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Correio da Manhã

Boa Vida
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Percurso pelas verdejantes paisagens de Admeus

O lugar mais natural do País dá as boas-vindas a quem se aventura pelos trilhos da serra.
Secundino Cunha 19 de Outubro de 2017 às 09:00
Admeus, em Vilar da Veiga
Percurso ideal para fazer a pé ou de bicicleta
Admeus, em Vilar da Veiga
Trata-se de uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu
A presença humana no Parque Nacional da Peneda-Gerês, cujo longínquo início a Anta do Mezio atesta, foi-se consolidando ao longo dos séculos, sempre ancorada ao evoluir da agricultura
Convento e Santuário
Parque Nacional da Peneda-Gerês
Raça barrosã é autóctone do Parque da Peneda
Admeus, em Vilar da Veiga
Percurso ideal para fazer a pé ou de bicicleta
Admeus, em Vilar da Veiga
Trata-se de uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu
A presença humana no Parque Nacional da Peneda-Gerês, cujo longínquo início a Anta do Mezio atesta, foi-se consolidando ao longo dos séculos, sempre ancorada ao evoluir da agricultura
Convento e Santuário
Parque Nacional da Peneda-Gerês
Raça barrosã é autóctone do Parque da Peneda
Admeus, em Vilar da Veiga
Percurso ideal para fazer a pé ou de bicicleta
Admeus, em Vilar da Veiga
Trata-se de uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu
A presença humana no Parque Nacional da Peneda-Gerês, cujo longínquo início a Anta do Mezio atesta, foi-se consolidando ao longo dos séculos, sempre ancorada ao evoluir da agricultura
Convento e Santuário
Parque Nacional da Peneda-Gerês
Raça barrosã é autóctone do Parque da Peneda
As três grandes barragens - Caniçada, Vilarinho das furnas e Alto do lindoso - definem a paisagem de um território que há mais de um século conhece a produção de energia elétrica. Uma das muitas provas do quanto é multifacetado o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Trata-se de uma área de 72 mil hectares, reserva da biosfera, em que, a par das selvagens matas e florestas, denota a presença humana a cada passo, em marcas que vêm desde o V milénio A. C..

Exemplo paradigmático é o da Geira Romana, a estrada que no tempo de César Augusto ligava as cidades de Braga e Astorga, entre as milhas XXI e XXIV, ou seja, entre o Campo do Gerês e a fronteira da Portela do Homem. A estrada, em terra batida, marginal à albufeira de Vilarinho das Furnas, leva-nos por entre a Mata da Albergaria a troços de calçada e núcleos diversos de imperiais marcos miliários.

As antas, as mamoas e as inúmeras inscrições gravadas nas rochas, com destaque para o Mezio e Castro Laboreiro, confirmam mais de seis milénios de presença humana neste território que, talvez por milagre, tem preservado o essencial da sua beleza e importância natural e ambiental.

Atente-se que na Idade Média foram ali construídas fortalezas de defesa das fronteiras (castelos de Lindoso e Castro Laboreiro) e conventos de ordens laboriosas (Mosteiro Cisterciense de Pitões das Júnias) e, nos séculos que se seguiram à nacionalidade, inúmeras aldeias, igrejas e santuários.

A criação do Parque, em maio de 1971, foi fundamental para a preservação das espécies animais e vegetais e para a travagem da voracidade construtiva que se conheceu a seguir à Revolução de Abril.

O PNPG é um espaço de grande diversidade, onde é salutar o convívio do homem com a natureza. Há aldeias, monumentos, picos e vales, ribeiros e cascatas, verdadeiros pedaços de paraíso.

Estrada romana que é Caminho de Santiago  
A estrada da geira tem mais de dois mil anos e, no PNPG, contorna a albufeira de Vilarinho da Furna, abrigada pelas frondosas árvores da Mata da Albergaria. Integra o Caminho de Santiago, que liga Braga a Compostela. 

Aldeias de montanha ainda preservam vida comunitária
O pastoreio do gado já não se faz como há meio século, em que, na sua vez, cada família levava os animais de toda a aldeia para a serra. Mas ainda são muitos os povoados que mantêm claros sinais de vida comunitária.
Em Germil, concelho de Ponte da Barca, o fojo do lobo, que se vê da estrada, foi recuperado. Está naquelas pedras contada a história de quantas vezes os homens se juntaram para caçar o animal que dizimava os rebanhos.

Mais a norte, no Lindoso, ou no Soajo, os conjuntos de espigueiros em redor da eira lembram os tempos em que os carros de bois ali chegavam, vindos dos campos, carregados de milho, proporcionando longas noites de desfolhadas, em que todos faziam o trabalho de todos.

Se nos aventurarmos para os lados de Montalegre encontramos em várias aldeias o forno do povo. É o caso de Tourém, já quase Galiza a dentro. "Num dos extremos da aldeia está o Forno do Povo, da mais típica arquitetura, coberto com lajes de granito, símbolo da hospitalidade típica das gentes barrosãs e do seu comunitarismo vivo", escreve o padre Lourenço Fontes.

Há vivências e costumes que as gentes da serra teimam em não esquecer. E mais do que isso, em manter. É o caso da utilização das brandas e das inverneiras, como sucede em Castro Laboreiro. Durante o inverno, quando os picos se cobrem de neve, a família reside com os seus gados na ribeira. Na primavera, sobe tudo aos altos, instalando-se nas cardenhas, pastoreando e colhendo feno para o inverno.

A Mata da Albergaria é o coração do Parque
É, tudo indica, a mais importante área de reserva integral do Parque Nacional. A Mata da Albergaria é constituída, no essencial, por um carvalhal secular que inclui espécies características da fauna e flora locais. Preserva um troço da Via Romana - Geira - com as ruínas das suas pontes. 

Presença humana data de há 6 mil anos
a mamoa que se ergue junto à estrada que nos leva ao coração do Mezio, a porta de entrada do Parque Nacional no concelho de Arcos de Valdevez, revela que a presença humana neste território remonta pelo menos ao quinto milénio antes de Cristo. Mas os sinais gravados pelo homem na Pré-História vão muito além deste monumento megalítico. Quer no Mezio, quer noutras zonas, como, por exemplo, em Castro Laboreiro, em Melgaço. Dos vários vestígios pré-históricos existentes, o mais importante é, sem dúvida, a Necrópole do planalto. Trata-se da maior e mais importante do parque, estendendo-se por mais de 50 km2. Nessa área são visíveis cerca de 90 monumentos – 36 dos em território galego. É, aliás, a maior concentração de monumentos megalíticos da Península Ibérica e uma das maiores da Europa. 

A igreja também gosta dos lugares mais belos e selvagens
No século XII, os cistercienses perceberam que nos picos as orações chegavam mais depressa ao céu. Assim, edificaram um convento em Pitões das Júnias. Mais tarde, os fiéis ergueram um santuário na fraga da Peneda. 

As nascentes do paraíso 
A cascata da portela do homem, com as suas lagoas verde-esmeralda, é uma das mais procuradas das serras que integram o Parque Nacional da Peneda-Gerês – Gerês, Amarela, Soajo e Peneda. É aqui que nasce o rio Homem que, poucas centenas de metros a jusante, forma a albufeira de Vilarinho da Furna.

As cascatas constituem uma das maiores atrações desta área protegida, pontificando as da Portela do Homem, do Tahiti e do Arado.

Os trilhos pedestres, cada vez mais procurados por quem se aventura pelas encostas da serra, incluem os diversos pontos de interesse, incluindo as cascatas. Destaque para o percurso da Águia do Sarilhão, que nos leva ao chamado ‘Gerês de Miguel Torga’.

Nos pastos da serra resiste o gado de raça barrosã
é uma prática ancestral a que leva os pastores do Gerês a soltar os gados serra acima, esperando que o cair da noite os traga às cortes, que estão de portas abertas. Pastam pela fresca da manhã, bebem nos regatos que ainda lacrimejam nas encostas e, ao apertar do calor, deitam- -se à sombra, como quem espera que o sol se ponha. A autóctone raça barrosã conta boa parte do seu efetivo no parque. 
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