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Correio da Manhã

Cultura
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Adeus a Carmen Dolores, a dama do teatro

Começou a trabalhar aos 14 anos e retirou-se aos 81. Em 2018 foi homenageada no Teatro da Trindade, cuja sala principal passou a designar-se Sala Carmen Dolores.
Ana Maria Ribeiro 17 de Fevereiro de 2021 às 01:30
Atriz Carmen Dolores
Carmen Dolores
Carmen Dolores agraciada pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa
Atriz Carmen Dolores
Carmen Dolores
Carmen Dolores agraciada pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa
Atriz Carmen Dolores
Carmen Dolores
Carmen Dolores agraciada pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa
"Não conheço ninguém que não gostasse da Carmen Dolores", disse esta terça-feira Carlos Avilez, que dirigiu a atriz várias vezes. "Era uma grande atriz, uma mulher de causas, uma pessoa de enorme dignidade e coerência. Eu perdi uma amiga", acrescentou o encenador, que, ao CM, garantiu que Carmen Dolores não estava doente. "Ligávamos muito um ao outro, para saber como as coisas iam. E ela estava bem. Mas tinha 96 anos. E uma saúde muito frágil, sempre com uma alimentação muito cuidada. Soube quando telefonei lá para casa. Fiquei destroçado. São tantos que se estão a ir embora", acrescenta Carlos Avilez.

Carmen Dolores morreu na segunda-feira, aos 96 anos. A voz, límpida, inconfundível, lançou-lhe a carreira na rádio, com apenas 14 anos, e a beleza – revelada pelo realizador António Lopes Ribeiro no filme ‘Um Amor de Perdição’ (1943) – fez o resto. Carmen chegou ao teatro aos 21 anos, estreando-se na peça ‘Electra, a Mensageira dos Deuses’, sob a direção de Francisco Ribeiro (Ribeirinho) no Teatro da Trindade. O mesmo palco que, em 2018, foi batizado Sala Carmen Dolores, como forma de homenagear uma carreira cheia de glórias. É que entre um ano e outro, Carmen Dolores fez tudo. Cinema, teatro, declamação, teatro televisivo, telenovelas. Integrou o elenco do grupo Os Comediantes de Lisboa e da Companhia Rey Colaço - Robles Monteiro, foi uma das fundadoras do Teatro Moderno de Lisboa, escreveu livros e defendeu causas (foi uma das mais ativas impulsionadoras da Casa do Artista). Em 2005, despediu-se dos palcos com o espetáculo ‘Copenhaga’, no Teatro Aberto, onde tantas vezes trabalhou.

A atriz estará em câmara ardente dia 19 de fevereiro (6ª feira), a partir das 10h00, na Igreja de Fátima na Avenida de Berna em Lisboa. O funeral será às 15h00 no Cemitério do Lumiar em Lisboa.

PERFIL
Carmen Cohen Sarmento Veres Dolores nasceu em Lisboa a 22 de abril de 1924. Filha de um jornalista, estreou-se na rádio com 14 anos, a dizer poesia. Aos 19 chegou ao cinema e dois anos depois ao teatro. Nos anos 60 fez teatro televisivo e, a partir dos anos 80, novelas. Em 1947 casou com Vítor Veres, de quem teve um filho, Rui.

PORMENORES
Presidente evoca atriz
Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte de Carmen Dolores e lembrou a data, em 2018, em que entregou à atriz as insígnias de Grande-Oficial da Ordem do Mérito, "uma das muitas" honras que recebeu.

Diogo Infante escreve
Diogo Infante, que, na qualidade de diretor artístico do Trindade, atribuiu o nome da atriz à sala principal daquele teatro, usou as redes sociais para dizer "obrigado, querida Carmen, por tudo".

Prémios e distinções
Entre outros, atriz foi distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, a Medalha de Ouro da Câmara de Lisboa e o prémio Sophia de Carreira da Academia de Cinema.
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