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As novas regras dos encontros

Saiba o que mudou na era do Facebook, do Instagram e das aplicações de namoro. Podemos dizer que foi quase tudo.
Por Dina Arsénio 11 de Outubro de 2019 às 10:31
Esperar dois ou três dias até contactar aquela pessoa com quem bebeu um copo já não se usa. Nem dizer "beber um copo" – mas isso seria outro artigo. Também pode esquecer a ideia de que é o cavalheiro a pagar a conta ou que os primeiros beijos são para o sexto encontro. Isso eram as regras antes de as redes sociais e de aplicações como o Tinder terem mudado tudo. Os tempos são outros, as regras também, por isso conheça cinco que deve aplicar quando marca um jantar.

Quem convida é ela
Conheciam-se de vista e eram amigos no Facebook, mas nunca tinham falado. Foi na discoteca que ele decidiu dar o primeiro passo. "Olha, é a Raquel Teixeira!", disse-lhe a brincar. Ela estranhou: "Como é que sabes o meu nome?" A resposta foi a mais ouvida nos dias de hoje: "Já te tinha visto nas redes sociais."

A conversa continuou pela noite dentro. "Era o meu aniversário. Tínhamos tirado uma fotografia juntos e prometi-lhe que a enviava. Dias depois começámos a falar", conta Raquel Teixeira, de 23 anos. Próximo passo: trocar números de telemóveis. Mas o mais difícil – fazer um like público – foi Raquel quem o deu primeiro, ao adicionar Luís no Instagram. "Nunca o tinha feito antes. Decidi arriscar. Lembro-me de que depois de fazer like, ele atacou com gostos em todas as fotos."

Para Vera Ribeiro, psicóloga clínica, as mulheres têm um papel muito mais ativo agora. "São elas a avançar primeiro, seja no convite de Facebook, no like, ou até no envio de fotografias. Já não ficam a aguardar que o homem se aproxime com o máximo respeito, e ele deve ser cavalheiro, mas q.b.", diz a psicóloga.

Não aceitar de imediato o pedido de amizade também pode ser benéfico. "É a opção mais ponderada, promove um maior interesse em quem aguarda a resposta", afirma.

Deve ser transparente
Antigamente não se investigavam as fotografias do Facebook, os relacionamentos passados e nem se descobria onde é que ele/ela trabalhava através do LinkedIn. Neste momento, tudo isso é possível. Por isso, não vale a pena inventar ou esconder.

"É frequente que se passe à marcação de um encontro após pouco tempo de comunicação. Até porque se antes os primeiros encontros tinham como objetivo a descoberta do outro, agora quando as pessoas se encontram já pouco há por descobrir, a maior parte da vida está online, à distância de uma pesquisa no Google", observa a psicóloga e terapeuta familiar Rita Fonseca de Castro.

Acabou a espera de três dias
Se gostou da pessoa com quem teve o primeiro encontro, o mais provável é não esperar nem um dia para lhe dizer isso. Tudo acontece à velocidade da luz. Quando André Nicolau, de 28 anos, entrou para a faculdade, em Lisboa, decidiu conversar no chat do Facebook com uma rapariga que estudava na mesma faculdade. "As coisas evoluíram e, em poucos dias, falávamos ao telefone quase todas as noites", conta. Passados dois dias começaram os encontros. Apenas 48 horas de espera.

A psicóloga Rita Fonseca de Castro conta que as apps de encontros e as redes sociais dão a ideia de que há mais escolha. "Existe uma maior flexibilidade, rapidez, com uma perceção de que não há tempo a perder. Com as redes sociais há uma volatilidade em todo o processo de sedução, alicerçada na ideia de que, se a pessoa X demorar muito tempo a responder, hesitar em marcar um encontro ou for mais resistente a um envolvimento físico, existirá todo um restante abecedário disponível, igualmente atrativo e interessado em conquistar e ser conquistado."

Contas a dividir
Será que hoje em dia o primeiro encontro ainda é importante? A psicóloga Vera Ribeiro diz que ainda existem algumas normas a ter em conta. "Todos querem surpreender o outro pela positiva e querem que seja especial, porque isso traduz o interesse que se tem pelo outro."

O primeiro encontro entre Raquel e Luís aconteceu passado cerca de um mês de se terem cruzado na discoteca. "Ele combinou o jantar e eu escolhi o sítio. Fomos ao sushi", revela Raquel. E quando chega o momento de pagar a conta, quem deve fazê-lo? "Quem paga é quem convida. Ficará bem depois, numa outra oportunidade, ser o outro a convidar para que fique equilibrado", diz Vera Ribeiro.

Mas Rita Fonseca de Castro acredita que depende da ocasião. "Se estivermos a falar de ir beber um café ou um copo, existem alguns homens que fazem questão de pagar num primeiro encontro até porque fazem desse gesto um pretexto para marcação de novo encontro – ‘para a próxima pagas tu’. Já se estivermos a falar de um jantar, por exemplo, é frequente que a conta seja dividida." Foi o que Raquel e Luís fizeram. "Ele queria pagar, mas eu não deixei. Insisti mesmo e ele acabou por ceder", conta Raquel.

Avançar no primeiro encontro
Quase metade dos millennials (a geração nascida nas décadas de 80 e 90) acredita que ter sexo ajuda a perceber se a relação vai funcionar ou não. Um estudo do site de encontros Match revela que é três vezes mais provável que o sexo casual se torne num relacionamento mais sério e que os millennials têm 48% mais de probabilidade de ter relações sexuais para perceber se há uma ligação entre os dois.

"Em relação ao envolvimento sexual, este é muitas vezes uma forma de testar se existe atracão física que justifique e promova novos encontros, ao invés de surgir como uma consequência dessa mesma atracão, constatada através de conversas e movimentos mais subtis. Se o relacionamento sexual não for satisfatório, será normal que nunca mais voltem a comunicar, passando a novos processos de conquista", diz a terapeuta familiar Rita Fonseca de Castro.

Raquel Teixeira não foi tão longe, mas o primeiro beijo foi logo no primeiro encontro. "Não estava nada à espera, mas a partir daí nunca mais nos largámos." Em 2019 não há tempo a perder.
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