Barra Cofina

Saiba quais as doenças que agravam o estado de saúde de pessoas infetadas com coronavírus

Asma, diabetes, hipertensão e outras doenças crónicas são fatores de risco, além da idade avançada.
Por Aline Fernandez 20 de Março de 2020 às 15:44
FOTO: Annie Spratt | Unsplash

As autoridades de saúde têm alertado desde ao início da pandemia do novo coronavírus que há alguns fatores, além da idade avançada, que podem contribuir para o desenvolvimento de formas graves de Covid-19.

Alguns pacientes que contraíram o novo vírus, além de serem idosos, tinham doenças que contribuíram para agravar a sua situação frágil. Doenças que desgastam o sistema imunológico, o que consequentemente reduz a capacidade de defesa do organismo, permitindo assim que o vírus se espalhe pela corrente sanguínea e chegue mais rapidamente ao pulmão, agravando a sua inflamação.

Ou seja, quem sofre de algumas das doenças em baixo, deve ter maior precaução que o habitual. De notar que todas as pessoas que já têm alguma das doenças listadas têm maiores probabilidades de ficar gravemente doentes se apanharem o Covid-19, mas nenhuma delas são mais propensas a serem infetadas do que qualquer outra pessoa. A melhor prevenção é ficar em casa as restrições sociais também se aplicam a todos que receberam a vacina contra a gripe.

Asma ou problemas pulmonares

Esta pandemia é uma doença respiratória e, por isso, este grupo deve ter maior atenção. A capacidade deste novo vírus de afetar o pulmão exige, obviamente, um cuidado maior de quem já tem esse órgão debilitado. Da mesma forma, especialistas já alertaram que um dos sintomas do novo coronavírus é provocar infeções respiratórias, o que pode desencadear e agravar os sintomas de asma. Para quem sofre de asma, o conselho é seguir a aplicação diária da dose prescrita do inalador preventivo, para contribuir na redução do risco de um ataque asmático.

Diabetes

A diabetes ataca os neutrófilos, o tipo de glóbulo branco mais numeroso no corpo, responsável pela defesa diante das bactérias e dos vírus. Esses glóbulos produzem enzimas que eliminam quaisquer "invasores", mas se estão enfraquecidos, o organismo não consegue destruir o novo coronavírus tão rapidamente quanto necessário.

Hipertensão

Pelo mesmo motivo da diabetes, pois também debilita os neutrófilos. Quanto mais mal controladas e de longo prazo, ou seja, quanto maior o período tempo em que o doente sofre de hipertensão (ou diabetes), pior funcionarão os neutrófilos. Assim sendo, o vírus Covid-19 alastrar-se-á e por isso atingirá mais órgãos, nomeadamente o pulmão.

Cancro

A maioria dos tratamentos de combate ao cancro enfraquecem o sistema imunológico do paciente, mesmo passado muito tempo após os tumores serem eliminados. Por esta razão, todas as pessoas que têm cancro ou tiveram recentemente estão mais vulneráveis ao novo coronavírus.

Demência e outros problemas neurológicos

Por causa da sua maior vulnerabilidade, as pessoas com problemas neurológicos não percebem ou não têm força para cuspir ou tossir a grande quantidade de secreção respiratória que se acumula na garganta, e acabam por aspirá-las para o pulmão, levando as bactérias para dentro o organismo.

Doenças cardiovasculares

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia emitiu um comunicado no qual adverte que todas as pessoas com doenças cardiovasculares, tal como os idosos – grande parte deles frequentemente portadores dessas doenças constituem um grupo com maior risco de contrair a infeção pelo Covid-19. Há um acréscimo significativo de complicações e de mortalidade que pode atingir 10,8% comparada com 2,5% da população infetada em geral, alertam os especialistas nacionais.

Isso acontece, entre outras razões, porque um coração já doente precisa de trabalhar ainda mais para bombear sangue oxigenado pelo corpo. Um estudo publicado este mês na revista Springer Nature analisou 150 pacientes com o novo coronavírus na cidade de Wuhan, na China, local onde se registaram os primeiros casos da doença. A publicação confirma que casos infetados "com doenças cardiovasculares têm um risco significativamente maior de morte ao contrair o novo coronavírus."

O mesmo acontece com os doentes oncológicos, pessoas com dificuldades respiratórias crónicas, diabetes ou hipertensão arterial. "As complicações cardíacas associadas à infeção por Covid-19 são aproximadamente idênticas às produzidas pelos vírus SARS, MERS e influenza, contudo o Covid-19 apresenta contagiosidade muito maior e mais rápida, sendo que ao contrário da gripe por influenza ainda não existe vacina disponível", relembra Regina Ribeiras, vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

Doenças crónicas

A partir dos 60 anos, o sistema imunológico tende a deteriorar-se, aquilo a que se chama imunossenescência. Este fenómeno prejudica ainda mais a resposta do organismo aos vírus e bactérias. E não significa que o corpo irá reagir de maneira insuficiente, como também pode fazê-lo de forma exagerada, já que um sistema imunológico prejudicado não consegue modular corretamente a resposta de defesa e gera uma inflamação descontrolada. Tal vai, consequentemente, fragilizar o microambiente pulmonar, onde há sempre bactérias que até então estão em harmonia com o organismo e, diante de uma inflamação, podem proliferar-se. As células do sistema imunológico que devem apenas eliminar as células infetadas, neste contexto, acabam por atingir aquelas que estão saudáveis, o que acarreta ainda mais lesões.

Relacionadas
Notícias Recomendadas
Coronavírus

Mutações podem tornar a Covid-19 mais perigosa?

O novo coronavírus está a mudar em todo o mundo, Portugal incluído. E a mudança de material genético não é necessariamente má: ajuda a conhecer de onde veio o vírus, para onde vai, com que rapidez muda e se está a mudar para melhor, ou pior.