Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
2

“Alma em Cabo Verde, coração em Portugal”: Tito Paris de regresso aos palcos

Estreia de um espetáculo único vai reunir os seus amigos de sempre, dia 28, no Campo Pequeno.
Miguel Azevedo 21 de Novembro de 2021 às 09:34
Tito Paris assume-se como um artista realizado e mostra-se ansioso com o regresso ao contacto com o público
Tito Paris assume-se como um artista realizado e mostra-se ansioso com o regresso ao contacto com o público FOTO: Tiago Sousa Dias
Nasceu Aristides Paris, no Mindelo, em Cabo Verde, a 30 de maio de 1963, viajou para Lisboa aos 19 anos e hoje é quase um símbolo da cidade. Em 2017, foi mesmo agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito.

É fácil para um músico com tantos anos de carreira resumir o seu melhor num único espetáculo?
É difícil, mas ao mesmo tempo também é fácil [risos], porque vou ouvindo as pessoas e já sei o que elas querem ouvir. Ainda há dias, um grupo que vem do Luxemburgo de propósito contactou-me a pedir cinco músicas. Este vai ser um espetáculo muito bonito, uma grande noite em família.

Com mais de 40 anos de música, que memórias guarda do início do seu percurso?
Uma das memórias mais vivas que eu tenho é do meu primeiro concerto na Ilha do Sal, em 1985/86, para nove pessoas, a quatro das quais eu tinha oferecido bilhetes [risos]. Mas como eram pessoas que gostavam de mim e que eu tinha a certeza que me queriam ouvir, acabou por ser uma experiência fantástica. Toquei algumas músicas do primeiro disco que eu já tinha lançado. No final, guardei a guitarra e fui para casa.

E como é que se dá a sua vinda para Lisboa?
Recordo-me que estava a jogar matraquilhos numa sala de jogos com uns amigos, e o mestre Luís Morais veio ter comigo e disse-me “tu vais comigo para Lisboa”. Dois dias depois, apareceu-me lá em casa a dizer que ia tratar do passaporte e da licença militar. E de repente estava dentro do avião. Quando cheguei, conheci Bana e o Paulino Vieira, que me pôs a tocar bateria, que era uma coisa que eu não gostava muito. Mas não estou nada arrependido de ter saído de Cabo Verde. Estou muito orgulhoso de ter vindo para Portugal.

E fez de Portugal praticamente a sua primeira casa!
Tenho a minha alma em Cabo Verde e o meu coração em Portugal e vice-versa. Tenho dois países que estão unidos e intimamente ligados.

É hoje um artista feliz e realizado com aquilo que conseguiu alcançar?
Um artista realizado não é necessariamente um artista rico. Um grande artista é aquele que consegue realizar os sonhos e, por isso, sou um homem muito feliz. Praticamente não tenho nada de posses, mas tenho tudo o que preciso, música, público, fãs e família.

E em Cabo Verde é um herói, um embaixador!
A mim deram-me sim esse título. Tenho inclusive um passaporte de diplomata como embaixador da cultura de Cabo Verde, mas há muitos outros embaixadores.
Ver comentários