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Correio da Manhã

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Fumeiro de Montalegre enfrenta a pandemia

Apesar da pandemia a ideia é «fazer diferente, fazer seguro e fazer bem», garante David Teixeira, vice-presidente da autarquia
18 de Janeiro de 2022 às 18:52
Começou por ser uma venda de presunto, salpicões e chouriças organizada pela Câmara Municipal, já que os produtores tinham vergonha de dar a cara. É que, em tempos idos, só os pobres vendiam fumeiro. Hoje, passadas três décadas, esta é a mais conhecida feira de fumeiro do País e os produtores, mais de meia centena, não só participam como o fazem com orgulho (e lucro).

No ano passado, a celebração dos 30 anos do certame ocorreu de forma digital, devido às regras impostas pela pandemia. Mas este ano a feira, agendada para os dias 20 a 23 deste mês, regressa no seu formato tradicional, embora com regras apertadas. A decisão saiu de uma reunião entre Câmara de Montalegre, Associação de Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã e os produtores.

Promete ser um desafio para quem comercializa e para quem visita. De acordo com as limitações da pandemia, a ideia passa por «fazer diferente, fazer seguro e fazer bem», garantia de David Teixeira, vice-presidente da autarquia. O espaço vai ser adaptado, a segurança reforçada e os produtos estarão todos embalados. No interior, só se realiza venda direta. Tudo isto, convém sublinhar, será desenvolvido de acordo com as diretrizes emanadas pela Direção Geral de Saúde.

Apesar da máscara, do álcool gel, do distanciamento social e da obrigatoriedade de certificado com 3ª dose há mais de 14 dias ou teste negativo, a organização promete fazer tudo para que a Feira de Fumeiro de Montalegre deste ano decorre da forma mais parecida possível com a tradicional Feira do Fumeiro de Montalegre.

Assim, os habituais produtores terão para venda nas bancas mais de trinta toneladas de fumeiro, com destaque para as alheiras (o produto mais procurado), o presunto, o salpicão, as chouriças de carne e de sangue e outras iguarias, como orelheira, farinheira e a tão apreciada chouriça de abóbora.

Mas a feira não se cinge ao fumeiro. Há oito expositores de outros produtos da região, como mel (uma tonelada), compotas (cem quilos), pão de centeio, bicas de carne e folares (uma tonelada) e licores (cem litros). Há também dois artesãos e dois produtores de vinho.

Em 2020, a última vez que a feira ocorreu de forma física, acorreram à feira 50 mil visitantes e a autarquia falou num volume de negócios de 5,7 milhões de euros, 3,1 dos quais resultantes da venda de fumeiro. Este ano, devido às restrições, os valores poderão ser menores, mas a marcação de dormidas e refeições tem decorrido a um ritmo superior ao esperado. Como estamos na vila mais alta de Portugal, se houver neve, será a loucura.
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