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Anda cansado no trabalho? Conheça os sintomas e o tratamento da Síndrome de Burnout

Para o tratamento é fundamental que o doente tire algum tempo para si, abandonando as tarefas profissionais.
Por Ana Maria Ribeiro 24 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Período de 'burnout'
Período de 'burnout' FOTO: Getty Images
O burnout é uma síndrome entendida como o resultado de stress crónico no local de trabalho que não foi gerido de forma adequada.

É caracterizado por três dimensões: sentimentos de depleção (baixa) de energia e exaustão; maior distanciamento mental da atividade profissional, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados com a profissão; redução da eficácia profissional (produtividade).

Segundo a psiquiatra Ana Peixinho, o burnout "refere-se especificamente ao fenómeno num contexto ocupacional e não deve ser aplicado para descrever situações noutras dimensões de vida". Também não deve ser confundido com o ‘esgotamento’ – que "não é um termo médico, mas sim popular e é atribuído a um estado depressivo de maior gravidade".

Para curar o burnout é preciso parar, mas, nas palavras da especialista, "habitualmente após um tempo de paragem e reflexão a pessoa toma consciência do estado a que chegou e ela própria muda o seu comportamento e atitude em relação ao trabalho". O que não significa que deixe de cumprir os compromissos profissionais. Simplesmente, deixa de permitir que o trabalho tome conta da sua vida.

A boa notícia é que, normalmente, um episódio de burnout não se repete. "Posso afirmar que a tomada de consciência do desequilíbrio trabalho/vida pessoal é um fator protetor no desenvolvimento de novos episódios de burnout", confirma Ana Peixinho, do Hospital Lusíadas Lisboa.

Sintomas
Sinais emocionais
O distanciamento emocional, sentimentos de solidão, de alienação, ansiedade e de impotência ou omnipotência são sintomas típicos do burnout.

Mudança nas atitudes
O desenvolvimento de atitudes negativas, cinismo, apatia e hostilidade são também possíveis.

Agressividade e isolamento
O burnout pode revelar-se através de sintomas comportamentais: agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor e irritabilidade podem ser reveladores de que algo de errado se passa com a pessoa, e que é preciso ficar atento.

Somatizações
Finalmente, o burnout pode igualmente ter sintomas psicossomáticos, como alterações cardiovasculares (palpitações, hipertensão) e problemas respiratórios (crises de asma, falta de ar).

São ainda reportados problemas imunológicos (aumento da frequência de infeções, alergias) e até problemas sexuais (diminuição da libido). Pode ainda afetar o trato digestivo (criando úlceras, náuseas, diarreias) e a condição muscular (dores de costas, fadiga).

Especialistas avisam ainda para alterações no sistema nervoso (enxaqueca, insónia).

Tratamento
Estar atento aos sinais
Quando a pessoa se sente exausta, é muito importante reconhecer os primeiros sinais e sintomas de burnout e não deixar a situação evoluir sem acompanhamento especializado.

Empresas conscientes
É importante consciencializar as organizações para a existência do burnout e definir estratégias organizacionais que permitam o desenvolvimento de medidas de prevenção do mesmo. Foi incluído em maio de 2019 na Classificação Internacional de Doenças como um fenómeno ocupacional.

Uma vida saudável
Uma vida equilibrada pressupõe que o trabalho ocupa uma parte do dia, mas deixa tempo à pessoa para estar com a família.

Praticar desporto, estar com os amigos, ter horas de sono regulares é importante para a saúde, e a garantia de que está mais longe de atingir uma situação limite.

Como se trata
Perante uma situação de burnout é importante o afastamento do local de trabalho. Por vezes é necessário recorrer a medicação psiquiátrica, nomeadamente para redução da ansiedade e tratamento da insónia.

É importante adquirir estratégias individuais que englobam a formação em resolução de problemas, assertividade e gestão eficaz do tempo. Estas estratégias são habitualmente adquiridas através de apoio psicológico.

A nível organizacional é importante definir estratégias organizacionais que melhorem o ambiente de trabalho.

"Fiquei bom ao fim de um mês e meio"
"Tive burnout há seis anos", conta Emanuel, de 40.

"Por incapacidade de estabelecer limites para o trabalho. Deixei de conseguir dormir, de comer... Fui de baixa um mês e meio, fiz uma cura de sono e tomei medicação", recorda.

Número de casos
13,7% dos portugueses tiveram burnout em 2016, diz Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional.

Percentagem
28% dos trabalhadores portugueses dizem que o stress relacionado com a atividade profissional é comum.
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