabelo mantém-se.

Quanto pode custar?
Depende. São preços semelhantes ao transplante normal, pode ir dos 4 mil aos 10 mil euros. 

A tendência vegan também pode prejudicar a saúde do cabelo?
Quem está habituado a comer peixe, carne, ovos e imensos derivados de proteína animal, se deixar de comer de repente, o corpo entra em choque. Há que ter cuidado com isso. Tenho clientes vegan que estão óptimos, têm boa imunidade, bom cabelo porque sabem compensar, com vitaminas do complemento B.

Qual é o alimento chave para o nosso cabelo?
É a vitamina K, que fixa as proteínas. Mas depende do tipo de sangue: ou K1 ou K2. Nos alimentos, é tudo o que é rico em proteínas, como os ovos, a carne vermelha, o peixe, os espinafres ou as lentilhas.

As vitaminas injectáveis, que são muito comuns noutros países, também já chegaram cá?
Já temos há bastante tempo. O que se está a tornar moda, e que é preocupante, é que já há pessoas nos Estados Unidos e no Reino Unido que estão a substituir a comida pelas injecções. Existe uma espécie de Uberdrip, que vão ao domicílio administra as drips que substituem o almoço e o jantar, que alivia a ressaca, para recuperar do jet lag, para tudo. As pessoas estão a perder a noção. Na nossa clínica, temos drips direcionadas para os problemas do cabelo porque através da análise ao fio de cabelo, eu vejo todas as carências do corpo, quer nutricionais ou hormonais.

Pode dar exemplos de mulheres que tenham cabelos perfeitos?
Entre as nacionais, destaco a Maria Elisa, que sempre teve um cabelo muito bonito e delicado. A Luísa Beirão também tem um ótimo cabelo. E a Cláudia Vieira que tem uma cabeleira densa, com aspeto saudável e uma cor subtil. Das internacionais, é difícil escolher uma que tenha cabelo natural, mas talvez a Lana Del Rey.

E quais são as que não têm bom cabelo?
A Cristina Ferreira, por exemplo, arruinou o cabelo, com tanto secador, extensões e muita tinta - está muito processado. A Marisa Cruz é outra que tem uma cor desadequada para um cabelo tão fininho e a Sara Sampaio, apesar de não parecer, também tem o cabelo muito fino com alguma redução na área frontal – o comum nas mulheres de hoje.

As famílias reais dos Emirados Árabes são suas clientes. Porque é que elas se preocupam tanto com o cabelo se andam sempre com ele tapado?
Elas têm vida social e são bastante competitivas nos vestidos e acessórios e quando estão juntas não têm nada a tapar o cabelo, embora na rua não o mostrem. Dão muita importância ao cabelo assim como consomem tudo o que é luxo, são as melhores clientes, por exemplo, das maiores marcas de lingerie. No Bahrein trato do cabelo do primeiro-ministro e da família real. Mas quando vou as casas deles, normalmente vejo a família inteira porque na clínica não é prático, já que as mulheres não se sentam na sala de espera com os homens.

E elas podem destapar-se à sua frente?
Sim porque têm lá o pai, o marido ou os irmãos. 

Os tratamentos são feitos ao domicílio?
Sim. Elas montam em casa uma pequena clínica, com um sistema de lavagem e cadeiras como as que tenho no consultório, só para quando eu lá vou. Se fizerem seis tratamentos, elas montam aquilo tudo só para seis tratamentos, there’s no budget. Ficam super-agradecidos pelo facto de irmos lá ter com eles e o conceito de família e a forma de receber é muito parecida com a nossa. Põem a mesa com tudo e mais alguma coisa. Como vou sempre com pouco tempo tenho de contabilizar a parte social, que implica sentar à mesa e comer um autêntico baquete.

A comida é boa?
É óptima, à base de cordeiro, saladas, chamuças, tudo muito bem apresentado. Não aguento comer tanto, mas faço o sacrifício senão ficam ofendidos. Todos eles têm uma excelente impressão de Portugal, sobretudo do Algarve, mas o que me deixa mais orgulhoso é que eles acham que a característica mais marcante do português é a honestidade. 

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