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Cérebro pode tornar-se imune ao cancro por dois milhões de euros

Estudo com 18 pacientes com metástases cerebrais mostrou que a silibinina quadruplica o tempo de sobrevivência.
Por Correio da Manhã 20 de Dezembro de 2019 às 19:36
Cérebro
Cérebro FOTO: Direitos Reservados

O médico veterinário Manuel Valiente, chefe do Grupo de Metástases Cerebrais do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica, recebeu uma bolsa de estudos do Conselho Europeu de Pesquisa no valor de 2 milhões de euros para impedir que o cancro entre no cérebro e cause metástases.

O fenómeno da metástase ocorre quando um cancro se espalha para outro local do corpo. Isto acontece atualmente a cerca de 30% das pessoas que têm cancro, principalmente as que têm tumores primários de mama, pulmão e pele. "A metástase cerebral é considerada uma sentença de morte", afirmou o cientista.

Valiente explicou que os resultados mais recentes se devem a uma nova plataforma para redescobrir medicamentos: "O que fizemos foi criar um novo sistema para testar moléculas já aprovadas em amostras de pacientes com metástases cerebrais. Encontrámos um e vimos que ele funciona muito bem em ratos".

O cérebro precisa de muita energia e isso dificulta as células cancerígenas a encontrar os restos de nutrientes. Como tal, o cientista explicou que apenas uma em 99 células cancerígenas é capaz de superar todas as barreiras do cérebro.

A equipa de Miguel Valiente descobriu uma maneira de interromper o processo molecular que permite que as células cancerígenas se instalem no cérebro. Em 2018 a equipa descobriu que a silibinina, um composto sintético, atrasa a progressão das metástases ao desativar a atividade da proteína STAT3, impedindo que os astrócitos – células abundantes do sistema nervoso central – sejam sequestrados pelo tumor.

Um estudo realizado com 18 pacientes com metástases cerebrais revelou que a silibinina quadruplica o tempo de sobrevivência. Em três dos pacientes as metástases cerebrais foram reduzidas até deixarem de ser detetáveis.

O projeto financiado pelo Conselho Europeu de Pesquisa tem como um dos objetivos tentar intervir no momento em que a célula cancerígena atinge o cérebro e é fixada dentro de um vaso sanguíneo.

"Agora, o nosso objetivo é iniciar um verdadeiro ensaio clínico. Estamos a fechar um contrato para obter financiamento e esperamos começar em 2020", disse o cientista.

Vários hospitais espanhóis e outros de vários países europeus colaboraram no projeto.

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