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CGTP defende que Governo tem de mudar opções e ficar ao lado dos trabalhadores

Isabel Camarinha defendeu que garantir-lhes melhores condições de vida é forma de assegurar a dinamização da economia.
Lusa 15 de Julho de 2021 às 17:48
Isabel Camarinha
Isabel Camarinha FOTO: Manuel de Almeida/Lusa
A secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, defendeu esta quinta-feira que é altura de o Governo alterar as suas opções e colocar-se ao lado dos trabalhadores, garantindo-lhes melhores condições de vida, que irão assegurar a dinamização da economia.

"Aquilo que o momento exige é que o Governo PS altere as suas opções: Ou está do lado dos que querem promover o aumento do emprego, ou do dos que usam e abusam dos despedimentos coletivos.(...) ou está do lado dos que querem o aumento geral dos salários (...) ou dos que querem manter e aumentar a distribuição de dividendos", disse a sindicalista perante os trabalhadores de Lisboa e Setúbal que se manifestaram junto ao parlamento, em Lisboa.

Segundo Isabel Camarinha, o Governo deve escolher se "está do lado dos que querem assegurar direitos no trabalho e na vida, ou do dos que têm na precariedade uma forma de aumentar os seus lucros".

"Há que fazer opções! Há um Orçamento do Estado para cumprir, que prevê um reforço efetivo em áreas centrais para a nossa vida coletiva, nomeadamente no Serviço Nacional de Saúde", afirmou, considerando que, sem o reforço nesta área, será difícil vencer a covid-19.

A líder da Intersindical considerou que "só com um significativo aumento geral dos salários é possível assegurar um longo, prolongado e sustentado período de dinamização da economia", porque "só com mais salários é possível aumentar as vendas das empresas, criar emprego, reduzir a dependência face ao exterior, fixar os trabalhadores no nosso país, ou garantir a igualdade entre mulheres e homens".

Defendeu também que "só com o fim da precariedade (...) é possível dinamizar novas fileiras produtivas e acrescentar valor nos setores tradicionais, aumentar a formação e desenvolver as profissões".

"O futuro do país constrói-se com mais estabilidade profissional e não com o regresso aos tempos das praças de jorna, sejam elas revestidas da modernidade das plataformas digitais, ou da atrocidade de Odemira e da exploração sem limites que vai proliferando pelo país", disse aos manifestantes.

A redução do horário de trabalho semanal para as 35 horas, em todos os setores e para todos os trabalhadores, foi outra das reivindicações reafirmadas por Isabel Camarinha no final da manifestação junto à Assembleia da República.

A manifestação em Lisboa, que saiu em desfile da Praça Luís de Camões, marcou o fim da jornada nacional de luta que decorria desde 21 de junho.

"A jornada de luta que hoje encerramos, deu uma poderosa demonstração de vontade e disponibilidade para a luta por parte dos trabalhadores. Uma luta que não vai parar e que tem de se intensificar", disse a líder da Inter aos manifestantes.

À agência Lusa, a sindicalista disse que, "apesar desta jornada nacional de luta terminar hoje, muitos trabalhadores quiseram marcar ações de protesto para os próximos dias, até ao final de julho ou no início de agosto".

A CGTP desenvolveu ao longo de três semanas e meia uma jornada de luta que contou com a participação de "centenas de milhares de trabalhadores" em centenas de protestos, entre plenários, greves e concentrações, de todos os setores e regiões do país.

Isabel Camarinha percorreu o país e participou em dezenas de iniciativas e testemunhou a determinação dos trabalhadores que exigem "a valorização dos salários e das carreiras, o desbloqueio da contratação coletiva, a regulação e redução dos horários de trabalho e a revogação das normas gravosas da legislação laboral".

Segundo a sindicalista, o Governo e as empresas continuam a ignorar os problemas dos trabalhadores e a manter o modelo de baixos salários, precariedade e bloqueio da contratação coletiva.

"Não colocámos nada de novo, em termos de reivindicações, mas colocámos a ação nas empresas e locais de trabalho, porque os trabalhadores estão indignados por verem os seus salários serem engolidos pelo salário mínimo, devido a anos consecutivos sem aumentos, por não terem qualquer valorização das carreiras", explicou a líder da Inter.

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