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“Reequilibrar a estrutura emocional”: o que deve fazer para superar perturbações mentais

A pandemia aumentou o consumo de antidepressivos e ansiolíticos em Portugal.
Por Ana Maria Ribeiro 7 de Maio de 2020 às 08:26
Cecile Domingues, psicóloga
Cecile Domingues, psicóloga FOTO: Direitos Reservados
O confinamento e o medo do contágio da Covid-19 estão a causar perturbações mentais nos portugueses. Os especialistas dizem o que se deve – ou não – fazer.

CM – Foi divulgado um estudo que revela que os mais jovens assumem ter começado a tomar antidepressivos e ansiolíticos durante este período. É um dado alarmante?
Cecile Domingues– Sim. Não só porque aumentou o consumo de fármacos, mas porque revela que aumentaram, também, as perturbações emocionais. É uma reação à situação que estamos a viver. O medo em relação ao vírus despoleta preocupações que as pessoas tentam resolver, de forma rápida, recorrendo à medicação.

– É possível assumir que, após este período de vivência coletiva, quando voltarmos ao normal, as pessoas vão deixar de tomar a medicação?
- Não é linear. É muito provável que as pessoas que começaram a tomar a medicação agora já sentissem dificuldades antes. As pessoas não ficam em estado de ansiedade só por causa de uma pandemia. É muito provável que o contexto social tenha vindo intensificar uma perturbação que já existia.

– O que se aconselha às pessoas que começaram a tomar estes medicamentos?
- O ideal seria fazerem terapia. Procurarem ajuda na área da psicologia (psicólogo ou um psicoterapeuta) para tentarem perceber o porquê da perturbação emocional, o porquê da ansiedade, da depressão, da fobia. Quando falamos com um paciente conseguimos perceber o porquê de ter nascido a perturbação e conseguimos reverter o processo. Não é mágico. Requer tempo. Mas é possível ajudar a pessoa a reequilibrar a estrutura emocional.

Volta a prova de internato
A Ordem dos Médicos saudou ontem a reativação das provas do internato médico e dos concursos para progressão na carreira, congeladas devido à pandemia, mas lamentou que os títulos resultantes das provas não sejam reconhecidos desde abril. "É de lamentar que o Ministério da Saúde não permita que os médicos que vão fazer as suas provas em junho vejam o título reconhecido desde abril, altura em que teriam terminado o seu percurso", destacou.

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