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Santa Casa com mais ação na saúde mental

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem um novo projeto para a prestação de cuidados de saúde mental na capital.
7 de Outubro de 2021 às 10:47
Luís Afonso é desde 2018 diretor clínico da Direção de Serviços de Saúde da SCML
A Santa Casa dispõe de duas unidades na área da saúde mental em Lisboa
Luís Afonso é desde 2018 diretor clínico da Direção de Serviços de Saúde da SCML
A Santa Casa dispõe de duas unidades na área da saúde mental em Lisboa
Luís Afonso é desde 2018 diretor clínico da Direção de Serviços de Saúde da SCML
A Santa Casa dispõe de duas unidades na área da saúde mental em Lisboa

No próximo dia 10 assinala-se o dia da Saúde Mental. Na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), o médico Luís Afonso, é o diretor clínico da Direção de Serviços de Saúde e responsável por um novo projeto que visa reestruturar, melhorar e implementar uma nova estratégia na prestação de cuidados de saúde mental na capital.

Correio da Manhã – Como se fez sentir a necessidade de redesenhar e articular as diversas respostas na área de saúde mental integradas na SCML?
Luís Afonso – O sentir que a nível comunitário é frequente encontrarmos famílias em que a doença mental de um dos seus elementos conduz frequentemente a uma disfuncionalidade com desestruturação das suas dinâmicas. Por outro lado, assistimos ainda a um aumento progressivo das dependências em particular nos jovens por fenómenos de adição, constatando-se que a resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS), muitas vezes é insuficiente, o que leva ao isolamento e ao desamparo das famílias que ficam sem saber onde recorrer. Importa destacar que a área da saúde mental é transversal a um vasto leque de respostas existentes na Santa Casa, dispondo esta, de serviços que integram equipas multidisciplinares, especificamente direcionados para esta vertente, como é o caso da Unidade de Saúde W+ e da Unidade de Saúde Dr. José Domingos Barreiro, sendo importante, também, destacar que existe uma equipa de suporte às casas de acolhimento, sobretudo para intervenções em crise, é o caso do equipamento D. Carlos I.

Em que aspetos essa carência é mais preocupante?
– Como referi o apoio do SNS a utentes na Comunidade é ainda insuficiente, mais preocupante em relação às crianças e aos jovens do que em relação aos adultos. Os adultos dispõem de apoio como sejam o internamento e as consultas de ambulatório do SNS, mas na comunidade os recursos são francamente escassos, daí a alternativa ser, frequentemente, a Urgência Hospitalar. O utente descompensado, é conduzido ao serviço de urgência onde é medicado, regressando de novo à comunidade, e assim, se vão repetindo os episódios, resultando na chamada "porta giratória". Nas crianças e jovens este apoio é substancialmente reduzido, sendo referência na cidade de Lisboa a Urgência do Hospital D. Estefânia.

Decidiu pôr mãos à obra. De que forma?
– A SCML não pretende substituir o SNS na sua responsabilidade comunitária, mas sim, em conjunto com outras instituições trabalhar em complementaridade. Assim foi proposto a criação de um grupo de trabalho com dois núcleos: um para a saúde mental de adultos, liderado pela Dra. Ana Jorge; e outro para a área infantojuvenil, liderado pelo Dr. Augusto Carreira, aos quais juntamos consultores internos da SCML. Após as primeiras reuniões de trabalho, chegámos à conclusão de que era importante ouvir peritos e assim convidámos o professor Miguel Xavier, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, a Dra. Teresa Maia, coordenadora para a região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, o professor Caldas de Almeida, que colabora com a SCML, o Dr. António Bento (da área dos sem abrigo). Daqui surgiu uma avaliação de suporte e definimos o caminho para a SCML.

O mais importante agora é começar…
– Temos muitos serviços em funcionamento perfeitamente integrados no terreno e temos as nossas as unidades multidisciplinares de saúde mental, nomeadamente, a Unidade W+, a Unidade José Domingos Barreiro e o equipamento D. Carlos I, a laborar em pleno e já com algumas respostas a nível da intervenção comunitária, o que será facilitador para iniciar o projeto. É importante, neste momento, a nível comunitário, delinear as áreas de intervenção geográfica, possivelmente com base nas já existentes unidades de proximidade (UDIPS). Podemos montar a fase inicial deste projeto com uma equipa piloto que será monitorizada e avaliada ao longo de um período de tempo.

 

Estratégia

Os resultados das reflexões levadas a cabo pelo grupo de trabalho permitiram identificar as seguintes linhas orientadoras:

Prevenção da doença mental alicerçada em programas de melhoria da autoestima e das competências de vida.

Integração dos programas e respostas multidisciplinares de saúde mental instituídos na SCML, quer nas situações de institucionalização quer na intervenção de proximidade.

Desenvolvimento de uma estratégia que promova a proteção social, atenue as desigualdades e mitigue os impactos do desemprego e da exclusão social, com iniciativas focadas nos problemas de saúde mental de grupos vulneráveis.

Iniciativa de implementação de resposta integrada às necessidades de pessoas com demência, desejavelmente em articulação com o SNS.

Implementação de programas colaborativos e articulados com os cuidados de saúde primários e os serviços locais de saúde mental do SNS, especialmente dirigidos a grupos vulneráveis.

Participar no desenvolvimento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental, na área da Infância e Juventude e dos Adultos.

Propostas

Infância e Adolescência
Criação de uma Unidade de Internamento; Unidade Sócio Ocupacional com uma equipa de intervenção domiciliária; respostas ambulatórias especializadas

Adultos
Apoio aos doentes em estruturas residenciais; criação de "Clusters Geodemográficos" através de respostas de complementaridade em saúde mental, com recursos partilhados destes e das Unidades da SCML, Cuidados de Saúde Primários, Centros de Dia, e Organizações da Comunidade aí sedeadas.

Com esta proposta, pretende-se o desenvolvimento das ações por equipas devidamente identificadas e responsáveis por uma população delimitada, promotoras da complementaridade das respostas por parte das diversas entidades, contribuindo para a eliminação de sobreposições e para a construção de uma efetiva continuidade de cuidados.