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Associação Protetora dos Diabéticos desenvolve manual para ajudar doentes após diagnóstico positivo de coronavírus

João Raposo, diretor clínico da APDP, explica esta e outras medidas desenvolvidas para continuar a apoiar os associados.
Por Susana Pereira Oliveira 19 de Abril de 2020 às 22:35
Diabetes
João Raposo, diretor clínico da APDP
Diabetes
João Raposo, diretor clínico da APDP
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João Raposo, diretor clínico da APDP

A Diabetes é uma doença metabólica crónica, que pode ter várias causas e que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue. Esta doença complexa e complicada que exige uma atenção muito própria pode afetar qualquer pessoa, no entanto a exposição a fatores de risco pode aumentar a probabilidade do seu aparecimento.

A pandemia do novo coronavírus pode ser considerada um desses fatores, na medida que veio desformatar o tipo de seguimento que era feito aos diabéticos por parte da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP). Para fazer face à situação, os profissionais de saúde desta associação tomaram medidas, entre as quais a criação de uma linha de apoio e de um manual.

Ao Correio da Manhã, João Raposo, diretor clínico da APDP, explicou como foi a adaptação à nova realizada e os processos adotados para o desenvolvimento das medidas.

Compreensão da pandemia

A APDP acompanhou, deste o início, a evolução da pandemia de Covid-19. Antevendo as proporções que podia tomar, " a associação fez todo um esforço antes de serem decretadas as medidas do Estado de Emergência em Portugal".

Para isso, explicou João Raposo, foi tudo preparado para que fosse possível "continuar a prestar um apoio que nós consideramos de qualidade a todas as pessoas com diabetes que acompanhamos".

Para isso foi preciso "montar um programa de consultas à distância" e perceber como iam funcionar as presencias, em caso de necessidade relevante.

Medidas a adotar

Na APDP acompanha cerca de 15 mil associados. Manter o acompanhamento em fase da pandemia seria, à partida, uma tarefa mais complicada. No entanto, a associação procurou adotar medidas que lhe permitisse manter um acompanhamento regular, tendo em conta que nesta fase da pandemia são muitos os doentes que podem estar a ter dificuldades "em ter acesso aos médicos de família e a outros prestadores de cuidados de saúde".

Devido às incertezas que existem sobre o novo coronavírus, os profissionais de saúde da APDP reuniram então um conjunto de informação validada e desenvolveram um manual de apoio para as pessoas com diabetes tipo 1 e 2 e seus cuidadores saberem lidar com um diagnóstico positivo de Covid-19.

Este manual, que está a ter "repercussão nacional e internacional", funciona como "um suporte informativo" com conselhos sobre o que fazer em relação à infeção, "conselhos gerais e específicos".

João Raposo referiu que esta foi a maneira que arranjaram para "sistematizar informação que está disponível em várias fontes, mas de uma maneira a que isso ficasse num único suporte para as pessoas com diabetes terem essa informação toda disponível num único sítio". Este suporte é atualizado ao longo do tempo e está disponível, em português e inglês, na página de Internet da APDP.

Este manual refere, no fundo, os cuidados para cada tipo de tratamento, medicação oral ou insulina. Aborda o papel do cuidador da pessoa em isolamento e serve de complemento à linha de apoio – 213 816 161 – também criada pela APDP. Uma linha que está em funcionamento das 08h00 às 20h00, incluindo aos fins de semana, para todas as pessoas com diabetes, familiares e cuidadores que necessitem de aconselhamento especializado.

Diabéticos com coronavírus

Ao CM, João Raposo avançou que "dentro da população internada com coronavírus, cerca de 20% das pessoas têm diabetes". Depois, há ainda um registo, inferior, de casos que estão a ser acompanhados em âmbito domiciliário.

"Um dos sinais que eventualmente pode ser um sinal precoce de infeção por coronavírus nos diabéticos diz respeito a alterações no valor da glicémia", clarificou o diretor clínico da associação. Por causa disso, a APDP aconselha a que todos os doentes com diabetes façam uma "monotorização reforçada" dos níveis de açúcar no sangue.

Conselhos para os doentes em caso de resultado positivo

"O conselho imediato é que devem manter a calma e fazer aquilo para que foram ensinados a fazer durante os dias da doença", atirou João Raposo. As pessoas com diabetes são consideradas os gestores da sua doença e, portanto, "o que se quer diariamente é que eles continuem a ser esses mesmos gestores, são eles que sabem melhor como devem lidar com a sua diabetes", continuou.

A pandemia de coronavírus lançou "um susto grande" e um desafio aos diabéticos, por isso mesmo é importante que haja um investimento nas medidas de controlo da doença. Controlando o que é possível controlar, é estar a prevenir que a infeção não alcance níveis "mais gravosos".

"Uma pessoa com diabetes e coronavírus deve seguir todas as recomendações habituais, como todas as outras pessoas com o coronavírus, acrescentando um reforço das medidas de controlo da doença, reforçou o diretor clínico.

Recorde que por ano são diagnosticados mais de 60 mil novos casos de diabetes em Portugal. Morrem, em média, 12 pessoas por dia com esta condição de saúde no País. 

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