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Correio da Manhã

Cultura
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Conservatório de Música do Porto completa 100 anos de histórias

Escola foi fundada no dia 1 de junho de 1917 pela Câmara Municipal do Porto.
28 de Maio de 2017 às 07:20
Conservatório do Porto
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O Conservatório de Música do Porto comemora na quarta-feira cem anos, desde a fundação, atravessando um centenário carregado de música e histórias, de nomes maiores da arte nacional a romances e amizades criadas num "lugar mágico".

Criado pela Câmara Municipal do Porto a 1 de junho de 1917, a escola pública teve Bernardo Moreira de Sá como primeiro diretor, ele que era avô da pianista Helena de Sá e Costa e da violoncelista Madalena Moreira de Sá (e Costa).

Inicialmente instalados no Palacete dos Viscondes de Vilarinho de São Romão, na travessa do Carregal, a escola mudou-se em 1975 para o Palacete Pinto Leite, na rua da Maternidade, onde viria a passar mais de 30 anos.

A ala poente do edifício da Escola Secundária Rodrigues de Freitas, na praça Pedro Nunes, é, desde 2008, a casa atual da escola, numas instalações que incluem ainda um novo edifício onde foram instalados um estúdio de gravação, uma sala de orquestra, auditórios e uma biblioteca, fazendo com que a escola, segundo o diretor da instituição conte com um equipamento "ao nível do que há de melhor na Europa".

Ainda assim, Moreira Jorge aponta "algumas lacunas" no funcionamento da escola, que gostava que fossem "uma prenda" em ano redondo: há "pouca gente" no corpo não-docente para "uma escola deste tipo", mas também algumas limitações" no que toca a condições de trabalho, "por exemplo na afinação dos pianos", devido ao "orçamento apertado", ainda que elogie o "crescimento sustentado" da casa desde que assumiu a direção, em 2005, e a aposta na "consolidação da oferta".

"O Conservatório chega aos 100 anos com muita saúde e vitalidade, numa fase de solidificação da sua evolução e melhoria", apontou o diretor, que vê a instituição com "muito pela frente", tendo como "desafio de médio-prazo a entrada na dança".

A instituição, que em 1992 foi agraciada com a Medalha de Mérito Cultural Grau Ouro do Porto, guarda ainda o espólio da violoncelista Guilhermina Suggia e do compositor e violinista Nicolau Medina Ribas, bem como documentação de vários outros nomes da música nacional.

Também a criação da Orquestra Sinfónica do Porto, agora associada à Casa da Música, teve origem na Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto, raízes que serão evocadas a 22 de junho, no Teatro Rivoli, numa recriação do primeiro concerto do grupo.

Pelo Conservatório passaram alguns dos grandes nomes da música nacional, com o diretor a destacar os "mais mediáticos", como Pedro Burmester e Pedro Abrunhosa, além de António Pinho Vargas, mas também nomes "mais recentes com carreira internacional", como os pianistas Vasco Dantas Rocha, Pedro Gomes e Nuno Ventura de Sousa.

"É um legado que o Conservatório está a dar ao país e ao mundo", atirou Moreira Jorge.

Hoje em dia, a escola é responsável por cerca de 1100 alunos e conta com um corpo docente que ronda os 180 professores, além de quase duas dezenas de funcionários.

Entre os docentes, vários passaram antes pelos corredores como crianças e adolescentes a dar os primeiros passos na sua formação musical.

É o caso de Rosa Oliveira, de 43 anos, professora de saxofone, que aqui estudou nos anos 1990, descrevendo esse período à Lusa como "uma época fantástica".

"Aprendi imenso, fiz amigos para a vida e foi aqui que conheci o meu marido. É uma altura da minha vida que guardo com muito carinho", revelou a saxofonista, que começou a dar aulas na escola há quatro anos.

O regresso à instituição, "um lugar mágico, foi fantástico", porque se juntou ao corpo docente que, como aluna, via como "inatingíveis", mas também porque gosta de "trabalhar com miúdos e dar aulas" e poder ver "a evolução" das crianças que orienta.

Presente nas duas passagens de Rosa pela instituição esteve Ricardo Alves, de 38 anos, que chegou ao Conservatório com 13 anos e completou a formação musical no clarinete, que agora passa aos mais novos.

"Foi muito gratificante, fiz aqui grandes amizades que perduram até hoje, e musicalmente foi um marco muito importante", afirmou o clarinetista, que é hoje "professor da filha da Rosa", prova das "imensas histórias" que povoam o Conservatório.
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