Barra Cofina

Sida: Como prevenir e tratar a doença

Evolução da medicina levou à criação de medicação que é altamente eficaz no combate ao vírus do VIH.
Por Ana Maria Ribeiro 1 de Fevereiro de 2020 às 01:30
'VIH e os Afetos' é o nome do questionário
Portugal atingiu as três metas definidas pela ONU no controlo da infeção VIH/Sida
Em 2011 foram distribuídos cerca de 5,4 milhões de preservativos masculinos, enquanto no ano passado esse número caiu para 2,4 milhões
'VIH e os Afetos' é o nome do questionário
Portugal atingiu as três metas definidas pela ONU no controlo da infeção VIH/Sida
Em 2011 foram distribuídos cerca de 5,4 milhões de preservativos masculinos, enquanto no ano passado esse número caiu para 2,4 milhões
'VIH e os Afetos' é o nome do questionário
Portugal atingiu as três metas definidas pela ONU no controlo da infeção VIH/Sida
Em 2011 foram distribuídos cerca de 5,4 milhões de preservativos masculinos, enquanto no ano passado esse número caiu para 2,4 milhões

É já do conhecimento comum que a infeção VIH/Sida deixou de ser uma doença mortal para se tornar, mercê dos avanços terapêuticos, numa doença crónica. Isto desde que seja diagnosticada precocemente e que a terapêutica seja tomada corretamente. Mas Mafalda Guimarães, médica de medicina interna do Hospital de Cascais e especialista da área, diz que há mitos que persistem em torno da infeção e que é preciso combatê-los. Atualmente, esta é uma doença transmitida, na maior parte dos casos, por via sexual.

"Os toxicodependentes, graças ao programa de troca de seringas e ao programa de substituição com metadona, nos quais Portugal foi um exemplo a nível internacional, representam um número mínimo de novos casos", diz Mafalda Guimarães. "Menos informados estão os jovens, que não viveram a epidemia, e a população mais velha, que tem uma vida sexual ativa mas não se perceciona como estando em risco." Segundo a médica, o fundamental é fazer um diagnóstico precoce. O ideal era estendê-lo a toda a população.

"Fazer o rastreio da infeção VIH/Sida tem de se tornar banal, porque hoje há medicação eficaz e não temos problema em controlar o vírus", revela. "Um doente diagnosticado é encaminhado para o tratamento – é bom para ele mas também para a saúde pública. Com os medicamentos, conseguimos baixar a carga viral a níveis tão baixos que deixa de ser detetável e sexualmente transmissível."

SINTOMAS
Uma doença silenciosa
A infeção pelo VIH raramente é percetível. Em cerca de 30% dos casos, nos dez a quinze dias após o contágio, há um período febril curto, sem características especiais, que identifiquem claramente a doença. A pessoa interpreta os sintomas como se se tratasse de uma mera gripe.

Evolução é lenta Após a infeção, a SIDA tem um longo período de evolução silenciosa e não costuma provocar perturbações. Nesse período, o vírus instala-se, começa a invadir e a destruir os linfócitos (células responsáveis pelas nossas defesas) e a multiplicar-se. Se não fizer análises, o portador não sabe que está doente e torna-se um potencial foco de infeção: pode transmitir a doença.

Descobre-se tarde O portador do vírus só começa a ter sintomas do VIH normalmente ao fim de oito ou dez anos, dependendo do seu estado de saúde e capacidade do organismo de contrariar a doença. Começa, então, a perder peso, e pode sofrer diarreias. As defesas do organismo entram em colapso e o indivíduo fica sujeito às chamadas infeções oportunistas, que o debilitarão.

PREVENÇÃO
Ainda não há vacina
Há muito que se fala do assunto, mas apesar da investigação científica em torno da Sida ainda não foi possível encontrar uma vacina eficaz contra o vírus. No final do ano passado, um laboratório anunciou que estava a desenvolver uma substância capaz de neutralizar o VIH. A mesma farmacêutica garantiu que os testes começam neste ano.

Preservativo é obrigatório
A prevenção desta doença passa pela adoção de medidas como o uso de preservativo. Deve-se, também, evitar o contacto direto com sangue ou produtos derivados. Neste momento, já não faz sentido falar-se em grupos de risco mas sim em comportamentos de risco. Ter muita informação e usar do bom senso permitem, na maior parte dos casos, manter este vírus à distância.

O MEU CASO
Jorge descobriu, por acaso, em 2008, que era portador de VIH. "A médica de família perguntou-me se podia marcar análises de despistagem e eu disse que sim."

Quando veio o resultado foi um susto. Mas Jorge garante que não fez drama da situação. "Tenho por hábito, na vida, não me deixar abater pelos problemas. Informei-me imediatamente do que havia a fazer e comecei o tratamento assim que possível."

Na associação Abraço encontrou "uma família" que o apoia "em tudo" e hoje, aos 55 anos, tem a doença controlada. "Tomo um medicamento por dia, que praticamente não tem efeitos secundários", conta.

"Convivo com a doença, com tranquilidade, embora não fale sobre o assunto. Só um tio e um amigo é que sabem", conclui.
Notícias Recomendadas
Saúde de A a Z

Iniciativas na luta contra o cancro da mama que fazem a diferença

Outubro é o mês de sensibilização na Luta Contra o Cancro da Mama. Juntámos algumas iniciativas para apoiar uma a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de uma doença que é de todos, pois afeta homens e mulheres, e em última instância as famílias.