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Imunidade à Covid-19 pode durar vários anos ou até mesmo décadas

Corpo pode ganhar uma resposta imunitária de várias décadas e preparar-se contra outros coronavírus, revela um novo estudo.
Por SÁBADO 19 de Novembro de 2020 às 07:54
Investigação à Covid-19
Investigação à Covid-19 FOTO: Direitos Reservados
A imunidade ao novo coronavírus pode demorar anos a desaparecer, talvez até décadas, revela um novo estudo que dá ainda mais alento para a descoberta de uma vacina capaz  de travar a pandemia de Covid-19. Na última semana foram apresentados os resultados bastante promissores duas vacinas contra a Covid-19, a primeira da Pfizer e a segunda da Moderna.

Os dados recolhidos pelos autores deste estudo científico mostram que ao fim de oito meses de infeção a grande maioria das pessoas ainda tem anticorpos suficientes nas suas células para repelir o SARS-CoV-2 e prevenir a doença que este causa. E o facto das células terem uma taxa de declínio menos acentuada do que inicialmente se acreditava pode significar que a imunidade ganha depois de se recuperar da doença ou quando se for inoculado pela vacina pode ser de vários anos, talvez até décadas.

A pesquisa ainda aguarda a revisão pelos pares mas, até ao momento, é o estudo que reuniu mais dados, sendo um dos mais extensos sobre o tema até ao momento.

Shane Crotty, o virologista do Jolla Institute of Immunology de Los Angeles, nos Estados Unidos da América, que conduziu este estudo revelou num comunicado que a quantidade de informação guardada nas células pode ajudar a "prevenir a grande maioria das pessoas de voltarem a ser hospitalizadas ou de ficarem severamente doentes". Esta notícia surge como um alívio para centenas de imunologistas que desconfiavam do tempo que podia demorar a perder a imunidade à SARS-CoV-2 e que temiam que a vacina não fosse eficaz o suficiente para garantir imunidade a longo prazo.

A pesquisa concluiu ainda que as pessoas que foram infetadas pelo SARS, no início do século XXI, ainda têm imunidade em muitas células, mesmo mais de 15 anos depois, uma notícia animadora relativamente a este outro coronavírus.

Estes dados animadores são consistentes com dados de outros laboratórios que chegaram à conclusão que as células armazenavam imunidade durante vários meses e que mesmo que não fossem detetadas em testes normais, "surgiam" no organismo quando em contacto com o vírus. Deepta Bhattacharya, imunologista na Universidade do Arizona referiu que os estudos estão, na sua grande maioria, "a pintar todos a mesma imagem que é a de que quando se passam aquelas primeiras semanas críticas, a resposta do organismo parece muito convencional" com aquilo que é conhecido com outros vírus, ou seja, o corpo ganha uma certa imunidade.

Vacinas podem balançar ausência
O estudo apurou ainda que a capacidade de resposta do organismo pode ainda depender da carga viral com que está em contacto. Muitos dos participantes nos testes tinham menos anti-corpos passado uns meses, provavelmente por terem estado expostos a quantias menores do vírus. Mas as vacinas podem ajudar a ultrapassar essa disparidade, avisa Jennifer Gommerman, da Universidade de Toronto.

Os pacientes sem sintomas ou com sintomas ligeiros possuem e expelem menor carga viral que aqueles que apresentam sintomas graves para a Covid-19. Logo, o sistema imunitário do portador do vírus produzirá menos anticorpos e, portanto, estes deixarão de existir dentro de menos tempo, lembra a professora, contrapondo que em maior parte dos casos os anticorpos parecem ser suficientes para estimularem uma imunidade duradoura, mas que caso não seja suficiente, a vacina pode colmatar essa falha da resposta do organismo.

Quando um vírus infeta o organismo humano pela primeira vez, o sistema imunitário desencadeia uma autêntica resposta para eliminar a ameaça numa questão de horas.

Se uma vacina puder estimular a produção de anticorpos duradouros, como as infeções naturais fazem, vai dar esperança que "a imunidade para este imprevisível e muito contagioso vírus possa não ser efémera", escreveram peritos independentes da Universidade de Harvard e dos Institutos de Saúde dos EUA, em comentário publicado com o estudo na New England Journal of Medicine.

Outros coronavírus podem ajudar à imunidade da Covid-19?Os vários coronavírus, como a SARS, são altamente semelhantes e, por isso, a imunidade cruzada, em que a imunidade para um tipo de coronavírus confere imunidade para mais tipos pode ajudar no combate a coronavírus futuros, no caso do desenvolvimento de uma vacina.

Até ao momento nenhum estudo conseguiu provar que quem esteve infetado com a SARS seja imune à Covid-19, mas muitos cientistas esperam que com o desenvolvimento de uma vacina para este coronavírus seja mais fácil preparar uma resposta para uma possível futura pandemia.

Duas vacinas, para já
Duas vacinas ocidentais foram já anunciadas e com boas margens de resposta. A Pfizer anunciou uma vacina com 92% de eficácia e dias depois foi a vez da Moderna mostrar os resultados que mostravam que a sua vacina tinha uma eficácia de 94,5%. As duas vacinas usam a mesma tecnologia e até agora aparentam ter quase o mesmo grau de eficácia. Nenhuma das duas produziu efeitos secundários graves e a grande diferença está no armazenamento de cada.

A confirmar-se a eficácia do mRNA como medicamento ou vacina "temos o potencial para tratar ou prevenir doenças que atualmente não podem ser tratadas", dizia à SÁBADO ainda em setembro um porta-voz da farmacêutica Moderna.

Até ao final de 2020, a Moderna espera ter 20 milhões de doses disponíveis e a capacidade de produzir outros 500 milhões a mil milhões no próximo ano; já a Pfizer aponta para 50 milhões de doses produzidas até ao final do ano, e outras 1,3 mil milhões disponíveis em 2021.

O estudo da Moderna contou com 30 mil voluntários, enquanto o da Pfizer com 44 mil. Mas em ambos os ensaios foram incluídas pessoas com as chamadas comorbidades (doenças associadas). Pessoas pertencentes a grupos de risco, com doenças crónicas como diabetes, obesidade severa ou doença cardíaca, representam 42% do total dos participantes no ensaio de fase III da Moderna. Que incluiu também mais de 7 mil americanos maiores de 65 anos, assim como 11 mil voluntários de minorias (6 mil hispânicos e latinos e 3 mil afro-americanos).

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