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Temporada Música em São Roque volta a ter público

A 33ª edição arranca amanhã e dá relevo às obras esquecidas do património musical
14 de Outubro de 2021 às 09:30
A Igreja de S. Roque será palco de vários concertos eruditos
Martim Sousa Tavares escreve e apresenta o ciclo 'Ouvidos para a música'
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A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa abre amanhã as portas à música erudita para a realização da 33ª edição da Temporada Música em São Roque. Serão, no total, dez concertos a realizar a partir de amanhã e até 12 de novembro. Materializando o continuado apoio ao meio musical e a valorização do património, a 33ª edição da Temporada Música em S. Roque coloca em relevo a música portuguesa, dando a conhecer inúmeras obras esquecidas e agora, séculos depois, recuperadas e trazidas para o público, que as poderá escutar em dois espaços do património da Santa Casa, de grande beleza arquitectónica e magníficas condições acústicas: a Igreja de S. Roque – onde se encontra um raro órgão histórico – e a Capela do Instituto de São Pedro de Alcântara.

A abrir o ciclo de concertos, já amanhã, vai atuar o Coro Gulbenkian, sob a direção de Inês Tavares Lopes, que apresenta um concerto intitulado ‘Luz e sombras’, dedicado à voz feminina, com obras que vão de Hildegarda Von Bingen a John Tavener.

A música prossegue ao longo do fim de semana. O Grupo Vocal Olisipo, sob a direção de Armando Possante, apresenta um concerto com o título ‘Herança – A música da Sé de Évora’. O espectáculo consiste na antologia de obras que demonstram a continuidade do estilo seiscentista feita por gerações de talentosos compositores da denominada Escola de Música da Sé de Évora, que levaram a sua herança musical até ao início do século XIX.

O segundo fim de semana da Temporada Música em S. Roque abre com um concerto que explora outra faceta da polifonia portuguesa do século XVI. O tema é ‘Imanência e Transcendência – Entre Mestres e Discípulos: Polifonia Portuguesa do século XVI’, que conduz à apresentação do Polyphonos Ensemble, com direção de José Bruto da Costa, num recital que tem como ponto de partida o concerto de seis motetes de Frei Manuel Cardoso.

Cânticos de devoção

O concerto seguinte trará cânticos de devoção e independência da época da Guerra da Restauração. ‘Cambarito’ é o título do concerto que o Bando de Surunyo e o seu diretor artístico, Hugo Sanches, apresentarão, com um programa em parte preenchido com vilancicos recuperados e escutados pela primeira vez no século XVI, onde a mensagem de patriotismo e de religiosidade se fundem.

O ‘Concerto Campestre’, sob a direção de Pedro Castro, abrirá depois o terceiro fim de semana da Temporada Música em S. Roque. ‘Más no puede ser’ é o contraponto entre o vilancico barroco, de imensa popularidade na península Ibérica, e novo estilo musical italiano que o veio destronar em Portugal.

O Ensemble Bonne Corde, dirigido por Diana Vinagre, debruça-se, no concerto seguinte, sobre a publicação em Londres de uma série de ‘concerti grossi’ do compositor António Pereira da Costa. Estas obras do então mestre de capela do Funchal são absolutamente excepcionais no seu género, não se encontrando similar entre qualquer dos compositores portugueses ativos nesse período.

O último concerto deste terceiro fim de semana da Temporada Música em S. Roque será apresentado por Márcio da Rosa (tenor) e Isabel Calado, que o acompanhará num piano de mesa original do final do século XVIII. Para além da oportunidade rara de escutar este instrumento, este é também um bom pretexto para escutar um conjunto de canções de cariz religioso, não publicadas em edições atuais e, por isso, também muito raramente apresentadas ao público.

No penúltimo fim de semana, além de um espectáculo dirigido por Jonathan Ayerst, o grupo Sete Lágrimas explora no seu concerto o cruzamento intercultural entre as manifestações musicais eruditas da Metrópole e as melodias indígenas das várias colónias portuguesas.

O resultado deste cruzamento de linguagens são os ritmos ameríndios e afro-brasileiros que inspiram os vilancicos de Igreja nos séculos XVI e XVII, ou a profusão de ‘lunduns’ e ‘modinhas’ brasileiras que invadem os salões e teatros lisboetas dos séculos XVIII e XIX.

A 33ª edição da Temporada Música em S. Roque encerra com o esplendor do alto barroco, em duas cantatas de J. S. Bach e uma suite para flauta e cordas de Telemann, num concerto apresentado pelos solistas da Orquestra Barroca Casa da Música, com a soprano Mónica Monteiro e o oboísta Pedro Castro.

Ciclo ‘ouvidos para a música’

Pelo quarto ano consecutivo, a TMSR propõe o ciclo ‘Ouvidos para a Música’. Escrito e apresentado por Martim Sousa Tavares, integra 20 mini-episódios, emitidos de segunda a sexta-feira, às 17h00, nos canais digitais da SCML e na RTP Palco. Será abarcado um amplo espectro de temas e repertórios. O ciclo conta com a participação do Duo Litanei, com a pianista Mrika Sefa e o violoncelista Hugo Paiva.