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Trump recusa sair da corrida presidencial

Republicano já tinha pedido desculpa por comentários machistas.
Lusa 8 de Outubro de 2016 às 06:33
Candidato republicano pediu desculpa por gravação de 2005.

O candidato à Presidência dos EUA Donald Trump afirmou que não irá sair da corrida presidencial, isto depois de terem surgido vários pedidos para que se retirasse das eleições à Casa Branca.

Segundo declarações que fez ao The Wall Street Journal, o republicano diz haver "zero hipóteses de desistir".

Esta recusa surge depois do republicano já ter feito um pedido de desculpas pelos comentários considerados vulgares e machistas divulgados num vídeo na sexta-feira, mas acrescentou que o ex-Presidente Bill Clinton fez pior e "abusou mesmo das mulheres".

"Já disse, procedi mal e peço desculpa", diz Trump num vídeo divulgado hoje em que sublinha que a gravação difundida na sexta-feira tem mais de dez anos e se arrepende daquilo que dizia.

Trump compromete-se "a ser um homem melhor", mas acrescenta que, no entanto, o ex-Presidente norte-americano Bill Clinton, casado com a sua rival nas eleições deste ano, "abusou mesmo das mulheres" e que Hillary Clinton perseguia as vítimas do marido.

"Eu disse coisas parvas mas há uma grande diferença entre as palavras e os atos de outras pessoas. Bill Clinton abusou mesmo das mulheres e Hillary perseguiu, atacou, humilhou e intimidou as suas vítimas", afirma o candidato à Casa Branca pelo Partido Democrata.

O candidato a vice-presidente republicano, Mike Pence, também já disse que se sente ofendido com as palavras de Trump.

"Como marido e pai senti-me ofendido com as palavras e ações descritas por Donald Trump no vídeo de há 11 anos, divulgado ontem [sexta-feira]", afirmou Mike Pence num comunicado citado pela agência de notícias EFE.

Na nota, Mike Pence diz que não aprova os comentários, não pode defendê-los e agradece "que tenha [Trump] mostrado arrependimento e se tenha desculpado ao povo norte-americano".

"Rezamos pela sua família e aguardamos pela oportunidade que ele tem de mostrar o que guarda no coração, quando se dirigir à nação amanhã [domingo] à noite", afirmou Mike Pence, referindo-se ao segundo debate presidencial entre Trump e a candidata democrata Hillary Clinton.




A nova polémica em torno de Trump surgiu por causa de um vídeo gravado em 2005 e divulgado na sexta-feira pelo jornal The Washington Post em que o empresário fala sobre as mulheres em termos considerados vulgares e machistas.

Por causa deste vídeo, o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Paul Ryan, desistiu na sexta-feira de aparecer publicamente hoje, pela primeira vez, ao lado de Trump, "indignado" com as suas declarações machistas.

Também o presidente do Partido Republicano, Reince Priebus, condenou as palavras de Trump no vídeo, dizendo que "nenhuma mulher deve ser descrita naqueles termos".

Por outro lado, o governador do Utah, o republicano Gary Hernert, anunciou hoje que retirou o apoio a Trump e que não votará nas eleições de novembro, considerando as declarações do candidato à Presidência dos Estados Unidos "ofensivas e desprezíveis".

O mesmo fez o congressista eleito pelo Utah Jason Chaffetz, enquanto o ex-governador deste estado Jon Huntsman pediu a Trump para retirar a sua candidatura à Casa Branca.

Antes de divulgar o vídeo de hoje, Trump já havia dito, através de um comunicado, que a gravação se tratou de uma conversa privada com anos, desculpou-se "se alguém se sentiu ofendido" e referiu Bill Clinton.

"Era uma conversa de vestuário, privada, que teve lugar há anos. [O ex-presidente] Bill Clinton disse-me coisas muito piores no campo de golf", disse.

Esta polémica surge a poucos dias do segundo debate entre os dois principais nomes na corrida à Casa Branca deste ano, Hillary Clinton e Donald Trump, que está marcado para domingo.

Vários senadores republicanos pedem a Trump que desista
Vários senadores republicanos pediram hoje ao candidato presidencial do partido, Donald Trump, para abandonar a corrida presidencial, depois de ter sido divulgado um vídeo em que se ouve o magnata a fazer comentários considerados vulgares sobre mulheres.

"O caráter importa. Donald Trump obviamente não vai ganhar. Mas pode fazer algo honroso. Sair e deixar entrar Pence", afirmou na sua conta oficial do Twitter o senador Ben Sasse, do Nebrasca, aludindo ao governador do Indiana e aspirante republicado à vice-presidência, Mike Pence.

Também no Twitter, o senador republicano Mike Crapo manifestou opinião semelhante: "Não nos equivoquemos. Precisamos de uma liderança na Casa Branca. Isto Donald Trump a permitir ao Partido Republicano propor um candidato conservador como Mike Pence, que pode derrotar Hillary Clinton".

O mesmo senador pelo Idaho condenou as "repetidas ações e comentários sobre mulheres" por parte de Trump.

Pedidos semelhantes foram feitos por Mike Lee, senador pelo Utah, e por Mark Kirk, do Illinois.

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