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“As escolas profissionais qualificaram meio milhão de jovens”

Nos últimos 30 anos, estas instituições têm contribuído muito para desenvolver Portugal, tornando os jovens mais escolarizados e qualificados e as empresas nacionais mais competitivas
18 de Junho de 2021 às 11:07
José Luís Presa, presidente da ANESPO
José Luís Presa, presidente da ANESPO

A ANESPO, Associação Nacional de Escolas Profissionais, foi criada em fevereiro de 1991, representando mais de 150 entidades proprietárias de escolas profissionais em Portugal, a maioria delas propriedade de associações, empresas, fundações, cooperativas, sindicatos e autoridades locais. É membro do EFVET (European Forum of Technical and Vocational Education and Training) e do EFEE (European Federation of Education Employers) e integra o Conselho Nacional de Educação (CNE), o Conselho Geral da ANQEP e os órgãos sociais da Confederação Nacional do Ensino e Formação (CNEF) e da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP). O conjunto de 200 estabelecimentos em todo o território nacional é frequentado por cerca de 45 mil alunos, no conjunto dos três anos do ciclo de formação, que no final obtêm dupla certificação, escolar (12º ano) e profissional (nível 4 de qualificação da escala europeia de 8). Face a este cartão de visita, entrevistámos José Luís Presa, presidente da ANESPO.

Que balanço faz de 30 anos de ANESPO?
O balanço dos 30 anos de história da ANESPO confunde-se com os quase 33 anos das escolas profissionais. É marcado pelos diferentes contextos económicos, sociais e políticos que o país atravessou, rica em processos de inovação pedagógica e, desde logo, a introdução da estrutura modular, a pedagogia da individualização e a pedagogia de projeto, permitindo responder aos anseios dos jovens e das suas famílias e a necessidades da economia.

Nos últimos 30 anos, as escolas profissionais qualificaram cerca de meio milhão de jovens, em diversos itinerários de qualificação e em diferentes áreas de formação.

Resulta, claro, que as escolas profissionais contribuíram decisivamente para o desenvolvimento do País, tornando os jovens mais escolarizados e qualificados e as nossas empresas mais competitivas. Mas, infelizmente, em matéria de qualificação estávamos, e ainda estamos, longe dos objetivos europeus, definidos desde a estratégia de Lisboa, de 2000, de pelo menos 50% dos alunos no ensino secundário estarem em vias profissionalizantes.

Qual é a percentagem de alunos a frequentar cursos profissionais nos países mais desenvolvidos da Europa?
Importa que se tenha em conta que os países europeus e da OCDE mais desenvolvidos, económica e socialmente, são os que mais apostam na formação inicial dos jovens e na qualificação dos adultos.

Os exemplos que nos chegam dos países mais desenvolvidos da Europa e da OCDE dizem-nos que a frequência de cursos profissionais no ensino secundário é de cerca de 60% e, em alguns países, chega aos 70%, o que nos deve fazer refletir sobre o longo caminho que ainda temos de percorrer para atingir esses objetivos.

Recordo que no nosso país, temos cerca de 35% de alunos do secundário em cursos profissionais e que, no conjunto das ofertas, estamos um pouco acima de 40%, importando que o Governo tome medidas para reforçar esta situação, em direção aos 50%.

Que expectativas tem a ANESPO para o próximo ano letivo?
As expectativas são de que o próximo ano letivo se desenvolva num clima de quase normalidade. Importa, naturalmente, que se retirem as lições da experiência e que se tenha em conta os problemas provocados pela covid-19. Em particular, consideramos prioritário dar grande relevância à recuperação de aprendizagens de alunos que vão entrar no segundo e no terceiro ano dos cursos profissionais e que viveram esta experiência de intermitência entre ensino presencial e a distância.

O contexto em que as escolas profissionais terão de desenvolver a sua atividade estará necessariamente ligado ao panorama político, económico e social atual. Nesta perspetiva, temos a expectativa de que a aprovação de um pacote financeiro para o período de programação de 2021-2027, ajustado às necessidades de desenvolvimento da oferta, bem como o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), canalize recursos indispensáveis para modernização da oferta de cursos profissionais, dotando as escolas com equipamentos em linha com as necessidades do mercado de trabalho.

Quais são os desafios e também as oportunidades que as escolas de formação profissional têm pela frente para o próximo ano letivo?
Temos pela frente uma situação que nos convoca para olharmos para os aspetos qualitativos e quantitativos e nos apela a que adequemos as ofertas de cursos profissionais às necessidades do tecido económico e social. Por outro lado, temos de ter em conta que o número de alunos está a baixar por força da redução da natalidade, mas que esta situação pode representar uma oportunidade, pois, uma vez que, sendo menos, os podemos formar melhor.

Importa que os alunos, uma vez chegados às nossas escolas, sejam preparados para a vida, como profissionais e como cidadãos, respeitando a sua individualidade e os ritmos diferenciados de aprendizagem. Queremos apetrechá-los com o núcleo essencial de conhecimentos e dotá-los de competências transversais que os capacitem para o mundo de incertezas que, não sendo novo, persistirá, por certo, de forma intensa, nos tempos futuros.

Temos consciência do muito que há a fazer e todos sabemos que temos pela frente tarefas difíceis a empreender.

Queremos apostar cada vez mais na qualidade das ofertas e que as nossas escolas estejam em linha com o quadro de referência europeu, conhecido pela sigla EQAVET.

O ensino profissional é cada vez mais respeitado em Portugal. E o número de formandos tem crescido. Que competências adquirem os alunos nas escolas de formação profissional que os tornam mais aptos para o mercado de trabalho?
No percurso de três anos que é a duração dos cursos profissionais, os jovens adquirem competências sociais e humanas essenciais para a sua vida como cidadãos ativos, competências técnicas e tecnológicas, essenciais para o exercício de determinada atividade profissional, bem como um conhecimento direto do mundo do trabalho. Importa ter em conta que 25% do plano curricular é desenvolvido numa empresa ou organização com base num plano de aprendizagem pactuado com a escola, tendo no centro o aluno em processo de aprendizagem.

Que conselhos daria a um estudante que vai ingressar num curso profissional no próximo ano letivo?
O melhor conselho será que se informem sobre o leque de possibilidades que estão abertas e que escolham a escola que tenha cursos relacionados com os seus centros de interesse vocacional, sem perder de vista a integração no mercado de trabalho.

Mercado precisa de mão de obra qualificada

O mercado de trabalho está em constante mutação e evolução. Estão as escolas de formação profissional atualizadas e a preparar bem os alunos para esta nova realidade? José Luís Presa responde que as escolas profissionais "apelam à racionalização e maximização dos meios disponíveis, os quais têm que ser alinhados com os grandes desafios do mercado do trabalho que se encontra bastante debilitado e a necessitar de mão de obra cada vez mais qualificada".

Para o responsável máximo da Associação Nacional de Escolas Profissionais, o modelo pedagógico destas escolas já deu "sobejas provas da sua qualidade", é considerado um bom exemplo e generalizado nos agrupamentos e nas escolas secundárias que estão a fazer o seu caminho.

As escolas profissionais têm contribuído para "o sucesso pessoal e profissional de centenas de milhar de formandos, muitos deles abandonados à sua sorte e marginalizados." "Mas nós acreditamos no papel primordial das escolas profissionais e na sua história feita de vontade, de dedicação, de saber fazer e especialmente de muita dedicação aos seus alunos e às necessidades das empresas."

Experiências no estrangeiro acrescentam valor

Existem cada vez mais escolas profissionais e alunos a participar no programa Erasmus+. Uma realidade que se revela importante para os formandos, como refere José Luís Presa.

Segundo o responsável da ANESPO, a experiência ensina-nos que as "vivências no estrangeiro, mais curtas ou mais longas, acrescentam sempre valor ao percurso dos jovens". São momentos únicos de contacto com outras realidades, com escolas ou empresas situadas noutros contextos e com colegas de outras nacionalidades, permitindo um olhar mais abrangente sobre o contexto envolvente". José Luís Presa diz esperar que "o reforço do programa Erasmus+ a nível comunitário traga mais oportunidades para mais alunos participarem em experiências de mobilidade para aprender".

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