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Tumor na bexiga: O que é, quais os sintomas e como prevenir

Diagnóstico não é uma sentença de morte mas é conveniente que a despistagem da doença seja feita o quanto antes.
Por Ana Maria Ribeiro 5 de Março de 2020 às 01:30
Doença atinge muito mais os homens do que as mulheres e provoca problemas em urinar
Doença atinge muito mais os homens do que as mulheres e provoca problemas em urinar FOTO: Getty Images
Os doentes afetados por um tumor na bexiga "reagem quase sempre como se de uma sentença de morte se tratasse", diz Fernando Calais da Silva, urologista do Hospital da Luz (Lisboa). Mas não é o caso. "As notícias de morte de pessoas conhecidas e mesmo na nossa família são ampliadas", mas saber que se tem a doença "não é sentença de morte".

"A taxa de sobrevida nos homens, aos 5 anos de seguimento, é de 55%, e nas mulheres, de 65%", garante o especialista, acrescentando que o timing do diagnóstico é fundamental. O cancro da bexiga divide-se em três grandes grupos: o superficial (penetra pouco na parede da bexiga), com uma taxa de sobrevida de 90%; o invasivo, que atinge a camada muscular da bexiga, é muito mais grave e tem um risco muito maior de criar metástases (tem uma taxa de sobrevida aos 5 anos de 30 a 50%); e, por último, os doentes que já apresentam metástases e que sobrevivem entre seis a 24 meses.

Fernando Calais da Silva sublinha que o tabaco é o principal causador do cancro na bexiga, mas que muitas vezes nem um diagnóstico positivo consegue levar os pacientes a largar o vício. No entanto, há histórias com final feliz. "Tive um doente com cancro da bexiga em estado avançado a quem fizemos quimioterapia, cirurgia radical e novamente quimioterapia de investigação – por se tratar de um cancro muito agressivo – e que ao fim de 10 anos continuo a seguir – sem doença e com boa qualidade de vida", conta.

SINTOMAS
Sangue na urina
Os sintomas deste tumor não são exclusivos e podem aparecer noutras doenças, nomeadamente nas infeções. O facto de ter um ou mais dos sintomas aqui descritos não significa que tem cancro da bexiga, mas um sinal de alerta é a urina no sangue, que pode ter uma cor mais escura ou viva do que o habitual.

Problemas em urinar
Outro dos sinais possíveis desta doença cancerígena é a ocorrência de dor ao urinar, uma vontade de urinar que o doente não consegue satisfazer e a necessidade de urinar com mais frequência. Atenção: estes sintomas podem ocorrer noutras doenças do trato urinário como infeção, presença de cálculos ou pedras na bexiga, bexiga hiperativa ou aumento da próstata nos homens.

Dor lombar
No tumor da bexiga, é comum o doente sentir dores na região lombar. Também neste caso, eis um sintoma comum a outras patologias, pelo que é conveniente consultar um médico para eliminar as dúvidas. Para detetar o tumor na bexiga é preciso realizar um exame físico: o médico faz um teste retal ou vaginal (no caso das mulheres) para palpar e/ou determinar o tamanho do tumor.

PREVENÇÃO
Eliminar o tabaco
O tabaco constitui o principal fator de risco da doença. Os fumadores apresentam três vezes mais probabilidade de virem a desenvolver cancro da bexiga do que os não-fumadores. O tabaco tem substâncias tóxicas que são processadas pelo corpo e chegam à bexiga através da urina.

Evitar os químicos
É conveniente evitar-se o contacto com substâncias químicas, pelo que os trabalhadores da indústria têxtil, petrolífera ou da imprensa, os pintores e os cabeleireiros, porque estão expostos a substâncias tóxicas, devem tomar cuidados extra.

Radiação é perigosa Doentes sujeitos a tratamento com radioterapia para outros tumores apresentam maior probabilidade de virem a desenvolver cancro da bexiga.

COMO SE TRATA 
O tratamento da doença pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, tratamentos intravesicais ou imunoterapia. O tipo de tratamento escolhido varia de acordo com diversos fatores, incluindo: o estado geral do doente, a idade, o estádio do tumor, a existência de infiltração dos tecidos adjacentes ou de metástases, a preferência do doente e os possíveis efeitos secundários. Ao tomar decisões sobre o tratamento, o doente pode ainda considerar a possibilidade de participar num ensaio clínico para testar novos medicamentos.
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