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Ano de pandemia superado com sucesso

O ano passado, a Adega de Pegões apostou no crescimento das vendas em súper e hipermercados e na diversificação da sua gama, o que contribuiu para manter a faturação ao nível de 2019. Este ano o negócio da empresa já cresceu 10% em Portugal e nos mercados asiáticos
8 de Agosto de 2021 às 08:58
Jaime Quendera, enólogo e diretor-geral da Adega de Pegões
Jaime Quendera, Mário Figueiredo, Maria Helena Oliveira e Carlos Pereira, os membros da direção da cooperativa
Vista aérea das instalações da Adega de Pegões, empresa que tem investido constantemente em tecnologia e no aumento da sua capacidade para responder à procura crescente do mercado
Jaime Quendera, enólogo e diretor-geral da Adega de Pegões
Jaime Quendera, Mário Figueiredo, Maria Helena Oliveira e Carlos Pereira, os membros da direção da cooperativa
Vista aérea das instalações da Adega de Pegões, empresa que tem investido constantemente em tecnologia e no aumento da sua capacidade para responder à procura crescente do mercado
Jaime Quendera, enólogo e diretor-geral da Adega de Pegões
Jaime Quendera, Mário Figueiredo, Maria Helena Oliveira e Carlos Pereira, os membros da direção da cooperativa
Vista aérea das instalações da Adega de Pegões, empresa que tem investido constantemente em tecnologia e no aumento da sua capacidade para responder à procura crescente do mercado

Após o primeiro embate da pandemia, que obrigou ao confinamento das pessoas em todo mundo, com consequências negativas no negócio das empresas, a Adega de Pegões procurou, ainda em março de 2020, retomar a atividade, vendendo mais em súper e hipermercados para compensar a perda das vendas resultante do fecho de restaurantes e hotéis. A mudança teve sucesso e contribuiu para a empresa recuperar de forma significativa no ano passado.

"2020 foi um ano completamente atípico", diz Jaime Quendera, diretor-geral e enólogo da Adega de Pegões. Conta que as vendas dos dois primeiros meses do ano passado estavam a correr muito bem, até que chegou março, mês do início do primeiro confinamento, que foi "o mais fraco de sempre de que me lembro". Era urgente gerir a crise gerada pela pandemia de Covid-19.

Vinhos de vinhas velhas

Nessa altura, a Adega de Pegões, que já estava bem implantada na Distribuição Moderna (súper e hipermercados), passou a apostar ainda mais nas vendas através desse canal, medida que compensou as perdas resultantes do fecho dos estabelecimentos do canal Horeca (hotelaria, restauração e cafés) e contribuiu para as vendas totais da empresa no ano terem sido apenas 3% inferiores a 2019.

Por outro lado, no período de confinamento houve um aumento na venda de vinhos das gamas mais altas, "porque as pessoas com níveis de vida mais elevados, que iam comer mais vezes aos restaurantes, não o puderam fazer e passaram a beber vinho em casa, e melhor", explica Jaime Quendera. Prevendo essa oportunidade, a empresa criou duas linhas de vinhos de vinhas velhas, de gamas mais elevadas, "cujas vendas correram muito bem".

Habitualmente o preço influencia a escolha dos portugueses, quando compram o vinho na prateleira. "Mas não foi isso que aconteceu em 2020, pelo menos com os nossos vinhos", conta Jaime Quendera, acrescentando que foi a disponibilidade de um volume significativo de vinhos de vinhas velhas da casta Castelão, produzidos pelos sócios da Adega de Pegões, que levou à decisão de lançar esta nova gama. "Vendeu mais de 100 mil garrafas o ano passado", revela o enólogo. Conta também que toda a equipa da empresa foi enviada para casa em março do ano passado, e explica que as vendas foram reativadas no fim do mês, o que obrigou à chamada de todas as pessoas ao trabalho. Depois, a Adega de Pegões nunca mais parou. Foram estabelecidos protocolos covid, para garantir a segurança de toda a equipa, que está até hoje a trabalhar em dois turnos.

Mercados asiáticos crescem

Ao nível internacional, a empresa teve quebras de venda significativas nos mercados asiáticos no ano passado, superiores a 50%, que foram parcialmente compensadas pelo crescimento nos mercados norte-americano e canadiano. A Adega de Pegões teve também quebras significativas nos seus principais mercados da Europa Central, como Alemanha, Inglaterra, Holanda e Bélgica, principalmente "no canal Horeca e wine bars", em que trabalha de forma muito significativa. Estas quebras foram "parcialmente compensadas pelos crescimentos de vendas na Polónia e no monopólio sueco", conta Jaime Quendera, acrescentando que o mercado da América do Sul se manteve equilibrado, "sobretudo por causa das vendas no Brasil".

No início de 2021, os primeiros mercados onde as vendas começaram a recuperar foram os asiáticos, o caso da China, Filipinas, Japão e Coreia do Sul. Segundo Jaime Quendera, nestes países e em Portugal, as vendas acumuladas aumentaram 30% em relação ao ano anterior, o que contribuiu para que a adega tenha crescido, em termos globais, 10% no primeiro semestre deste ano em relação ao anterior.

Um terroir distinto

"Uma das grandes vantagens desta adega é o profissionalismo e a competência de todas as pessoas ligadas à nossa cadeia de valor, desde as dos nossos associados, na vinha, até à adega", defende Jaime Quendera, acrescentando que isso tem contribuído significativamente para o seu sucesso ao longo dos anos e para a resiliência que a empresa que gere demonstrou no ano passado.

Fundada em 1958, a Adega de Pegões produz e comercializa actualmente mais de 17 milhões de garrafas para mais de 40 países em todo o mundo. Com um volume de negócios de 22 milhões de euros, perspetiva voltar a crescer em 2021, "desde que tudo se passe como esperado, após a fase de vacinação que está a decorrer", explica o diretor-geral da empresa.

Situada entre duas reservas naturais, a do estuário do Tejo, a noroeste, e a do Sado, a sudoeste, tendo a poente a serra da Arrábida e a nascente os barros alentejanos, a região de Pegões apresenta condições privilegiadas para o desenvolvimento da vinha. É uma zona de planície formada pela deposição de materiais carregados pelos rios Tejo e Sado durante milhões de anos, onde são atingidas temperaturas muito elevadas durante o verão.

O excesso de calor é aplacado pelas brisas marítimas, suavizando o ambiente e impedindo que a temperatura média do ar ultrapasse os 45 ºC, contribuindo, assim, para que os vinhos produzidos em Pegões não sejam demasiado maduros e tenham frescura.

Para além disso, a presença de um lençol freático próximo da superfície do solo ajuda as vinhas a manterem-se verdejantes, contribuindo para a elevada concentração de açúcares nos bagos de uva. "Trata-se de uma maturação homogénea e os vinhos que produzimos aqui reflectem isso", explica Jaime Quendera.

Com o seu clima mediterrânico, a influência das brisas que chegam do oceano Atlântico e o solo arenoso e pobre, com um lençol freático próximo da superfície, a região de Pegões origina vinhos de características ímpares, próprios de um terroir único. "Apesar de o homem ter um papel importante na produção dos vinhos, é preciso não esquecer que 70% das suas características dependem da qualidade das uvas que chegam à porta da adega", defende o enólogo. As que a empresa transforma têm, hoje, origem em mais de 1.200 hectares de vinhas dos seus associados. São principalmente castas tintas, que correspondem a 70% de um encepamento dominado pelo Castelão, Syrah e Touriga Nacional. As principais variedades brancas são a Fernão Pires, o Moscatel e o Verdelho.

Até 1994, quando o enólogo Jaime Quendera começou a trabalhar na Adega de Pegões, a empresa produzia e comercializava mais vinhos a granel que engarrafados. A partir daí passou a apostar, de forma continuada, na produção de vinhos de qualidade, sempre com o fito na satisfação de clientes e consumidores. "É para eles que passamos essa mais-valia, comercializando produtos sérios a bom preço", defende Jaime Quendera. É por isso que a Adega de Pegões está constantemente a pôr os seus vinhos à prova em concursos nacionais e internacionais.

Os mais de mil prémios que tem conquistado ao longo dos anos demonstram a qualidade do trabalho feito até agora. Basta lembrar que, em 2017, a Adega de Pegões foi a 27ª melhor a nível mundial e 5ª melhor portuguesa no ranking completo da organização mundial dos críticos e jornalistas especializados, a World Association of Writers and Journalists of Wines and Spirits. Esta lista engloba os 100 melhores produtores mundiais, com base nos resultados obtidos pelos vinhos das empresas em 80 dos 490 concursos internacionais realizados durante o ano em todo o mundo, aqueles onde participaram mais de cinco países. Para o estabelecimento deste ranking, foram avaliados mais de 680 mil vinhos.

Capacidade concorrencial

É a agricultura moderna que garante o futuro. Por isso, a Adega de Pegões tem o seu garantido, até porque parte da equipa é composta por jovens com formação, tal como uma parcela dos seus cooperantes.

"Temos, atualmente, 100 sócios, que usam clones seleccionados e vinhas plantadas em extensão, que são mecanizadas e estão em plena produção", explica Jaime Quendera. Acrescenta que uma das grandes vantagens da Adega de Pegões, perante a concorrência, é o baixo custo de produção por quilo de uva para vinho, numa região onde a água abunda e as vinhas são mecanizadas e estão plantadas em terrenos planos.

Segundo o diretor da adega, é essencial produzir vinhos de qualidade elevada, com custos baixos, para manter sempre preços competitivos na sua oferta. Só assim a empresa consegue concorrer, no mercado global, com produtores da Argentina, Austrália, Chile, Califórnia, França, Espanha ou Itália, que produzem vinhos em condições semelhantes. "E nós temos capacidade concorrencial, mantendo a qualidade dos vinhos que pomos no mercado", defende o diretor-geral da adega.

"Mas este tipo de gestão permite que comercialize também os da gama média e de preços mais elevados", explica, acrescentando que foi dessa forma que conseguiu entrar nas Filipinas, hoje um dos principais mercados de exportação da Adega de Pegões. "Se não o tivesse feito, não tinha conseguido entrar com as outras marcas", defende Jaime Quendera, explicando que é desta forma que este tipo de negócios é feito. Para o futuro está a ser estudada a entrada em mais países do continente americano, como México, Costa Rica, Peru e Colômbia. "São mercados com potencial de crescimento, que estamos a pensar explorar", diz Jaime Quendera.

Estratégia de sucesso

Com o objetivo de melhorar a qualidade dos seus vinhos, a Adega concretizou uma estratégia de modernização dos sistemas de produção e de estabilização financeira durante as duas últimas décadas. O efeito desse trabalho é sentido pelos parceiros da empresa e pelos consumidores e é o fator principal que tem sustentado a evolução positiva e o sucesso do seu negócio, e o reconhecimento das suas marcas cá dentro e lá fora.

Presidida por Mário Figueiredo, Maria Helena Oliveira e Carlos Pereira, a Adega de Pegões é, hoje, o maior produtor e principal certificador de vinhos da Península de Setúbal. "O empenho que temos tido a produzir, e a colocar no mercado, vinhos com boa relação qualidade/preço, ajudou-nos a tornarmo-nos a maior empresa da região", defende Jaime Quendera.

Adega de Pegões