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Correio da Manhã

Cultura
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Adeus a Sean Connery, o eterno galã que foi o primeiro 007

Carreira de 50 anos marcada por James Bond e por um Óscar de Ator Secundário com ‘Os Intocáveis’.
Rui Pedro Vieira 1 de Novembro de 2020 às 01:30
Adeus a Sean Connery, o eterno galã que foi o primeiro 007
Adeus a Sean Connery, o eterno galã que foi o primeiro 007
Dos muitos méritos que marcam a longa carreira de meio século de Sean Connery, um dos mais sonantes é o facto de ter sido o primeiro (e, para muitos, o melhor) James Bond no cinema. Desde ‘007 O Agente Secreto’ (1962), interpretou o espião "ao serviço de Sua Majestade", criado pelo britânico Ian Fleming, nas primeiras seis aventuras, voltando mais tarde, numa outra ocasião, à personagem em ‘Nunca Mais Digas Nunca’ (1983). Mas o ator escocês foi muito além disso e tornou-se um dos mais célebres e charmosos atores de Hollywood. Morreu ontem, aos 90 anos, junto à família, na casa que tinha em Nassau, nas Bahamas. O filho, Jason, confirmou o óbito e lembrou que o pai "já não estava bem há algum tempo".

Nascido em Edimburgo, Sean Connery deixou a escola aos 14 anos e começou a distribuir leite. Passou pela marinha, tornou-se modelo (chegou a posar nu), até que, em 1962, entra de rompante no cinema graças a James Bond. Nunca mais parou. Venceu o Óscar de Melhor Ator Secundário, em 1988, com ‘Os Intocáveis’, de Brian de Palma, depois de brilhar às ordens de Alfred Hitchcock, John Huston ou Sidney Lumet.

Célebre foi também o desempenho em ‘O Nome da Rosa’ (1986) e o de pai de Harrison Ford em ‘Indiana Jones e a ‘Grande Cruzada’ (1990). O cinema de aventura e ação foi outra paixão, com elogios em filmes como ‘Caça ao Outubro Vermelho’ (1990) ou ‘O Rochedo’ (1996), ao lado de Nicolas Cage.

Sir Sean Connery, sagrado cavaleiro pela rainha Isabel II em 2000, apesar de sempre ter lutado pela independência da Escócia, estava afastado dos ecrãs há 17 anos. Optou por viver uma reforma anónima, ao lado da mulher, Micheline, e filho, Jason. Sobre o estrelato, disse um dia: "Talvez não seja um grande ator, mas teria sido ainda pior a fazer qualquer outra coisa".

Passagem por Lisboa em ‘A Casa da Rússia’
Sean Connery passou por Portugal durante a rodagem do filme de espionagem ‘A Casa da Rússia’ (1990), ao lado de Michelle Pfeiffer. Neste filme de Fred Schepisi, que adapta o romance homónimo de John Le Carré, Connery esteve vários dias em Lisboa, com filmagens no Príncipe Real, no Jardim do Torel (e vistas panorâmicas da colina do Castelo de São Jorge), e na parte oriental da capital, muito antes da transformação em Parque das Nações.

Filmografia selecionada
1962 – 007 Agente Secreto, de Terence Young
1963 – 007 Ordem para Matar, de Terence Young
1964 – Marnie, de Alfred Hitchcock
1964 – 007 Contra Goldfinger, de Guy Hamilton
1965 – 007 Operação Relâmpago, de Terence Young
1967 – 007 Só se Vive Duas Vezes, de Lewis Gilbert
1971 – 007 Os Diamantes são Eterenos, de Guy Hamilton
1974 – Um Crime no Expresso do Oriente, de Sidney Lumet
1975 – O Homem que queria ser Rei, de John Huston
1976 – A Flecha e a Rosa, de Richard Lester
1983 – Nunca mais diga Nunca, de Irvin Kershner
1986 – O Nome da Rosa, de Jean Jacques Annaud
1987 – Os Intocáveis, de Brian De Palma
1989 – Indiana Jones e a Grande Cruzada, de Steven Spielberg
1990 – Caça ao Outubro Vermelho, de John McTiernan
1990 – A Casa da Rússia, de Fred Schepisi
1995 – O Primeiro Cavaleiro, de Jerry Zucker
1996 – O Rochedo, de Michael Bay
2003 – Liga dos Cavaleiros Extraordinários, de Stephen Norrington
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