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Amigdalite: os sintomas, como prevenir e como se trata

A dor, a febre e a dificuldade em engolir costumam ser os primeiros sintomas de uma infeção na garganta.
Por Vanessa Fidalgo 27 de Fevereiro de 2020 às 01:30
As amigdalites podem ser bacterianas ou virais mas são sempre transmitidas pelo ar
As amigdalites podem ser bacterianas ou virais mas são sempre transmitidas pelo ar FOTO: Getty Images
A amigdalite é a inflamação das amígdalas, duas estruturas arredondadas e carnudas situadas nas extremidades entre o céu da boca e a língua. São as amígdalas que protegem a garganta contra a invasão de micro-organismos mas, por vezes, também adoecem.

"A maior parte das amigdalites virais e bacterianas são transmitidas pelo ar. Algumas pessoas têm um sistema imunitário menos eficaz no combate a estas infeções, nomeadamente pelas características do agente que infeta as amígdalas. Um dos temas mais atuais é a capacidade que alguns organismos têm de enganar o sistema imunitário ou a produção de um biofilme, que provoca a infeção crónica", explica Leonel Luís, otorrinolaringologista na Clínica de Santo António, Amadora.

Ainda assim, a cirurgia para retirar as amígdalas não se faz com tanta frequência como antigamente. "Hoje em dia as amigdalites com indicação cirúrgica são as muito frequentes (mais de seis episódios num ano, quatro episódios por ano em dois anos consecutivos ou três episódios por ano em três anos consecutivos). Operam-se também as amigdalites complicadas de abcesso e as muito grandes que, nas crianças, causam ressonar e paragens respiratórias", especifica.

Quando se sente dor de garganta, Leonel Luís recomenda a ingestão de líquidos frios (não gelados) ao invés de comida e bebidas muito quentes, o recurso a anti-inflamatório não esteroide (como o ibuprofeno) e o repouso.

SINTOMAS
Dor aguda
A dor, sobretudo quando associada à dificuldade em engolir e em falar, é o sintoma mais evidente de uma amigdalite.

Tamanho
Quando estão inflamadas, as amígdalas aumentam significativamente de tamanho e ficam avermelhadas, podendo ter pus.

Gânglios linfáticos

O aumento dos gânglios linfáticos em redor do pescoço é também um sinal de infeção na garganta.

Febre e cansaço
Muitos dos sintomas da amigdalite são comuns aos da gripe: dores no corpo e de cabeça, cansaço, prostração, mau hálito, rigidez no pescoço e falta de apetite. A febre é sempre mais alta (e/ou sobe de forma repentina) se a infeção nas amígdalas for de origem bacteriana.

Dificuldade respiratória
A dificuldade em respirar, nomeadamente associada a roncopatia e paragens respiratórias durante o sono, e a dificuldade em falar (a voz de "batata quente" na boca) são alguns dos sinais de alarme que requerem a observação urgente por um médico.

PREVENÇÃO
Medidas convencionais
Para a maior parte da população a prevenção passa por manter os cuidados gerais de saúde: alimentação cuidada, higiene adequada e evitar o contacto com pessoas doentes com amigdalite.

Prevenção
Também é recomendável evitar o fumo do tabaco, mudanças bruscas de temperatura e a frequência de lugares fechados e repletos de gente, especialmente durante o inverno. A vacinação e a toma de vitaminas podem também ajudar a prevenir o aparecimento de uma amigdalite.

A cirurgia
Em algumas circunstâncias a alta recorrência de episódios de amigdalite (na infância ou fase adulta) poderá somente ser resolvida com a retirada cirúrgica das amígdalas. Mas o procedimento exige uma criteriosa análise por parte do médico, pois também comporta riscos.

O MEU CASO
"Prevenção resultou comigo"
"Costumava ter muitas amigdalites, sempre com muita dor e febres altas", conta Ana Oliveira, 40 anos. "Passei a fazer um tratamento de reforço do sistema imunitário e prevenção de infeções respiratórias e resultou", explica.

COMO SE TRATA
As amigdalites virais, mais frequentes, tratam-se com medidas gerais, como a ingestão de líquidos e anti-inflamatórios. As amigdalites bacterianas tratam-se com antibióticos (geralmente à base de penicilina). "O tratamento das amigdalites de repetição é geralmente cirúrgico, com a remoção total ou parcial das amígdalas. A remoção parcial das amígdalas, eficaz em 96% dos casos, é cada vez mais a opção escolhida, pois é muito menos dolorosa, tem uma recuperação muito mais rápida e com menos complicações", afirma Leonel Luís.
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