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Gás radão é causa de morte por cancro do pulmão

Para a elaboração do mapa são necessários voluntários de todo o País.
Por João Saramago 19 de Janeiro de 2020 às 01:30
Gás radão é causa de morte por cancro do pulmão
Gás radão é causa de morte por cancro do pulmão FOTO: IStockPhoto

Sem cor nem cheiro, o gás radão só pode ser detetado com recurso a uma medição. Uma avaliação decisiva perante os riscos que levanta para a saúde humana na sequência de uma longa exposição. A Organização Mundial da Saúde adverte que o gás radão é a segunda causa de morte por cancro do pulmão, depois do consumo de tabaco. O granito encerra elevadas quantidades deste gás tanto nos solos como em materiais de construção de habitações.

O radão é libertado para o ar através de fissuras e fendas, produzindo partículas radioativas. Ao serem retidas nas vias respiratórias aumentam o risco de cancro do pulmão. E o maior perigo está dentro das habitações, uma vez que ao ar livre o gás é facilmente disperso na atmosfera.

Com o objetivo de serem estabelecidas medidas de proteção da saúde das populações, investigadores da Universidade de Coimbra preparam-se para elaborar um mapa nacional de risco deste gás. O trabalho, cujos primeiros resultados deverão ser conhecidos em julho, é da responsabilidade do Laboratório de Radioatividade Natural.

Para realizar o estudo, a equipa de especialistas, liderada por Alcides Pereira, pede a colaboração de voluntários dispostos a instalarem "pequenos detetores de radão nas suas habitações por três meses".

Os interessados em participar no estudo podem obter o dispositivo, sem qualquer custo associado, enviando o pedido para radao@uc.pt. O trabalho visa dar resposta "à transposição para a legislação nacional de uma diretiva comunitária sobre radioatividade natural", refere Alcides Pereira.

"Naturalmente, iremos encontrar zonas do País com valores muito diferentes, porque o País é geologicamente muito diferenciado", esclareceu o investigador.

Lei obriga a elaborar um plano nacional
"A elaboração do Plano Nacional do Radão é uma obrigação legal da Agência Portuguesa do Ambiente", esclareceu fonte da Universidade de Coimbra. 

As autoridades divulgaram os 46 concelhos onde serão efetuadas medições. Bragança, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros terão o maior número de aparelhos para medir radiações.

Inverno levanta maiores problemas
A Universidade de Trás-os-Montes realizou, em 2017, medições no interior de 269 edifícios durante o inverno. Este é o período do ano que levanta maiores problemas para a saúde devido ao calor libertado em espaços confinados pelo aquecimento artificial, o que provoca uma maior concentração do gás radão. 

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