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Antártida, o único continente (ainda) livre da Covid-19

A pandemia passou um pouco ao lado do território no pólo Sul do planeta até agora, mas todos os cuidados são tomados para evitar um surto numa zona onde os cuidados médicos são limitados.
2 de Novembro de 2020 às 18:28

A Antártida é atualmente o único continente sem nenhum caso positivo do novo coronavírus. As equipas que chegaram ao continente em outubro do ano passado passaram ao lado da pandemia. "Podemos esquiar, socializar normalmente, correr, ir ao ginásio, fazer tudo dentro do razoável" disse Rob Taylor, guia de campo da Rothera Research Station, estação de pesquisa britânica, à Associated Press.

Mas agora, com a chegada da primavera, todos os países com bases locais vão ter de enviar novas equipas de investigação para o continente.

Para as novas equipas que vão chegar à Antártida, o dia a dia não vai ser muito diferente do que era antes da pandemia.  Após realizarem um período de quarentena antes da chegada, todas as pessoas no continente vão ser consideradas livres da Covid-19.

Impedir que Antártida tivesse o seu primeiro caso de coronavírus tem sido uma prioridade de máxima importância para os países que têm bases de investigação no continente.

Mesmo numa situação de não pandemia, poucas pessoas têm permissão para entrar e sair da Antártida, pois esta não tem a capacidade de dar resposta a um contágio devido à limitação e dificuldade de acesso a serviços médicos.

Se por um lado a Covid-19 tem agitado algumas relações diplomáticas, no Pólo Sul houve uma articulação atempada entre países, incluindo os Estados Unidos, a Rússia e a China.

O Conselho de Gerentes de Programas Antárticos Nacionais (COMNAP, em inglês Council of Managers of National Antarctic Programs), constituído por 30 países, tem trabalhado para reduzir as probabilidades de uma infeção chegar ao continente, incluindo reduzir o tamanho das equipas e limitar o número de pessoas em cada estação de estudo.

Muitos destes investigadores vão ter de trabalhar à distância, longe do continente, através de sensores remotos e da utilização de dados e amostras recolhidas em anos anteriores.

Esta redução no número de cientistas no continente, que vai controlar o risco de um surto, também perturba investigações importantes.

Não é incomum os programas de investigação da Antártida terem algum tipo de interrupções todos os anos, devido a tempestades, gelo marinho, problemas mecânicos em zonas remotas, mas nunca antes foram cancelados projetos em tão grande escala.

Desde a observação de estrelas, à pesquisa de partículas fundamentais, passando pelo estudo de uma das espécies mais carismáticas da natureza, a Antártida é um foco importante para a comunidade científica. O continente é também crucial para entender melhor as alterações climáticas.

Nancy Bertler, diretora  da Plataforma de Ciência do Ártico na Nova Zelândia diz que "temos apenas mais alguns anos para fazer mudanças significativas para evitar as piores consequências das alterações climáticas, e não podemos esperar um ano", alerta à revista National Geographic.
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