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Hotelaria nos Açores com sinais "interessantes" mas poucos carros para tanta procura

"Tivemos, durante um ano e meio, a frota parada. Um carro é um ativo que se desvaloriza todos os dias", explicou.
Lusa 2 de Agosto de 2021 às 10:51
Hotelaria
Hotelaria FOTO: André Guerreiro
O mês de agosto, que concentra a maior parte das férias dos turistas, deve traduzir-se numa ocupação hoteleira "bem interessante" nos Açores, enquanto as empresas de aluguer de carros admitem "dificuldades" em responder a tanta procura.

"Está a acontecer um aumento da procura. Junho foi um mês interessante e as perspetivas para agosto não são más. A ocupação está interessante nos hotéis mas, se compararmos com 2019, há uma quebra ainda acentuada. O que se prevê é que só em 2023, na melhor das hipóteses, os números voltem aos de 2019 [antes da pandemia de covid-19]", disse à Lusa o delegado nos Açores da Associação da Hotelaria de Portugal, Fernando Neves.

De acordo com o empresário, para este mês perspetiva-se que a ocupação dos hotéis no arquipélago "esteja acima dos 60%", ao passo que as empresas de aluguer de viaturas apresentam dificuldades em responder às solicitações, fruto da pressão da procura e da redução de frota devido à pandemia de covid-19, segundo resumiu Luís Rego, diretor do grupo ilha Verde

Nos hotéis, "agosto deste ano perspetiva-se um mês com uma ocupação interessante, mas nada que se compare a 2019", observou o delegado nos Açores da Associação da Hotelaria de Portugal.

Apesar das perspetivas animadoras, Fernando Neves referiu que "não há hotéis lotados".

"Só vamos voltar a ter uma ocupação normal, ao nível de 2019, na melhor das hipóteses em 2023", reforçou.

Para o responsável, a retoma por completo no setor turístico vai depender de muitos fatores, como a vacinação contra a covid-19 a nível mundial e o comportamento dos "mercados emissores" de turistas.

O presidente da Associação do Alojamento Local dos Açores, Rui Correia, tem também boas perspetivas para agosto.

"Provavelmente, poderemos estar acima dos 50%", indicou Rui Correia.

De acordo com o responsável, pelos "sinais que os associados têm feito chegar, julho foi um bom mês e têm surgido algumas reservas de última hora", mas "muitas são canceladas porque entretanto estas pessoas não estão a conseguir alugar carros em quase todas as ilhas".

Mas, acrescentou, "a perspetiva é claramente boa para o mês de agosto e 50% das dormidas de turistas nos Açores estão em alojamento local".

"Os meses de julho e agosto tiveram mais alguma procura, mas não vão ser suficientes para resolver as quebras", sustentou.

Rui Correia disse que se verifica um "crescimento na preferência pelo alojamento local" de quem visita os Açores, com muitas viagens feitas em família, e "sente-se já alguma retoma", embora "longe dos valores de 2019".

Ainda assim, não há espaços esgotados.

Cenário diferente ocorre nas empresas de aluguer de carros ('rent-a-car') nos Açores, com menos oferta disponível na sua frota, principalmente nas viaturas "mais económicas".

Luís Rego, diretor do grupo ilha Verde, disse ser "habitual" por esta altura do ano haver uma maior procura pelo aluguer de viaturas", em particular "nos primeiros 15 dias de agosto", mas este ano "um conjunto de fatores contribuíram para uma maior dificuldade na resposta".

"Quem já reservou viaturas com antecedência, conseguiu. Em cima da hora é mais difícil e os clientes acabam por ficar com um carro que não pretendiam", justificou o empresário à Lusa, avançando que se "verificou também uma maior procura" de aluguer de carros por parte de turistas nacionais e locais.

Segundo o empresário, essa "maior dificuldade" no aluguer de carros nos Açores "encontra-se entre 20 de julho a 20 de agosto", um mês de "maior pressão e maior procura", onde se concentra "a maior parte das férias do turista nacional e dos locais".

A dificuldade no aluguer, acrescentou, "é em toda a linha, mas onde há menos oferta são nas viaturas mais económicas", porque "houve uma redução da frota das rent-a-car motivada pela pandemia de covid-19" e "as marcas cancelaram também alguns pedidos já existentes, porque fecharam as suas fábricas" durante um período.

"Tivemos, durante um ano e meio, a frota parada. Um carro é um ativo que se desvaloriza todos os dias", explicou.

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