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Correio da Manhã

Cultura
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Amigos despedem-se de Carlos do Carmo

Velório realiza-se esta segunda-feira de manhã na Basílica da Estrela. Funeral é à tarde.
Duarte Faria 3 de Janeiro de 2021 às 09:38
Carlos do Carmo
Carlos do Carmo
A Basílica da Estrela, Lisboa, será palco, segunda-feira, do último adeus a Carlos do Carmo. O velório terá início às 09h00, e a missa de corpo presente às 14h00. O corpo segue depois para cemitério, cuja localização ainda está por revelar. As cerimónias fúnebres acontecem na mesma data em que o Governo decretou dia de luto nacional em homenagem ao fadista que ajudou o fado a ser reconhecido como Património da Humanidade.

Desde sexta-feira, 1, dia em que Carlos do Carmo morreu, aos 81 anos, no Hospital de Santa Maria, vítima de um aneurisma da aorta abdominal, que os amigos e colegas se multiplicam em homenagens. “Não há adeus para quem tanto fez!”, garante o músico e compositor Jorge Fernando. Já Sérgio Godinho destaca o “papel fulcral” de Carlos do Carmo no fado. “Ao mesmo tempo que é ‘fadista de gema’, ele é mais do que isso, é um cantor. Não é um fadista característico, como o [Alfredo] Marceneiro, é alguém com outro tipo de formação e que renovou dentro do fado”.

Para Fernando Tordo desapareceu “o mais jovem de todos os fadistas”, com quem manteve 50 anos de amizade. “Com este infeliz acontecimento desaparece o grande responsável pela transformação, pela modificação da autoria e da composição para fado”. Já a pianista Maria João Pires lembra um artista de “grande dignidade e cultura”. O guitarrista António Chaínho diz que Carlos do Carmo foi “um grande profissional, com “bom gosto musical” e “cuidado com a escolha de repertório”. O musicólogo Rui Vieira Nery não tem dúvidas de que foi “a maior força renovadora do fado após Amália”.

Esteve várias horas no bloco
A tentativa de salvar a vida a Carlos do Carmo foi longa. A equipa médica do Santa Maria fez de tudo, no bloco operatório, para travar o aneurisma abdominal que acabou por ser fatal. Ao que o CM apurou, com um profissional que assistiu o fadista, a cirurgia demorou “várias horas”. “Fomos persistentes e não desistimos, mas o aneurisma ganhou-nos”, disse.
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