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Unha encravada: os sintomas, as causas e como se trata

Desportistas e pessoas que usam sapatos pontiagudos correm maior risco de ficar com as unhas encravadas.
Por Miguel Balança e Vanessa Fidalgo 26 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Apesar de ser um problema frequente, o tratamento pode implicar uma  intervenção cirúrgica
Apesar de ser um problema frequente, o tratamento pode implicar uma intervenção cirúrgica FOTO: Getty Images
A onicocriptose, ou a popular unha encravada, é uma doença causada pelo crescimento de um ou ambos os cantos da unha "para dentro da carne", conforme descreve Franz Walter Boensch, cirurgião no Centro Médico do Pé da Clínica Paincare.

O problema afeta, normalmente, o dedo grande do pé, e pode acontecer em qualquer faixa etária. É no entanto mais comum nos homens do que nas mulheres.

"Eles estão mais associados à prática de atividades desportivas com maior tendência para lesionar as unhas, como o futebol ou a corrida", explica o especialista. No caso das mulheres, o uso de sapatos pontiagudos e apertados mostra-se o maior dos inimigos de um pé saudável.

O tratamento definitivo para tratar unhas encravadas é uma pequena intervenção cirúrgica, com anestesia local no dedo afetado, na qual é apenas removida a parte encravada da unha. "Em nenhum caso deve ser extraída a totalidade da unha", avisa o médico Franz Boensch.

A cirurgia demora cerca de 15 minutos por cada dedo afetado e não implica nenhum corte na pele.

"Regra geral, o doente costuma reportar uma sensação de alívio imediato, já que deixa de existir fricção entre a pele inflamada e a unha. Além disso, não consegue fazer as suas atividades normais, desportivas ou profissionais, pois cada movimento provoca fricção entre a unha encravada e a pele", conclui o especialista.

SINTOMAS
Dores e inflamação
Uma vez que os cantos da unha fazem fricção em cada passo com os tecidos moles do dedo, este processo provoca muitas dores, inflamação, vermelhão e inchaço.

"Carne esponjosa"
Outra das complicações da unha encravada é o aparecimento do granuloma piogénico, conhecido como carne esponjosa, que além de provocar muitas dores tem tendência a sangrar facilmente.

Vergonha
Além de ser uma condição que provoca dor intensa, quem sofre de unhas encravadas tem vergonha devido ao aspeto e cheiro da área infetada da unha.

Mobilidade
A dor provocada pela unha encravada acaba por fazer com que o paciente evite andar ou que o faça de uma forma incorreta, o que pode provocar dores nas costas, musculares ou até mesmo lesões.

Obstrução
Conforme a unha vai crescendo, a pele em redor expande-se e pode cobrir totalmente o canto da unha. Com o tempo e o agravamento da infeção pode haver drenagem de pus.

PREVENÇÃO
Cortar em linha reta
A prevenção passa por evitar cortar os cantos da unha, estas devem ser cortadas em linha reta e não devem ser cortadas muito rente à pele.

Sapatos apertados
No caso do calçado, devem ser evitados sapatos muito apertados à frente e que provoquem pressão nos dedos.

Joanetes
Caso o doente sofra de deformações ósseas como joanetes, essas condições devem ser adicionalmente corrigidas cirurgicamente.

Idosos
No caso das pessoas mais idosas e com dificuldade em cortar as unhas, podem consultar podologistas, que são profissionais habilitados para essas situações.

COMO SE TRATA
A intervenção para o tratamento da unha encravada consiste numa combinação de dois procedimentos, nomeadamente a cantoplastia e a matricectomia química.

"A cantoplastia é a desobstrução e remoção da parte da unha que está encravada e a matricectomia química visa bloquear a matriz da parte da unha que está encravada. Uma vez que as células da raiz da unha são obliteradas, o problema fica resolvido de uma vez por todas e não aparece mais. É importante salientar que um procedimento não deve ser feito sem o outro", frisa o médico.
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