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Desenvolvido teste que deteta cancro anos antes dos primeiros sintomas

Equipa diz que o teste conseguiu detetar cancros a desenvolverem-se quatro anos antes de qualquer sintoma se manifestar e de outros diagnósticos apontarem a existência da doença.
23 de Julho de 2020 às 12:43

Foi desenvolvido um novo teste capaz de detetar um cancro quatro anos antes dos primeiros sintomas se manifestarem no organismo. De acordo com a equipa de cientistas responsável pelo desenvolvimento deste novo teste, a deteção antecipada pode ajudar a combater de forma mais eficaz a doença. A equipa é constituída por investigadores chineses e norte-americanos.

De acordo com o estudo publicado na revista científica Nature Communications, o teste ao sangue é capaz de detetar cancro em 95% dos assintomáticos que posteriormente desenvolvem um diagnóstico. 

Cinco tipos de cancro podem ser detetados preventivamente através deste teste. Os cancro em questão são cancro do estômago, do esófago, colorretal, dos pulmões e do fígado.

Os testes, que foram batizados "PanSeer", baseiam-se numa análise da metilação do ADN - uma modificação química - através de uma amostra de sangue. São então estudados 477 regiões do genoma que consegue detetar dados que apontam para a existência de células cancerígenas a desenvolverem-se no organismo, mesmo que ainda numa fase muito inicial e que não apareceriam nos métodos tradicionais de deteção e que não causariam sintomas. Para conseguir detetar estas células, foram usados algoritmos que conseguem perceber se o sangue a circular no corpo traz partículas cancerígenas.

A equipa lembra que nos últimos tempos vários artigos científicos têm apontado para a capacidade de detetar cancros sem recorrer a biópsias e sim através de análises ao sangue. No entanto, não havia até agora estudos que apontassem para a capacidade de detetar o cancro ainda antes de haver sintomas da doença.

O teste contou com a participação de mais de 120 mil voluntários a quem foram retiradas amostras de plasma entre 2007 e 2014, na China. No total, para o estudo, foram usadas amostras de 414 participantes que ao fim de quatro anos não desenvolveram cancro e 191 amostras de voluntários que desenvolveram uma forma de cancro do estômago, do esófago, colorretal, dos pulmões ou fígado quatro anos depois da primeira amostra retirada.

Os resultados foram bastante promissores. Em 95% dos testes que assinalaram a possibilidade de desenvolver cancro, as pessoas acabaram mesmo por ser diagnosticadas com esta doença no prazo de quatro anos. E acertou em 96% dos casos em que não detetou sinais para a possibilidade de se vir a desenvolver cancro. O teste foi capaz ainda de detetar cancro em 88% das pessoas que já tinham sido diagnosticadas com esta doença.

Os autores lembram que apesar de resultados bastante promissores, é necessário estender os testes a um número muito mais significativo de pessoas, tendo a equipa assinalado a possibilidade de algumas amostras terem sido "contaminadas". É ainda referido que não foi possível, por enquanto, perceber o tipo de cancro com o qual as pessoas iriam ser diagnosticadas.

O teste foi desenvolvido por investigadores da Universidade Fudan, em Xangai, na China, da Universidade da Califórnia em San Diego e da Singlera Genomics, uma start-up que pertence a alguns dos cientistas e que quer comercializar os testes. 

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