Barra Cofina

Correio da Manhã

Especiais C-Studio
6
Especiais C-Studio
i
C- Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do Universo
É o local onde as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Portugal precisa de mais famílias de acolhimento

Apenas 3% das crianças e jovens em risco são acolhidos num núcleo familiar temporário. A grande maioria vive em instituições, opção que não favorece o seu desenvolvimento e bem-estar
18 de Novembro de 2021 às 11:10
Uma instituição não consegue substituir o amor e o apoio de uma família
Uma instituição não consegue substituir o amor e o apoio de uma família

No próximo dia 20 assinala-se o 32º aniversário da aprovação da Convenção Sobre os Direitos da Criança pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A data constitui um convite à reflexão e ao debate sobre o que mudou, mas sobretudo o que ainda falta fazer para que os direitos reconhecidos às crianças sejam efetivamente uma realidade a nível nacional e internacional.

Em Portugal, muitas crianças privadas de cuidados parentais adequados são maioritariamente incluídas em estruturas de acolhimento coletivo ou instituições, ao invés de se privilegiar o acolhimento em famílias como a Convenção preconiza e como acontece na maioria dos países europeus. Em Espanha, 60% dos acolhimentos acontecem em núcleos familiares e na Irlanda a percentagem sobe para 90%.

A legislação portuguesa afirma desde 2015 a prevalência de medidas que privilegiem a colocação em famílias de acolhimento sobre a institucionalização, porém, apenas 3% dos acolhimentos acontecem nestes moldes, sobretudo pela escassez ou inexistência de famílias capacitadas e selecionadas para o efeito.

Desde 2006, tem vindo a assistir-se em Portugal a uma diminuição do total das famílias de acolhimento existentes, fruto da ausência de investimento político na sensibilização da comunidade para uma cultura de exercício de cidadania e de corresponsabilização de todos na proteção da infância, que permitiria a renovação do universo de famílias de acolhimento.

Em 2020, esta tendência iniciou a sua inversão. Para tal, terá contribuído o lançamento pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa da campanha de sensibilização da comunidade e captação de candidatos a famílias de acolhimento em novembro de 2019.

Atualmente, em nove concelhos da área de competência territorial da SCML (distrito de Lisboa) em matéria de acolhimento familiar onde não existia nenhuma família de acolhimento em 2019, há agora cerca de 62 famílias que foram formadas, avaliadas, selecionadas e acompanhadas, e que acolheram já cerca de 66 crianças, evitando a sua institucionalização.

Ainda assim, na ausência de famílias de acolhimento em número suficiente, em Portugal, a esmagadora maioria das crianças e jovens em risco vive em instituições.

Famílias precisam-se

O acolhimento familiar é uma medida de promoção dos direitos e de proteção das crianças em perigo, prevista na Lei de Proteção de Crianças por Comissões de Proteção de Crianças e Jovens ou Tribunais. Consiste na atribuição da confiança de uma criança em perigo a uma família que dela cuidará, de forma temporária.

Ser família de acolhimento, lembra a Santa Casa da Misericórdia, é "contribuir para que uma criança, em qualquer circunstância, beneficie de um enquadramento afetivo, de cuidados individualizados e de um ambiente caloroso, seguro e tranquilo. Para as famílias que acolhem, esta partilha traduz-se também em grande gratificação pessoal e oportunidade de crescimento."

Dar voz a quem acolhe

"Acolher um bebé foi voltar às fraldas, aos biberões e às noites mal dormidas. Mas também é sentir o coração cheio quando percebemos o impacto que temos na vida presente e futura deste bebé."

Família Neves Pinto

"Ser família de acolhimento é abrir a porta para o amor crescer. É dar a vida em gratuidade total. É encher o coração de bem, que nos chega por quem se acolhe e nos ensina que a vida só tem sentido se vivermos na esperança e de coração mesmo agradecido! E, assim, confirmamos que há mais alegria em acolher do que em ser acolhido."

Carlos, Maria, Carlos Maria, Mateus e Magda

De coração cheio abraço esta missão. Recebo muito mais do que dou. A emoção de um sorriso de uma criança enchem-me a alma. Adoro estar neste projeto lindo. Venham abraçar esta causa... não se vão arrepender."

Ana Elias

No dia que a nossa família acolheu de emergência um recém-nascido demos a oportunidade de este bebé se desenvolver no ambiente familiar até que o seu projeto de vida seja decidido, rodeado de muito amor, carinho e colo, de olhares atentos, vigilantes e protetores. Esta experiência está a ser única, surpreendente, arrepiante e mágica, pois o amor multiplica-se e transforma vidas, através de um toque e de um olhar fica tudo dito. Está a ser fundamental a participação positiva dos nossos filhos. Todos temos a ganhar com um acolhimento familiar, se todas as famílias pudessem receber uma criança em suas vidas temporariamente nenhuma estaria institucionalizada."

Marina e Marco Leonardo, Letícia e Ângelo