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A sorte de poder apregoar o bem de toda a comunidade

Na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, os pregoeiros já afinam a garganta para a extração da 52ª Lotaria do Natal, no próximo dia 27. Um ritual com décadas.
23 de Dezembro de 2021 às 12:28
Teresa Araújo, funcionária da Santa Casa na área da Ação Social, é pregoeira da lotaria há um ano
Parte da equipa que anuncia os números premiados da Lotaria
Teresa Araújo, funcionária da Santa Casa na área da Ação Social, é pregoeira da lotaria há um ano
Parte da equipa que anuncia os números premiados da Lotaria
Teresa Araújo, funcionária da Santa Casa na área da Ação Social, é pregoeira da lotaria há um ano
Parte da equipa que anuncia os números premiados da Lotaria

Desde menina que Teresa Araújo, 37 anos, assistia, pela televisão ao sorteio da Lotaria. Mal sabia que um dia viria a trabalhar na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), como secretária da Direção de Intervenção em Públicos Vulneráveis, o que lhe deu a possibilidade de se tornar também pregoeira. "Sempre me fascinou. Esta tradição de cantar a lotaria é muito interessante e, por outro lado, está intimamente ligada aquilo que faço aqui na SCML, a ação social", conta.

Teresa assumiu a função há um ano, precisamente com a extração da Lotaria do Natal, depois de ter sido selecionada num concurso que a SCML promove internamente. "Concorreram 52 funcionários da SCML e foram selecionados três novos pregoeiros e mais cinco por necessidade de garantir substituições quando há alguma indisponibilidade. Há ainda cinco que estão apostos para entrar caso alguém se reforme ou fique impossibilitado", conta José Morais-Pequeno, subdiretor da Direção Técnica da Unidade de Operações e Plataformas de Jogo da SCML. Atualmente "são 16 e vão alternando as posições".

Além da vontade, para a seleção de Teresa muito contribuiu a experiência que tinha em canto, tendo inclusivamente chegado a dirigir um coro infantil. Agora dá voz aos números com redobrado sentido de missão. "É um grande orgulho, e algo que faço com alegria, mas também muito rigor, porque segue um ritual muito próprio", explica.

Com exceção dos períodos mais agudos da pandemia de Covid-29 (como o atual), o sorteio da Lotaria de Natal é público. Realiza-se na presença de um júri e é transmitido pela televisão.

Os bilhetes a sortear são numerados de 0 até ao último número da emissão. No dia da extração são retiradas, uma a uma, da esquerda para a direita, as esferas com os algarismos que compõem o número sorteado. Um semáforo, onde o vermelho e o verde alternam, orienta os pregoeiros para que os seus gestos saiam sincronizados. Primeiro, apregoam-se os algarismos extraídos individualmente e a ordem do prémio, a seguir canta-se a sequência numérica e o valor monetário que lhe corresponde. Um ritual muito próprio, sem inovações há mais de um século, ao qual as vozes dos pregoeiros conferem uma magia muito especial na mítica Sala de Extrações da SCML, desenhada pelo arquiteto Adães Bermudes.

A Lotaria do Natal é "uma extração extraordinária" que é como quem diz, um dos momentos mais especiais do primeiro jogo do portefólio da Santa Casa. Numa altura do ano em que se reforçam os valores da esperança, solidariedade e entreajuda, o seu significado agiganta-se. Muda a vida a quem a ganha, é bem certo. Mas também foi graças à lotaria que a Misericórdia, ao longo do século XX, conseguiu alargar os seus serviços de assistência, tornando-se numa das pioneiras na proteção à maternidade, à primeira infância, aos doentes, aos desvalidos e à terceira idade. Ainda hoje, é um recurso fundamental para que a instituição desenvolva o seu trabalho no apoio aos mais fragilizados.

A tradição ainda é o que era

Para muitos, também faz parte da tradição. Quando as montras se enchem de brilho e as luzes da quadra festiva enfeitam as ruas, compra-se a cautela da Lotaria do Natal. Até porque a sorte, já se sabe, só sai a quem joga.

Passaram-se já 121 anos sobre o primeiro sorteio da taluda natalícia, realizado a 22 de dezembro de 1900. O primeiro prémio foi de 150 mil réis. Uma apetecível fortuna para a época, que atraiu mais ainda as atenções para o jogo. Desde então, a Lotaria do Natal tornou-se um clássico da própria Lotaria Clássica, repetindo-se ano após ano, sem falhas. Ou quase: em 1984, a extração foi suspensa por causa de uma ameaça de bomba. No fim revelou-se falso alarme. Uma brincadeira natalícia que mais fez lembrar as marotices do Carnaval. Menos para os vencedores do primeiro prémio daquele ano caricato que foi parar, por inteiro, às mãos de 49 funcionários da Rodoviária Nacional. Dividiram 200 mil contos (quase um milhão de euros) e puseram muitos outros milhares a sonhar…

Por Boas Causas