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Correio da Manhã

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É o local onde as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

O comércio faz parte da história da cidade

Mercados e feiras realizam-se há muitos séculos em Braga, onde sempre existiu negócio
5 de Dezembro de 2020 às 11:35

Braga sempre foi uma cidade de comércio. E os mercados podem ser um excelente mote para resumir a história da cidade, sobretudo, se se percorrer o itinerário das suas antecedências, os locais onde funcionaram, e todos os outros modos de encontro e de troca que marcam a natureza da vida na urbe. Tempos houve em que Braga toda ela era praticamente um único mercado, com os seus alfandegueiros, cobrando portagens aos almocreves (condutor de bestas de carga) e produtores que a demandavam. Uma prática que durou até há pouco menos de 100 anos, quando se taxavam os viandantes (caminhantes) nas célebres barreiras à entrada da cidade. Ou então, quando o local de viver e trabalhar era indistinto, habitando em cima, produzindo e vendendo em baixo, fazendo de cada casa, da rua, um vasto mercado de artes e ofícios, de porta aberta.

Há dois mil anos que Braga é uma cidade de comércio, onde se exibia produtos provenientes do mediterrâneo romano. Um local com uma longa história de justiça sem correição régia, de circulação de moeda, e padronização de medidas.

Dando um salto no tempo, no século XV operavam em Braga mercadores estrangeiros, oriundos de França e da Flandres. Também havia galegos, castelhanos, e até judeus, estes ourives e mercadores. Havia também comércio de proximidade, com lavradores, tendeiros, tratantes, vendeiros ou marchantes a fazer comércio nas praças e nas ruas.

Já no século XVIII, deu-se um dos períodos mais marcantes da história do comércio em Braga. D. José determinou em 1741 que a feira franca, de periodicidade quinzenal (às segundas-feiras), passasse a ser semanal, e às terças-feiras. Por sua vez, o seu sobrinho, D. Gaspar, procederia, em 1763, ao reordenamento radical dos espaços mercantis, impondo que os mercados de hortaliças, frutos, pão e outros géneros perecíveis deixassem a pracinha livre aos marchantes, junto à Porta Nova; e a rua das Ágoas, onde se vendia o pão, liberta ao trânsito, concentrando toda a atividade no Campo de Touros, hoje Praça do Município.

Na primeira metade do século XIX, Braga revela-se já como uma cidade funcionalmente comercial. Disso dão conta os diversos livros de registo da câmara, em que estão escritos os privilégios de concessão de comissariados e feitorias a diversos cidadãos encarregados dos negócios de países como Espanha, Itália, Grã-Bretanha e Alemanha. Seja como for, nunca deixou de haver mercados – ou Feira da Lenha ­–, feiras anuais e feiras francas.

O ano de 1865 é o advento contemporâneo do urbanismo comercial em Braga, quando se optou pela construção do Novo Campo da Feira. A finalidade destinava-se, sobretudo, a acolher a transferência da feira de gado bovino do Campo da Vinha. Curiosamente, tendo por alvo o lugar onde hoje se reabilita o mercado municipal. Mesmo com dificuldades pelo meio, e com um local de venda para mais do que apenas comércio de animais, o novo mercado seria aberto em 1876.

Entre diferentes obras de manutenção no espaço chegou o século XX e com ele novas exigências de higiene e salubridade. E foi no século passado, após anos de avanços e recuos, com a discussão de mudar o mercado municipal de local, projetos, hesitações e divergências políticas, que o mercado municipal foi inaugurado oficialmente a 28 de maio de 1956. Finalmente, em 22 de novembro desse ano, a câmara municipal deliberou fixar o topónimo do local como Praça do Comércio.

Hoje, reabilitado pela Câmara Municipal de Braga, o mercado municipal abre um novo ciclo de vida, de relançamento, para durar, pelo menos, mais meio século.

Sabia que…

. A Praça do Município já dispôs de um mercado coberto, de estrutura em ferro, a ocupar o centro da praça.

. Ainda no século XX, existiam as denominadas barreiras à entrada das principais vias de acesso a Braga, onde os funcionários do município cobravam uma taxa sobre o transporte de mercadorias que entravam para ser vendidas na cidade.

. O local onde hoje se localiza o mercado municipal se encontrava dentro da cerca do antigo Convento do Salvador.

. Em frente à fachada da Sé Catedral, em tempos se situavam os anteriores Paços do Concelho, debaixo dos quais se vendia pão, dando origem ao nome de Praça do Pão (século XVIII).

. O fontenário que está no centro do mercado anteriormente estava no centro da Praça do Município, quando aí funcionava o mercado municipal a céu aberto.

. Na Praça do Município, o antigo Campo de Touros, existiu uma arcada a todo o correr do lado norte da dita praça.

. O local onde hoje se encontra o jardim de Santa Bárbara poderia ter sido antes ocupado por um mercado municipal.

. Durante muito tempo existiu em Braga uma Feira (ou mercado) da Lenha, que se localizou em diferentes locais da cidade.

. O atual mercado municipal foi inaugurado oficialmente em 28 de maio de 1956, integrando as comemorações oficiais dos 30 anos da implantação do regime político que deu origem à ditadura do Estado Novo, contando com a presença do Presidente da República, o general, F. Craveiro Lopes.

. O mercado de ferro que existiu na Praça do Município foi o primeiro em Braga dotado com uma grande câmara frigorífica.