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50 anos do Vilar de Mouros assinalados com concertos oferecidos a 400 pessoas

1.ª edição de 1971, lançada pelo médico António Barge, contou com a presença, entre outros, de Elton John e Manfred Mann.
Lusa 18 de Agosto de 2021 às 15:10
Festival Vilar de Mouros
Festival Vilar de Mouros FOTO: Direitos Reservados
A organização do festival de Vilar de Mouros assinala no dia 28 os 50 anos do "Woodstock" à portuguesa, oferecendo a 400 pessoas bilhetes para quatro concertos no palco histórico construído em 1982 na aldeia de Caminha.

"Quisemos marcar a data e oferecer a quem levantar bilhetes a possibilidade de ter um dia diferente", disse hoje à agência Lusa Diogo Marques, da organização do festival de Vilar de Mouros.

O primeiro festival de música do país, que ainda hoje goza da fama do "Woodstock" à portuguesa, aconteceu em 1971 em Vilar de Mouros, tendo sofrido um interregno de oito anos, entre 2006 e 2014.

A 1.ª edição de 1971, lançada pelo médico António Barge, contou com a presença, entre outros, de Elton John e Manfred Mann.

Diogo Marques adiantou que o evento do dia 28 é "uma comemoração pequena, face à situação pandémica" que o país atravessa.

"Vamos ter uma lotação de 400 pessoas, sentadas, com o distanciamento e todas as regras impostas pela Direção-Geral da Saúde (DGS). Os bilhetes vão ser oferecidos. Temos uma zona de alimentação. O festival começa às 18:30 e termina 23:30. É um minifestival só mesmo para comemorar os 50 anos do festival", afirmou Diogo Marques.

Segundo aquele responsável, os bilhetes para os concertos com David Fonseca, a Banda do Filme "Variações", Rui Pregal da Cunha e Paulo Pedro Gonçalves (Live DJ set) e Bunny Kills Bunny vão ser distribuídos pelos postos de turismo de Caminha, Vila Praia de Âncora e Junta de Freguesia de Vilar de Mouros.

A "ação de comemoração" de 28 de agosto, data prevista para o encerramento da edição deste ano que foi cancelada por causa da pandemia de covid-19, vai decorrer "no palco histórico, criado em 82 quando os U2 atuaram em Vilar de Mouros".

"É um palco que se mantém no mesmo local, com as mesmas características e onde este minifestival vai acontecer", referiu.

No dia 26, data prevista para o início da edição deste ano, entretanto cancelada, a organização vai lançar o cartaz da edição 2022 marcada para os dias 25, 26 e 27 de agosto.

Em nota hoje enviada às redações, a organização do festival explicou que os bilhetes para os concertos do dia 28 podem ser levantados a partir das 11:00 de segunda-feira, sendo que serão distribuídos dois bilhetes por pessoa.

Os Bunny Kills Bunny sobem ao palco às 18h30 para apresentar retratos musicais dos tempos de confinamento.

Às 19:40 atua a Banda do Filme "Variações", que "homenageia o legado de uma das maiores figuras da música dos anos 80".

Às 21:10 David Fonseca apresenta em Vilar de Mouros "vários hinos da sua autoria que inscreveu no cancioneiro português contemporâneo, como Kiss, oh Kiss Me, Someone that Cannot Love e Superstars".

Para encerrar as comemorações, às 22h30, o concerto de Rui Pregal da Cunha e Paulo Pedro Gonçalves, membros fundadores de Heróis do Mar, "revisitam em modo 'Live DJ Set' alguns dos temas que mais os marcaram".

"Além do marco importante na história da música em Portugal, este evento parte da vontade de incentivar e dar trabalho a todo o tecido cultural e social, aos artistas, técnicos e comércio local da região e do país. Para tal, foi fundamental o apoio do Programa Garantir Cultura, do Município de Caminha e da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros", refere a organização.

O Festival Internacional de Música Moderna Vilar de Mouros, realizado em pleno Estado Novo, no verão de 1971, recebeu, além das estrelas internacionais, alguns dos mais importantes artistas nacionais de então, como o Quarteto 1111, Duo Ouro Negro e Amália Rodrigues.

"Foram três fins de semana que mudaram a história da música ao vivo em Portugal para sempre e estabeleceram o modelo de festival de verão nacional, inspirado no Woodstock - como assumiu o fundador Doutor António Barge -, alavancando a criação de um circuito de festivais em Portugal nas décadas seguintes, já em democracia", adianta a nota.

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