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Apenas 27% conhece sintomas de cancro da cabeça e pescoço, avança estudo

Estudo envolveu inquiridos de cinco países, entre os quais Portugal. 38% admitiram nunca ter ouvido falar deste tipo de tumor.
Por Lusa 21 de Setembro de 2020 às 08:04
Cancro
Cancro FOTO: Getty Images
Apenas 27% dos inquiridos num estudo que envolveu cinco países, entre os quais Portugal, disseram conhecer os sintomas do cancro da cabeça e do pescoço e 38% admitiram nunca ter ouvido falar deste tipo de tumor.

O inquérito, esta segunda-feira divulgado, foi promovido em cinco países (Alemanha, Itália, Polónia, Portugal e Turquia) pela Sociedade Europeia de Cabeça e Pescoço, no âmbito da campanha 'Make Sense' e da Coligação Europeia de Doentes com Cancro e envolveu mais de 5.700 pessoas.

O estudo pretendeu saber o conhecimento da comunidade sobre os sinais de alerta deste tipo de cancro, que inclui qualquer tumor na região da cabeça ou pescoço, incluindo o da boca, língua, garganta e laringe, que mata três pessoas por dia em Portugal.

"O inquérito foi feito nos últimos meses (...) e o que se descobriu é que realmente é transversal aos vários países que a população está muito pouco alerta e ensinada para estes sinais, o que é assustador", disse à agência Lusa a oncologista Ana Joaquim, do Grupo de Estudos do Cancro da Cabeça e do Pescoço.

Desafiados a identificar, a partir de uma lista, os sintomas que correspondem a este tipo de cancro, 58% dos inquiridos apontaram corretamente a presença de um caroço no pescoço, 38% dor ao engolir, 26% sangramento frequente do nariz, 21% manchas vermelhas ou brancas na boca e 12% nariz entupido com frequência.

Em média, apenas 45% admitiram visitar um profissional de saúde na presença de um destes sintomas durante três ou mais semanas, apesar de ser esta a medida recomendada pelos especialistas.

"Situação que se agrava ainda mais em tempos de Covid-19, que tem afastado as pessoas dos serviços de saúde. Atualmente, quase 30% dos inquiridos revelaram ser menor a probabilidade de marcarem uma consulta", refere o estudo.

Estes dados preocupam os especialistas, advertindo que pode estar a enfrentar-se "uma verdadeira 'bomba relógio' no que diz respeito aos atrasos no diagnóstico desta doença, que pode ser fatal".

Apenas 57% e 31% dos entrevistados identificaram que fumar e consumir bebidas alcoólicas são fatores de risco, apesar de serem as principais causas deste tipo de cancro.

Só um em cada cinco participantes conseguiu identificar o HPV, uma infeção sexualmente transmissível, como fator de risco, e apenas um quarto sabia que ter mais de 40 anos aumenta o risco da doença. Apenas 5% reconheceram o facto de se ser homem como fator de risco.

Os resultados deste inquérito servem de mote para os vários países realizarem várias ações.

"Em Portugal, também o vamos fazer de forma a sensibilizar as pessoas para a importância de darem valor a esses sinais e também aos fatores de risco que levam à doença", disse Ana Joaquim.

"Esta é uma doença que habitualmente se manifesta e que a pessoa consegue identificar", ao contrário de outro tipo de cancro, como o do pâncreas, "e mesmo assim a população geral não dá valor a esses sinais", lamentou.

Ana Joaquim elucidou que se a doença for diagnosticada precocemente, "o tratamento é habitualmente simples" e a taxa de cura é "de 80 a 90%", mas se for numa "fase mais tardia, o tratamento é muito mais complexo, muito mais mutilante, e a taxa de cura desce para menos de 50%".

Contudo, dois em cada três casos ainda são diagnosticados em fase avançada.

O inquérito é divulgado no âmbito da 8ª Semana de Sensibilização para o Cancro de Cabeça e Pescoço, que decorre entre 21 e 25 de setembro, que deixa o apelo: "Fique atento ao cancro de cabeça e pescoço: não demore mais e procure ajuda médica na presença dos sintomas - hoje é o dia."

A campanha é assinalada em Portugal com a iniciativa 'KM Solidários - Um passo Pela Prevenção do Cancro da Cabeça e do Pescoço', em associação com o programa OncoMove®, que desafia os portugueses a fazerem quilómetros pela prevenção deste tumor, o sexto mais comum na Europa, com cerca de 160.000 pessoas diagnosticadas anualmente.

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