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Como sobreviver às primeiras férias de casal

Vai passar férias pela primeira vez com o seu namorado ou namorada? Saiba que problemas pode enfrentar e aprenda a resolvê-los.
Por Vanda Marques 11 de Outubro de 2019 às 12:23
Casal
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Os números estão a jogar contra si. Pode parecer que as férias são a solução para tudo o que lhe corre mal na vida, que o sol e a água salgada vão apagar o azedume das chatices do dia-a-dia e que uns dias sozinhos a dois vão ser mais românticos que o filme O Amor Acontece. Só que não. Vamos a números.

Um em cada 10 casais vai terminar o relacionamento depois de umas férias a dois. E nem uma ida a Florença os safa. Um quarto vai discutir nas primeiras 24 horas e cerca de 40% vão ter desentendimentos pelo menos uma vez por dia. As conclusões são de um estudo da empresa inglesa, de aluguer de carros, Holiday Auto, que recebem e assistem a várias querelas amorosas.

Quer mais provas? Assim de uma instituição de referência científica? A Universidade de Washington já estudou o tema e concluiu que até os divórcios aumentam depois das férias. A socióloga Julie Brines explica, no estudo, que as pessoas têm tendência a encarar as férias com grandes expectativas e até carga simbólica. Depois vem a realidade e...

A psicóloga Rita Fonseca de Castro revela que já lidou com casos assim. "Já recebi casais que passaram por situações de intensificação de conflitos no decurso das férias, inclusive com referências à separação, embora sem que esta se tenha chegado a concretizar." A terapeuta familiar refere ainda que isto é mais frequente quando se trata das primeiras férias em conjunto. "É relativamente frequente que os desacordos possam terminar em ruptura, quando se detectam diferenças consideradas fracturantes/inultrapassáveis entre os elementos do casal. Muitas vezes estas diferenças não tinham tido sequer oportunidade de se manifestar antes", diz.

A sexóloga Vera Ribeiro junta um cálculo matemático: "Ao estarem mais tempo juntos, terão mais situações de conflito." Mas nada tema, ainda é possível combater os números que dizem que se vai chatear nas férias. Falámos com duas especialistas em relações que nos dão conselhos para sobreviver aos meses de Verão.

Onde podemos errar?
Rita Fonseca de Castro não tem dúvidas a indicar os problemas. "Talvez o maior erro seja mesmo considerar que não vai acontecer erro algum, optando (inconscientemente) por não antecipar muito as férias, não planeando e conversando sobre todos os aspectos que estas envolvem. Alimentar expectativas demasiado elevadas sobre este tempo que muito se desejou pode levar a sentimentos de desilusão e frustração quando a realidade fica aquém do que se sonhou."

A terapeuta familiar revela ainda que antes de o casal embarcar numas primeiras férias a dois, deve perceber se está mesmo preparado. "É fundamental que o casal avalie se estará preparado para ir de férias em conjunto. Se existir um projecto de vida a médio/longo prazo, reconhecer que é melhor esperar não é falta de confiança na relação e no outro, mas antes uma decisão de bom senso."

Regra de ouro: planeamento
Não é preciso levar uma agenda de trabalhos detalhada, mas o free style neste caso pode provocar discussões. Imagine que um anda a sonhar ver o quadro Guernica, de Picasso, no Museu Rainha Sofia, em Madrid, mas o seu namorado não quer pôr os pés num museu e só pensa em tapas e cañas? "Planear as férias em conjunto, pensar todos os aspectos que estas implicam e as expectativas de ambos os elementos do casal, ajuda a prevenir eventuais dificuldades da viagem", diz Rita Fonseca de Castro.

Já a sexóloga Vera Ribeiro defende que não é necessário fazer um plano rígido, mas devem falar sobre as expectativas quanto às férias.

Coladinhos todo o dia?
Pode parecer romântico, mas já pensou quando é que passou 24 horas por dia com o seu namorado/a? Se calhar, nunca. Repare que por dia, entre trabalho e casa, se calhar sobram-lhe três horas com namorado/a ou marido/mulher. Apesar de as férias serem uma altura para relaxar, ponha aí na agenda uma hora reservada para si.

"Se as férias forem passadas num grupo maior, será fundamental assegurar que existem momentos a dois, para viver efectivamente em casal. No caso de as férias serem passadas em casal, deverá ser garantido que existem momentos a sós", diz Rita Fonseca de Castro. Pode parecer uma recomendação tão estranha como comer cinco vezes por dia, para não engordar. "Estar sozinho é tão mais importante quanto menor for o tempo que o casal esteja habituado a estar junto – por exemplo, casais que ainda nem coabitam. É que vão passar a estar, repentinamente, 24 horas por dia juntos."

Rita Fonseca de Castro dá dicas práticas: "É fundamental que se mantenha espaço e tempo para estarem sozinhos e vivenciar a individualidade. Fazer uma caminhada de manhã ou ao fim do dia, sobretudo se a actividade física for uma prática que faz parte do quotidiano durante o resto do ano, por exemplo."

Deve falar-se de dinheiro antes de embarcar?
"Sem dúvida. Sabemos que as questões financeiras são muito frequentemente tema de conflito nos casais", diz Rita Fonseca de Castro. Aliás, é um dos principais motivos de discussão nas férias e fora delas. "Este tema deverá ser conversado antes das férias, estabelecendo, por exemplo, um orçamento para este período e/ou um máximo diário que pretendem gastar, e em quê

Outro aspecto crucial a discutir é como vai ser feita a divisão das despesas", aconselha a terapeuta. A sexóloga Vera Ribeiro concorda e dá mais uma dica: "Poderá sondar expectativas de rotinas e locais a visitar, como por exemplo: se é do tipo de gostar de comer em casa ou ir a restaurantes, aí perceberá os hábitos, não será um factor surpresa depois."
Passar férias naquela ilha grega onde levou o ex? Aqui entra uma boa dose de bom senso, aconselha Vera Ribeiro. "Dependerá da forma como cada um vê essa possibilidade. Para casais que seja indiferente não existirá qualquer inconveniente, já para outros será um reviver das experiências que tiveram anteriormente nesses mesmos locais. Mas se tiver o seu passado bem resolvido o local não será causa de mal-estar.

Deve viver o presente mesmo que o local seja repetido, porque não há duas experiências idênticas." O ponto mais importante aqui é dizer a verdade. Ou seja, não deve esconder se já lá esteve ou não. "Este é mais um dos aspectos que deverá ser alvo de comunicação aberta. Se ambos estiverem confortáveis com a situação não existirá um motivo consistente para evitar locais que já foram visitados em relações passadas. Mas se um dos elementos do casal ficar desconfortável por ir para o destino onde o outro costumava ir com um anterior companheiro, será mais sensato optar por um local alternativo", conclui Rita Fonseca da Costa.

Pequeno-almoço em casa ou no café?
Aquelas dúvidas que nunca tinham surgido – tomar o pequeno-almoço fora ou em casa, acordar cedo ou dormir amanhã toda – podem tornar-se surpresas negativas. "Quando um casal ainda se está a conhecer, é normal que ainda tenha de fazer alguns ajustamentos e cedências, procurando ser flexível e compreensivo com os pontos de vista e costumes do outro. Algo tão simples como o hábito de tomar o pequeno-almoço na rua ou em casa pode levar a divergências, se o casal não conseguir chegar a um entendimento com o qual ambos fiquem confortáveis."

Outra dica: não "guardar" questões para discutir mais tarde. Sendo o mais tarde, as férias. E se isso acontecer? "No período de férias
será ainda mais relevante ser capaz de abdicar da razão e do orgulho quando chega o fim de um dia de férias, bem como registos de indiferença ou amuos. Tentar respirar fundo e apanhar ar, para diminuir a activação causada por um conflito, bem como tentar manter um registo comunicacional positivo, podem ser ferramentas importantes."
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