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Carlos Moedas diz que "há um projeto de poder e de guardar o poder" na Câmara de Lisboa

Cabeça de lista da coligação Novos Tempos ambiciona "fazer muito melhor" do que o PS caso seja eleito presidente.
Lusa 8 de Setembro de 2021 às 10:13
Carlos Moedas
Carlos Moedas FOTO: Mariline Alves
O cabeça de lista da coligação Novos Tempos (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança) à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, ambiciona assumir a presidência da autarquia e "fazer muito melhor" do que faz o PS, na liderança municipal desde 2007.

"O meu objetivo é fazer muito melhor do que eles fazem e, sobretudo, ter este desígnio para a cidade que eles não têm. [...] Aquilo que nós vemos é que há um projeto de poder e de guardar o poder, mas não há um projeto de visão para a cidade", realça Carlos Moedas em declarações à Lusa.

O ex-comissário europeu quer que Lisboa seja "uma cidade líder da Europa", argumentando que "os países estão hoje a enfraquecer" e a "concorrência vai ser entre as cidades".

"Ganhando as eleições, eu acho que posso criar um desígnio para a cidade que faça desta cidade uma das principais da Europa", considera.

Para isso, defende, é preciso investir mais na ciência, na tecnologia, na cultura e nas pessoas.

Carlos Moedas pretende criar uma instituição - que descreve como "fábrica de empresas" - para acompanhá-las desde a sua criação até que sejam "uma grande empresa nos mercados internacionais".

Na área da cultura, o social-democrata ambiciona ter um teatro em cada freguesia de Lisboa e desenvolver um projeto para o Parque Mayer que seja um cruzamento de escolas de teatro com a música e a ciência.

Considerando que a liderança socialista não ouve as pessoas, vai também propor a criação de uma assembleia de cidadãos, constituída por 49 pessoas aleatórias que "vão desenhar o que querem para a cidade".

"E isso vai ser algo que nunca foi feito em Portugal e que eu acho que será muito importante para o nosso futuro", sublinha.

Carlos Moedas quer ainda criar um seguro de saúde para pessoas maiores de 65 anos com dificuldades económicas e tornar os transportes públicos gratuitos para pessoas com menos de 23 anos e idosos com mais de 65 anos.

Caso seja eleito, o candidato pretende, igualmente, reduzir a taxa de participação no Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS) na capital e isentar jovens até 35 anos que comprem habitação própria em Lisboa do pagamento de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT).

Nascido em Beja em 10 de agosto de 1970, Carlos Moedas licenciou-se em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, em 1993.

Com um percurso profissional na área financeira e de investimentos, da sua carreira política destaca-se a eleição como deputado por Beja, em 2011, ano em que veio a desempenhar funções como secretário de Estado adjunto do então primeiro-ministro, Passos Coelho, coordenando a estrutura de ligação com a 'troika', a ESAME.

Em 2014 foi nomeado comissário europeu, responsável pela Investigação, Inovação e Ciência, gerindo um dos maiores programas de ciência e inovação do mundo, no valor de 77 mil milhões de euros.

No PSD, Carlos Moedas fez parte da equipa que negociou a aprovação do Orçamento do Estado para 2011 juntamente com Eduardo Catroga.

No seu percurso profissional, integrou a equipa do banco de investimento Goldman Sachs - na mesma altura em que António Borges trabalhou na instituição -, na área de fusões e aquisições, e foi gestor de projetos para o grupo Suez, em França, entre 1993 e 1998.

Carlos Moedas acredita que a sua "experiência tão diversificada" pode ser uma mais-valia para assumir o cargo de presidente da Câmara de Lisboa.

Nos tempos livres, gosta de ler e de correr. Não consegue eleger um único sítio de eleição em Lisboa, mas diz gostar "muito de estar ao pé do rio".

Nas anteriores eleições autárquicas (2017), o PSD, que não concorreu coligado com o CDS-PP, obteve 11,22% dos votos (28.336) e dois vereadores. Na Assembleia Municipal, os sociais-democratas contam com 11 deputados.

Além de Carlos Moedas, concorrem à presidência da Câmara de Lisboa Fernando Medina (coligação PS/Livre), Beatriz Gomes Dias (BE), João Ferreira (CDU -- PCP/PEV), Bruno Horta Soares (IL), Nuno Graciano (Chega), Tiago Matos Gomes (Volt), Manuela Gonzaga (PAN), João Patrocínio (Ergue-te), Bruno Fialho (PDR), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!) e Ossanda Líber (movimento Somos Todos Lisboa).

O executivo de Lisboa, atualmente presidido por Fernando Medina, é composto por oito eleitos pelo PS (incluindo dos Cidadãos por Lisboa e do Lisboa é muita gente), um do BE, quatro do CDS-PP, dois do PSD e dois da CDU.

As eleições autárquicas estão marcadas para 26 de setembro.

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