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Valor T: uma agência de talentos especiais

Projeto de integração de pessoas com deficiência da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa nasceu em maio e já dá cartas na concretização de oportunidades no mercado de trabalho
2 de Dezembro de 2021 às 11:47
Catarina começou a trabalhar através da Valor T
Vanda Nunes é a diretora da Valor T, projeto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Catarina começou a trabalhar através da Valor T
Vanda Nunes é a diretora da Valor T, projeto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Catarina começou a trabalhar através da Valor T
Vanda Nunes é a diretora da Valor T, projeto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

João Antunes, 36 anos, licenciado em engenharia multimédia, sofre de uma distrofia muscular progressiva rara (até há poucos anos era o único caso conhecido em Portugal) que lhe roubou o andar. João não gosta de se expor, mas não tem pudor em revelar o que o fez aceitar dar uma entrevista: "Para que outras pessoas que têm mobilidade reduzida e menos oportunidades no mercado de trabalho, conheçam o projeto Valor T e possam ter uma oportunidade".

O jovem engenheiro tinha 10 anos e era atleta de competição em natação quando umas análises de rotina detetaram que algo não estava bem. Só viria a perder a locomoção já depois dos 30 anos, mas aprendeu a viver com muitas limitações e poucas expectativas. Em janeiro vai assinar contrato com a Bee Engineering e "fazer o que gosta". Foi em maio, precisamente através de um artigo do Correio da Manhã, que tomou conhecimento da existência desta agência de emprego para pessoas com deficiência, um projeto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Depois de comprovar a sua situação clínica, foi a uma entrevista e o feedback não se fez esperar. Nem para João, nem para Catarina Proença, 34 anos, que desde 4 de novembro assegura reposição de produtos e etiquetagem numa das lojas Modelo Continente da cidade de Lisboa. "Até aqui só tinha conseguido trabalhar como estagiária. Este é o meu primeiro emprego a sério", diz a jovem, portadora de deficiência psicomotora. Com o primeiro ordenado, já sabe o que vai fazer: "As compras de Natal." Este ano, as festas terão outro sabor, não só por poder contribuir para o rendimento familiar (Catarina vive só com a mãe, em Linda-a-Velha), como pelas novidades do seu dia-a-dia. "Gosto dos meus colegas e sinto-me muto bem integrada. Ter vindo para esta empresa aqui foi algo muito positivo na minha vida", conta.

Tal como acontecerá no caso de João, os primeiros passos de Catarina na empresa vão ser acompanhados de perto, pelo período de 18 meses, por uma equipa especializada da Valor T.

Be Engineering quer criar mais postos de trabalho adaptado

A consultora em tecnologias Bee Engineering foi a empresa que contratou João Antunes. O contrato será efetivado em janeiro, adiantou ao CM Sandrina Salvado, responsável de recursos humanos. "A Bee Engineering já tinha um colaborador com incapacidade e tornamo-nos parceiros da Valor T por acharmos que fazia sentido criar mais postos de trabalho adaptados", explicou Sandrina Salvado ao CM.

Ultrapassado o processo burocrático, chegou o momento de conhecer os candidatos: "Quando conhecemos o João, ‘apaixonamo-nos’ por ele. Tinha o perfil ideal e quisemos que integrasse a nossa equipa", explicou Sandrina.

A Bee Engineering tem oito anos de existência, 185 funcionários, empenho social e talento para gerir pessoas.

Uma equipa à procura do encontro perfeito

Vanda Nunes, diretora da Valor T, garante que os primeiros seis meses do projeto têm sido "um desafio imenso, feito de um trabalho exigente e enriquecedor".

"Foram vários meses de trabalho interno de conceção do projeto, da metodologia e construção da plataforma, com o contributo dos nossos parceiros e da rede colaborativa que criámos em Casa, em várias áreas. Nos primeiros dois meses o trabalho da equipa focou-se nessa garantia de acessibilidade e proximidade, para que a eventual dificuldade em aceder a meios informáticos ou a área de residência, não se revelassem impedimento de acesso à plataforma".

Desde o lançamento, a 1 de maio deste ano, centenas de pessoas "com histórias de vida de superação e uma vontade imensa de ter uma oportunidade no mercado de trabalho", já se inscreveram.

O processo de recrutamento começa no começa no registo e na activação do perfil, seguindo-se uma primeira entrevista com uma equipa de psicólogos. Uma equipa que já realizou mais de 700 entrevistas, a muita "gente de garra e talento". Em simultâneo, outros elementos trabalham junto das entidades empregadoras (são já mais de cem as que se associaram ao projeto), procurando o ‘match’ ideal e acompanhando as diferentes fases do processo de recrutamento e integração.

"Para juntos gerarmos maior equidade na oportunidade que a todos deve assistir de ter ou criar um emprego digno que realize e acrescente valor. Agregamos parceiros, pessoas e organizações, mobilizando-nos para um país mais solidário, mais coeso e por isso melhor", frisa Vanda Nunes.

Por Boas Causas