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Pé de atleta: saiba reconhecer os sintomas e como prevenir a doença

Ao contrário do que geralmente se pensa, o pé de atleta não é altamente contagioso: é preciso que as condições ambientais o favoreçam.
Por Vanessa Fidalgo 21 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Pé de atleta
Pé de atleta FOTO: Getty Images
O famoso pé de atleta é o termo utilizado para uma condição dermatológica em que a pele entre os dedos dos pés e na planta fica vermelha ou esbranquiçada, com descamação, provocando comichão. Mas de acordo com Leonor Girão, dermatologista, na realidade o pé de atleta corresponde a "uma infeção da pele", em geral, por fungos, podendo, no entanto, haver também bactérias envolvidas.

"O Mundo em que vivemos não está esterilizado. Há uma quantidade enorme de micróbios (bactérias, fungos, vírus) que coabitam connosco na nossa pele e que existem também na natureza. Quando o nosso equilíbrio cutâneo é alterado (se tivermos feridas ou fissuras entre os dedos, traumatismos do calçado, traumatismos das unhas por manicura ou desporto) associados a maior transpiração ou humidade nos pés (provocada por calçado mais oclusivo ou má secagem dos pés após o banho), os fungos aproveitam e entram em contacto com as estruturas mais profundas da pele e causam as chamadas micoses, ou seja, infeções fúngicas dos pés", afirma a especialista.

A doença não é assim tão contagiosa mas há pessoas mais atreitas: "Quem tem uma deficiente vascularização (insuficiência venosa ou arterial) ou enervação (como no caso dos diabéticos) pode ter mais microferidas na pele, o que proporciona a entrada dos fungos", diz. Usar calçado muito apertado e fechado também constitui maior risco.

SINTOMAS
Descamação
O primeiro sintoma do pé de atleta é geralmente a descamação da pele, sobretudo entre os dedos dos pés.

Cor
Depois da descamação, a pele começa a ficar avermelhada ou esbranquiçada (macerada). Pode estender-se à planta do pé.

Comichão
Além da visível alteração do aspeto, as áreas infetadas podem provocar prurido, de moderado a bastante intenso.

Vesicular
É a forma mais grave e menos comum do pé de atleta e afeta sobretudo a população diabética: formam-se pequenas bolhas no peito e na planta do pé, que podem rebentar e causar feridas. Neste caso, o paciente deve recorrer ao médico, a fim de eliminar as causas que provocam a infeção.

Noutras partes do corpo
Mais raramente, a doença pode também afetar os tornozelos, os calcanhares, a parte lateral do pé ou as pernas, e até pode passar para as mãos e as unhas por contacto direto. Estas últimas apresentam-se descoloridas, grossas, moles e também mais quebradiças.

PREVENÇÃO
Secagem
A melhor prevenção consiste em secar bem os pés (inclusive entre os dedos) após o banho.

Antitranspirante
Ao longo do dia deve-se tentar manter os pés secos dentro do calçado. Caso seja necessário, um antitranspirante pode dar uma boa ajuda.

Higiene
Sempre que possível deve-se optar por meias de algodão. Arejar o calçado e lavá-lo (se possível) também é importante.

Integridade
Aplicar um hidratante específico nos pés também ajuda a pele a manter a sua integridade.

Evitar feridas
O calçado também deverá estar bem adaptado à forma do pé, de forma a não causar fricção ou traumatismos desnecessários.

COMO SE TRATA
Não só na fase da prevenção mas sobretudo durante o tratamento é preciso ter cuidados adicionais, como o uso de calçado e meias secas, optar por meias de algodão, etc. A estes cuidados, que evitam a propagação dos fungos e bactérias, devem somar-se o tratamento com antifúngicos (creme, pó ou orais), consoante a extensão ou gravidade do problema. Por vezes, é necessário aplicar produtos dermatológicos secantes ou calmantes (sobretudo se houver prurido) e, caso haja infeção bacteriana, associar antibióticos tópicos.

TOME NOTA
Diabéticos devem ir ao médico
De acordo com a dermatologista Leonor Girão, o médico deve ser procurado "sempre que há queixas", pois "não basta tratar a infeção". É necessário corrigir os fatores desencadeantes, "sobretudo nos diabéticos", esclarece.n
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